A presente pesquisa buscou investigar de que forma ocorreu o ensino da língua de sinais em Criciúma, pois este ensino passou por várias correntes e transformações na metodologia de ensino, sendo mais tarde amparada por uma legislação. A pesquisa partiu da indagação de como estes sujeitos surdos foram alfabetizados e como estas metodologias contribuíram para sua inserção no meio social. Sendo à abordagem qualitativa, esta é organizada pelos dados obtidos na pesquisa de campo, onde são descritos estes dados e estes são analisados utilizando autores que falam sobre o assunto em questão, também sendo exploratória, pois se destinou a investigar a forma como ocorreu o ensino da língua de sinais em Criciúma, através das memórias dos sujeitos surdos sendo preservado desta forma as suas lembranças e estas mesmas lembranças foram analisadas de acordo com a metodologia de ensino que os mesmos passaram.
Foram coletadas grande parte das informações através de entrevistas semiestruturadas, diretamente com os sujeitos surdos, por se tratar de um campo vasto para a pesquisa, delimitou-se os sujeitos que responderam, sendo quatro sujeitos surdos, dois já formados em nível superior, um completando o Ensino Médio e outro em formação no Ensino Médio que se encontram nas mais diversas áreas de atuação. Utilizou-se também da metodologia oral de pesquisa que é constituído na realização de entrevistas por meio de gravação com indivíduos que possam testemunhar sobre acontecimentos, e através de filmagens se registrou em Libras, com objetivo de respeitar a cultura e língua materna do sujeito surdo. Os mesmos puderam narrar suas memórias em forma de vídeos. As entrevistas objetivaram registrar as memórias e histórias que os surdos vivenciaram no processo educacional no município de Criciúma – SC. Sabemos que ainda hoje muitas escolas observam o uso da língua de sinais devido ao que a lei institui, ou seja, o direito dos surdos à acessibilidade sem incorporar a tradição cultura, memória e história (BRASIL, 2000 apud LOPES, 2015).
As entrevistas com os três participantes foram realizadas em vídeos com
a língua de sinais – LIBRAS e depois traduzidos para a língua portuguesa. Sendo que um dos participantes entrevistados realizou a entrevista por meio de e-mail, pois o mesmo não reside mais na cidade. Os vídeos foram gravados apenas com uma câmera devido à falta de recursos e o curto tempo para a realização desta pesquisa. Ao término da coleta dos dados foram feitas a análise a luz do referencial teórico. A escolha dos sujeitos se deu devido uma maior proximidade da autora com estes sujeitos e também devido ao grande exemplo que cada um destes deixou e ainda deixam na sociedade de Criciúma e região.
Concluindo-se com esta pesquisa que a respeito da trajetória histórica dos sujeitos surdos, os mesmos passaram por diversas fases, no início os mesmos estavam em um contaste desenvolvimento e eram verdadeiramente respeitados por sua cultura, após o Congresso de Milão os mesmos passaram a transitar pela medicina, se tornando deficientes e a serem ensinados pelo método da oralidade que até os dias de hoje assombram a vida de muitos surdos, inclusive confirma-se com os entrevistados os efeitos que o congresso causou no desenvolvimento escolar.
Quando se tem noção do quadro histórico que envolve os sujeitos surdos, o sentimento de revolta é muito comum, embora improdutivo. Este conhecimento serve para que se amplie, ao máximo, o pensamento crítico de modo a contribuir para que se realize um trabalho da forma mais correta. Ainda existe uma insistência cruel em caracterizar os surdos como portadores de deficiência e por este motivo perpetuar a visão dos mesmos como seres inferiores e passíveis de correção. Isto nos permite refletir se a sociedade é capaz de se moldar às mais esdrúxulas e injustas exigências do capital estrangeiro, das elites, das grandes corporações, entre outros, mas não é capaz de fazer as pequenas adaptações necessárias para que os sujeitos surdos tenham uma qualidade de vida melhor e seus direitos assegurados e respeitados também no que concerne a sua educação.
Nesta perspectiva, as escolas devem ser reestruturadas para que os professores tenham condições de se capacitarem para atender todos os alunos de modo igualitário. Estando abertos a compreender as diferenças escritas, pois uma grande maioria de ouvintes não irá aprender língua de sinais.