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Resumen de ponencia
A violência de gênero e suas práticas cotidianas na fronteira Brasil-Bolívia

*Vivian Da Veiga Silva



A presente proposta de apresentação de trabalho é resultado de um projeto de pesquisa coordenado por Vivian da Veiga Silva (docente da área de Sociologia e Antropologia), juntamente com acadêmicas do curso de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/Campus do Pantanal, ligado ao Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (NEG/UFMS) e realizado no período de 2017-2018.
O espaço geográfico de realização da pesquisa é a cidade de Corumbá, localizada no estado de Mato Grosso do Sul e situa-se na fronteira do Brasil com a Bolívia. Ao olharmos atentamente a realidade social, percebemos que a região de fronteira é o ponto de convergência de diferentes significações sociais e o local de realização de intercâmbio de valores e práticas culturais, sobretudo de produção de identidades culturais singulares, remetendo à perspectiva proposta pela autora mexicana Gloria Anzaldúa.
Será a partir dessa compreensão de fronteira que iremos situar o objeto da presente pesquisa: a violência de gênero e suas práticas cotidianas na região fronteiriça entre Brasil e Bolívia
A violência de gênero coloca-se como uma ocorrência planetária e continua sendo uma temática amplamente discutida em âmbito nacional. Embora existam iniciativas voltadas à prevenção dessa ocorrência, como a Lei Maria da Penha e a Lei que trata do feminicídio, por exemplo, ainda constitui-se como uma problemática em que pouco se avança no contexto brasileiro. A percepção disso não remete apenas aos índices estatísticos das instituições de atendimento ou das notícias que circulam nas diversas mídias, mas também é visível nas nossas práticas cotidianas e nos nossos discursos, que penaliza, destrói, humilha e anula o corpo feminino.
De acordo com a socióloga brasileira Heleieth Saffioti, o gênero constitui a gramática sexual que normatiza condutas masculinas e femininas, sendo que a violência é parte integrante dessa normatização, constituindo-se como um importante componente de controle social.
Nesse sentido, o presente projeto de pesquisa propõe identificar e analisar as práticas cotidianas de violência produzidas no âmbito das relações de gênero na fronteira Brasil-Bolívia, não nos restringindo à violência física, mas também abordando a violência cotidiana e simbólica, muitas vezes invisível, que fica no plano do discurso e das práticas e que, muitas vezes, passa despercebido.
Como perspectiva teórica utilizamos o pensamento complexo proposto pelo teórico Edgar Morin. Ao propor a construção de um novo paradigma de conhecimento, o autor nos convida a analisarmos as problemáticas sociais de maneira complexa, ou seja, com uma abordagem multidimensional, que englobe diversos aspectos da questão analisada e supere o pensamento simplista e mutilado. Partir do pensamento complexo para elaborar uma reflexão sobre as categorias gênero e mulher nos permite alcançar uma compreensão mais ampla e profunda, desvelando questões que permanecem silenciadas e estagnadas.
A presente pesquisa tem como objetivo geral realizar uma investigação sociológica sobre as ocorrências e as formas de violência de gênero recorrentes na fronteira Brasil-Bolívia, especificamente no município de Corumbá/MS; como objetivos específicos propomos:
realizar levantamento e análise de dados oficiais da violência de gênero no município de Corumbá/MS; identificar e analisar as práticas violentas cotidianas expressas nos planos do discurso e das práticas no município de Corumbá/MS; investigar de que forma a noção de fronteira influencia em práticas, discursos e representações sociais específicas da violência de gênero; analisar o significado cultural da fronteira nas práticas e nos discursos referentes à violência de gênero; analisar como as referências culturais da fronteira são traduzidos em comportamentos, códigos, condutas e representações sociais.
No que se refere ao aporte teórico, o desenvolvimento da pesquisa é conduzido sob a perspectiva da complexidade e as categorias analíticas elaboradas por Heleieth Saffioti (violência de gênero e patriarcado), Joan Scott (relações de gênero) e Gloria Anzaldúa (fronteira).
Com relação às etapas metodológicas: levantamento bibliográfico, levantamento documental (dados oficiais de instituições municipais e estaduais, notícias na imprensa local, regional e nacional) e análise documental.
Como resultados da presente pesquisa, temos a possibilidade de visualizarmos as especificidades da violência de gênero em uma região de fronteira, refletindo como esse imaginário social produz práticas e discursos singulares acerca dessa problemática, além da possibilidade de compreendemos a construção do feminino e do masculino nesse espaço.




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* Da Veiga Silva
Fundação Universidade Federal da Grande Dourados. Faculdade de Ciências Humanas. Universidade Federal da Grande Dourados - FCH/UFGD. Dourados-MS, Brasil