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Resumen de ponencia
O Partido Democrático do Paraná e a contestação às oligarquias (1927- 1930)

*Natália Cristina Granato



Este trabalho objetiva debater as principais propostas do Partido Democrático, organização política que surgiu no ano de 1926 no estado de São Paulo, Brasil. Tal agremiação se espalhou posteriormente por outros estados da federação no contexto da Primeira República ou “República Velha” (1889-1930). Este período ficou marcado pelo domínio político e econômico exclusivo de oligarquias dominantes nos estados, impossibilitando a participação democrática de amplos setores da sociedade, através do jogo político regional, familismo, fraudes eleitorais e restrições do direito ao voto para a maioria da população brasileira. No presente trabalho, nos deteremos na análise da seção do estado do Paraná, fundada no ano de 1927. Tal organização fazia parte de um plantel de movimentos sociais anti oligárquicos que se intensificaram na década de 1920, que foi caracterizada pelos primeiros passos da urbanização e industrialização, trazendo consigo as inquietações se segmentos sociais como os operários, os comerciários, os profissionais liberais, entre outros. Tais agrupamentos sociais se organizaram em sindicatos, partidos e outras organizações de protesto social como o movimento que ficou conhecido como “Tenentismo” para lutar contra o sistema político e social oligárquico. Nesse contexto, surge o Partido Democrático, uma dissidência dos grupos estaduais oligárquicos hegemônicos, que se auto intitulava como uma organização que defendia os interesses de amplos setores sociais, clamando em prol dos anseios da indústria, do comércio, da classe média e da classe trabalhadora. Identificaremos quais eram as suas críticas ao sistema político oligárquico e as propostas “democráticas” do partido. Investigaremos qual foi a postura tomada pela agremiação na Revolução de 1930, buscando pontos de rupturas e continuidades em relação ao sistema político anterior. Para isso, analisaremos prosopograficamente os perfis dos membros de sua diretoria, coletaremos informações nos periódicos “Diário da Tarde” e “O Dia”, tais como manifestos, atuação política nas eleições, posicionamentos de seus dirigentes, entre outros dados empíricos, objetivando averiguar qual era o sentido da democracia para esta instituição política e alguns dos seus dirigentes. Prosopografia ou biografia coletiva, segundo Lawrence Stone, é uma técnica que investiga características comuns de um grupo de atores através de um estudo coletivo de suas trajetórias de vida. Coletaremos variáveis biográficas como nome, filiação, local de nascimento, cargos políticos ocupados, profissão e partido político de origem dos agentes que faziam parte da direção do Partido Democrático do Paraná. Nosso referencial teórico embasa-se nos estudos de Pierre Bourdieu a respeito do “campo” político permeado de disputas e conflitos. Entendemos os dirigentes do Partido Democrático do Paraná como agentes dotados de determinados habitus. Tal conceito corresponde ao mundo social incorporado pelos indivíduos através da socialização, tornando as práticas e representações dos indivíduos que compartilham habitus parecidos regradas e regulares. Segundo Bourdieu, o habitus varia segundo a posição que os agentes ocupam em determinado espaço do mundo social. Os espaços sociais são denominados por Bourdieu de campos. Cada campo possui diferentes espécies de capital, como o econômico, o político, o cultural, o social, o simbólico, entre outros. Os campos possuem relativa autonomia entre eles, articulando-os entre si. As diferentes espécies de capitais das quais os agentes são portadores são decisivos para localizar a posição que determinado agente ocupa no campo político. Pensando a política paranaense no contexto pré-Revolução de 1930 a partir das indagações teóricas de Pierre Bourdieu, nos deparamos com os agentes do campo político integrantes de organizações político-partidárias que participaram dos acontecimentos anti-oligárquicos, dotados de determinados habitus. Concentraremos nossas atenções na análise dos atributos e heranças sociais destes agentes, relacionando-a com suas práticas no “jogo político” no qual os mesmos estavam inseridos. Nos debruçaremos sobre a atuação destes dirigentes e seus grupos familiares na Revolução de 1930, verificando se tal acontecimento político potencializou os capitais destas oligarquias não-hegemônicas que estavam insatisfeitas com o jogo político característico da República Velha. Boa parte da literatura sobre a Revolução de 1930 no Brasil caracteriza este processo como “modernização conservadora”. O conceito de Barrington Moore Junior é aplicado ao caso brasileiro para a explicitação de que não houve uma “Revolução” no estilo clássico do termo e sim uma ruptura de estilo conservador. A burguesia brasileira e os interesses urbanos e industriais não conseguem impor totalmente frente às antigas classes dominantes, como é o caso das oligarquias rurais. Refletiremos sobre este fenômeno tendo como referencial a literatura especializada do período que discorre sobre o Estado, os partidos políticos e as formas de participação política no Brasil, com foco na reflexão sobre a democracia e seus desafios de efetivação.




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* Granato
Universidade Federal do Paraná - Programa de Pós-graduação em Sociologia - UFPR/PPGSOCIO. Curitiba, Brasil