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Resumen de ponencia
Rede Casas do Patrimônio Pará: uma experiência de educação (patrimonial) compartilhada

*Ana Carmen Amorim Jara Casco
*Carla Ferreira Cruz



A atuação em redes pode fortalecer a participação social nas políticas públicas, assim como a colaboração interinstitucional e interdisciplinar promovida pela articulação em redes, pode ampliar as ações a serem desenvolvidas e fomentar a busca pela equidade nas relações de poder entre instituições e entre as instituições e os grupos sociais.
O projeto “Rede Casas do Patrimônio - Pará” foi realizado em parceria com 11 instituições, entre os anos de 2010 e 2017. O objetivo foi proporcionar espaços de diálogo e construção conjunta de ações e processos educativos na área do patrimônio cultural. A articulação realizada no estado do Pará estava contida num projeto de âmbito nacional , proposto pelo órgão federal responsável pela preservação e salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-IPHAN.
O Projeto Casas do Patrimônio integra-se à construção de um marco institucional para o Iphan, resultado de debates institucionais realizados desde 2007. Segundo o site do Iphan, "as Casas do Patrimônio constituem-se de um projeto pedagógico, com ações de educação patrimonial e de capacitação que visam fomentar e favorecer a construção do conhecimento e a participação social para o aperfeiçoamento da gestão, proteção, salvaguarda, valorização e usufruto do patrimônio cultural. Fundamentam-se, ainda, na necessidade de estabelecer novas formas de relacionamento entre o Iphan, a sociedade e os poderes públicos locais." (iphan.gov.br/casasdopatrimonio)
Os diferenciais da forma como a “Casa do Patrimônio” foi implementada no estado do Pará, em relação a outras propostas realizadas no restante do Brasil, foram: a) o projeto foi pensado desde o início em formato de rede, com foco essencialmente na construção dialógica e não em um espaço físico no qual uma “Casa do Patrimônio” seria implementada, partiu-se do princípio que cada um dos parceiros já era uma “Casa do Patrimônio” na medida em que já realizava ações na área do patrimônio cultural, então o que buscávamos era fortalecer e ampliar ainda mais as ações, construindo em conjunto ações já consolidadas ou planejando novas ações; e b) a rede de parceiros foi formalizada por meio de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT), uma rede não necessita de formalização, pois seus “elos” (participantes) podem se conectar e desconectar de forma horizontal, orgânica e fluida, porém a fim de resguardar as pessoas e a continuidade das ações acordadas mesmo em situações de turbulências institucionais, garantindo que os projetos planejados continuassem nas agendas das instituições e os responsáveis por esses projetos tivessem respaldo para continuar a executá-los, optou-se pela formalização da rede.
A rede obteve um caráter diversificado tanto em relação às ações realizadas quanto em relação aos parceiros que a compuseram, tornando tanto o diálogo quanto o aprendizado intra e extra rede ainda mais transformador. Os elos da rede foram formados por instituições federais de ensino técnico e superior; órgãos estaduais de cultura e turismo e associações. Então, estavam dialogando e buscando construir ações conjuntas tanto as esferas federais quanto estaduais, tanto o estado quanto a sociedade civil organizada.
Esses 07 anos compuseram um processo de construção, fluxo criativo e aprendizado poderoso, foram várias fases, tropeços, recomeços que, acreditamos, só foram possíveis por que estávamos construindo juntos, quando o estado demorava a sociedade civil pressionava, quando um parceiro fraquejava outro incentivava, quando ocorria troca de gestão em uma instituição a formalização do ACT segurava todos juntos.
O ACT encerrou sua vigência em 2017, então solicitamos aos “elos” da rede que construíssem conosco a memória desse processo, que nos contassem como foram as experiências e quais seriam suas sugestões para que a formalização da próxima rede, em 2018, seja ainda mais dialógica e transformadora.
Nesse contexto, abordaremos neste artigo o percurso do planejamento, articulação e formalização da “Rede Casas do Patrimônio Pará”; os comentários, impressões e sensações que os integrantes da rede compartilharam conosco após o encerramento do ACT; as alterações que realizaremos na proposta para a formalização da rede para o próximo período; e reflexões sobre a atuação em rede como instrumento de gestão compartilhada entre instituições, como vetor para o fortalecimento da participação social e como possível propulsor de decolonialidade.




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* Amorim Jara Casco
Universidade Federal Fluminense - UFF. Rio de Janeiro/RJ, Brasil

* Ferreira Cruz
Universidade Federal Fluminense - UFF. Rio de Janeiro/RJ, Brasil