O mero crescimento econômico de um país nem sempre é garantia de que haverá desenvolvimento para todos. Para que isso ocorra faz-se necessária a adoção de políticas capazes de fortalecer a redistribuição de renda e a democratização das oportunidades. A economia solidária vem se tornando um importante elemento no que subjaz a esse processo de desenvolvimento qualificado. É por meio dela que podemos pensar num modo díspar de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para vivermos. Nos últimos anos, este modelo vem se apresentando como uma alternativa inovadora de
geração de emprego e renda por meio da inclusão social. Destarte, a proposta deste artigo será pautar-se na econômica solidária como alternativa para geração de emprego e renda partindo-se dos pressupostos do desenvolvimento sustentável como mudança qualitativa dos processos econômicos vigentes. Para tanto, a metodologia aplicada ao trabalho se ateve a um estudo exploratório, do tipo revisão bibliográfico, que se respaldaram em literaturas científicas, trabalhos acadêmicos referenciados que tentam responder a tais reflexões, sendo que os resultados obtidos responderam satisfatoriamente à proposta da pesquisa em foco.
Karl Marx e Friederich Engels iniciam sua obra O Manifesto do Partido Comunista, publicado pela primeira vez no ano de 1848, relatando a condição humana frente ao sistema instituído que circulava sob a hegemonia do poder de poucos sobre muitos. Visto isso, não seria difícil imaginar que outros séculos viriam e que a luta de classes, ou, a luta pela vivência de uns e sobrevivência de outros, seguiria desigual.
Com o advento das grandes guerras, em especial a Segunda Guerra mundial (1939-1945), seguida da Guerra Fria (1947-1991) ambas ocorridas no Século XX, os sinais da decadência humana frente ao imperialismo do capital acirravam com maior intensidade à corrida pela conquista de um espaço que não só abrigasse o necessário para a vida, mas toda a tecnologia que despontava em um mundo que vendia sonhos em formatos diferenciados. Para além da promessa de um meio digital e competitivo, a globalização daria conta de aproximar mundos, ideias e assim o capital cravaria com todo fervor e sucesso sua marca na história mundial.
Todo esse enlace seria interessante e pertinente se o sistema ora vigente, dessa conta de atender a todas as demandas dos mais de 7 bilhões de habitantes do planeta terra estimados pela ONU (Organização das Nações Unidas). Mas o que acontece e o que vem chamando atenção de cientistas e pesquisadores de todo o mundo é que o sistema capitalista não tem tido condições de responder às demandas da humanidade, ocasionando, no entanto, um acirramento no que diz respeito à desigualdade social corroborando com o que Marx e Engels anunciaram a respeito da luta de classes.
Palavras-chave: Políticas. Neoliberalismo. Economia Solidária.
Nesse contexto de complexidade, em que somos convidados a pensar alternativas para atravessar as diversas crises que se instalam em nosso meio, ideias com o intuito de transformação foram surgindo mundialmente, a fim de acompanhar às necessidades humanas que passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas. Assim, as preocupações diante da falta do olhar crítico dos Estados frente às necessidades de políticas públicas sociais e econômicas efetivas que atendessem as demandas da população (Leia-se população no sentido amplo), novos conceitos passaram a ser cunhados com a finalidade de diminuir as mazelas instaladas.
Portanto, conceitos como terceiro setor, economia solidária, geração de renda, cooperativismo dentre outros, passaram em uma esfera global a fazer parte do pensamento político e social da humanidade.
Destarte, o presente artigo tem por finalidade discutir o conceito de economia social solidária, visto através da ótica do desfacelamento das políticas públicas no contexto neoliberal brasileiro.
O contexto sócio-político brasileiro a partir da segunda metade dos anos 1970 do século XX se encontrava em ebulição. As contradições decorrentes da ditadura militar imposta pelo golpe de 1964 estão se acirrando e paulatinamente segmentos da sociedade civil brasileira começam a levar suas inquietudes para as ruas, ou seja, os referidos segmentos da sociedade civil1 começam a contestar, desde a partir de seus locais de residência até mesmo pelos locais de trabalho.