O objetivo desta comunicação oral é abordar o processo de comunicação oral no trabalho de campo de uma investigação social, historicamente determinada, no Seridó potiguar, e as relações de poder envolvidas no processo interativo da relação entre o entrevistador e o entrevistado, no canal dos códigos envolvidos da técnica da entrevista semiestruturada. A intenção desta reflexão é revisitar as entrevistas feitas e decodificar o que foi feito e como se procedeu no resgate dos relatos orais dos depoimentos dos informantes seridoenses, por intermédio da gravação sonora e, também, reproduzida digitalmente. Portanto, a proposta final será apreender, por meio dos códigos do entrevistador e do entrevistado, como ocorreu a execução da técnica da entrevista semiestruturada e os códigos culturais em torno dos quais se estabeleciam as relações de poder no processo histórico da relação social dos envolvidos do trabalho de campo no Seridó potiguar. Historicamente, esta experiência concreta propiciou um vasto universo documental em torno do qual será possível uma inserção analítica capaz de interpretar o foco central desta temática: as relações de poder no processo de comunicação e interação social da aplicação da entrevista semiestruturada na coleta de dados da pesquisa social, em geral, e do comportamento eleitoral, em particular. Assim, o trabalho de campo resgatou 59 depoimentos orais, em três fases distintas: na primeira, foram 20 entrevistas (33,90%), com o tempo de 717 minutos (32,34%), e com uma média de 35,85 minutos por depoimento oral; na segunda, com 18 entrevistas (30,50%), com o tempo de 815 minutos (36,67%), e com uma média de 45,27 minutos de registro oral; e a terceira, com 21 depoimentos orais (35,60%), com o tempo de 685 minutos (30,90%) e com uma média de 32,61 minutos por resgate oral. Portanto, neste universo da fonte oral, transformado numa fonte documental, a interpretação pretende decodificar como os códigos e os valores do entrevistador e do entrevistado do trabalho de campo produziram as relações de poder na relação social. A identidade do informante do trabalho de campo foi constituída predominantemente de homens na faixa etária entre 70 e 90 anos, todos nascidos e na zona seridoense no território potiguar. Portanto, tinha-se um informante definido historicamente, com um código de mensagens e valores vinculados à sociedade nordestina do semiárido potiguar. Conceitualmente, a análise na teoria da comunicação social que instrumentaliza conceitos básicos como emissor, receptor, códigos, valores no processo comunicativo entre os participantes da relação social: o entrevistador e o entrevistado. Além disto, na lógica do poder social, no qual define quem detém o comando e o processo de condução da comunicação social no trabalho de campo. Metodologicamente, esta reflexão interpretativa se constituirá numa revisita ao universo documental empírico produzido na investigação do mestrado e doutorado, ambos na sociologia, e que merece uma inserção para desvendar o que se fez e como se fez de forma processual e historicamente. Somente após um afastamento do trabalho de campo em si, consegue-se identificar problemas metodológicos e epistemológicos significativos que merecem uma análise mais detalhada para se instrumentalizar a caminhada da investigação social de forma competente e criteriosa. Portanto, a intenção epistemológica objetiva decodificar o que foi feito no processo de trabalho metodológico do trabalho de campo em si, particularmente no processo comunicativo entre entrevistador e entrevistado, no canal da interação social entre os dois participantes da entrevista semiestruturada e gravada sonoramente, compreendendo as relações de poder no canal da relação social. Assim, a meta final será decodificar as mensagens subliminares contidas na interação entre os dois participantes da coleta de informações entre os entrevistador e o entrevistado, identidades pessoais distintas e que se encontraram na pesquisa social, por intermédio da entrevista.