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Resumen de ponencia
Mulher, Tecnologia e Política – O uso do Live Streamning pelas vereadoras feministas e socialistas

*Cláudia Pereira Ferraz




Mulher, Tecnologia e Política – O uso do Live Streamning pelas vereadoras feministas e socialistas

Este estudo é parte da tese de doutoramento em andamento, sobre Mulheres, Tecnologia e Política. Nesta temática, através da pesquisa desenvolvida até o momento, observa-se que a cultura tecnológica e política não se construiu com a participação efetiva das mulheres. Tal fato social e histórico, carrega a concepção tradicional – patriarcal dos conceitos relacionados à tecnologia e política sobre as relações de poder. Wajcman (2009:p.02) lembra que estes conceitos agem juntos no imaginário social, remetendo-se às maquinas, guerra, armas, frieza e racionalidade como geradores dos termos que ligam diretamente a tecnologia e a política como atividades masculinas. São aspectos do cotidiano, cujo quais, segundo ela, se constrói a subjetividade pelas oposições binárias na constituição da cultura ocidental como: natureza e cultura ou razão e emoção. Tal fato, leva à persistência ao privilégio masculino na história da política e da tecnologia. Este diagnóstico comprova a premissa de Langhton Winner (1985), quando traz a noção da política e suas relações de poder existindo intrinsicamente aos artefatos tecnológicos. Desse modo, a política institucional e as tecnologias de comunicação se desenvolvem pela atuação masculina, criando nas palavras de Wajcman, um estereótipo cultural de mulher que é tecnicamente incompetente, ou mesmo, invisível para sua atuação na escala técnica. O processo histórico que se deu nesta perspectiva, criou uma cultura que reduziu a mulher à invisibilidade política, dada a reclusão ao ambiente doméstico e sua consequente carga de trabalho. Wajcman (1991,p.83,105) aponta que o desempenho das tecnologias criadas por homens para as mulheres à exemplo dos eletrodomésticos, vendidos como facilitadores da vida da mulher, na prática, apenas vieram à excluir a colaboração dos outros membros da família substituindo-a pelo uso das máquinas. Portanto, não foi providencial para exclui-la do ambiente doméstico, e abriu tempo para que caísse sobre ela, a responsabilidade da educação dos filhos. Neste contexto de reclusão, a autora lembra que o telefone era muitas vezes, foi o único canal de comunicação da mulher com o resto do mundo.
A partir deste fato, este artigo aponta um marco entre a tecnologia da comunicação e a mulher, quando o telefone passa a ter distintas funções entre os gêneros na cultura da comunicação no cotidiano. Pois era a partir dele, onde a mulher comumente trocava confidências e informações, diferente do homem que se atinha em ter um uso mais prático desta tecnologia de comunicação. A partir disso, este presente trabalho busca refletir tal aspecto histórico e cultural do uso do telefone entre as mulheres como propulsor da espontaneidade da mulher aos usos das recentes tecnologias de comunicação online em mídias móveis-portáteis como abertura de seu canal de diálogo com o mundo. Porém, considerando esta tecnologia de comunicação na perspectiva de atuação política, e não escapismo à reclusão da vida doméstica.
O critério de seleção do objeto de análise, se dá pela escolha de três vereadoras feministas, que atuando no poder, empregam constantemente o uso político das tecnologias de comunicação, mais especificamente o vídeo ao vivo ou live streaming pela câmera, para apresentar os pontos cruciais de suas ações em seus mandatos. Este recurso dos recentes telefones de mídias móveis, é observado aqui para desempenho político institucional das representações políticas destas jovens feministas no exercício poder. Levando diretamente para esfera pública, as informações, ações e indignações, que antes ficariam submissas ao cobrimento e desenvolvimento de conteúdo das antigas mídias. Cabe acrescentar, que a tecnologia live streaming pode enviar informações multimídia ao transferir dados em redes de conexão online. Onde se reconhece como mais popular, o live streaming do site YouTube. Posteriormente, o Facebook também começa a permitir a filmar e transmitir em tempo real em streaming. O que possibilita ao usuário da rede assistir aos vídeos transmitidos ao vivo em detrimento das técnicas de produção, edições, preparo e ensaio, como em programas gravados à contar mais com a espontaneidade, que com roteiros.
Tendo em vista que o contexto histórico da tecnologia e da política não garantiu a inserção da mulher em suas bases culturais esta proposta de apresentação de trabalho visa percorrer sobre a cultura criada entre a mulher e as mídias de comunicação como o telefone e a televisão, (onde vale lembrar os referenciais das antigas apresentadoras ou jornalistas como aspectos marcantes na presença do imaginário da geração feminina da era pré-internet) simbolizando a relevância histórica entre a mulher e as tecnologias de comunicação, que se distanciava das divas na cultura de massa.
Ao acompanhar estas atuações políticas via streaming – vídeos ao vivo vinculados nas páginas do Facebook das vereadoras do partido PSOL Sâmia Bonfin do de São Paulo, Fernanda Melchionna de Porto Alegre e Mariele Franco do Rio de Janeiro, nota-se que tais representações desempenham um trabalho ativo de ativismo, informação, denúncias e eventos por vídeos ao vivo. Para analisar os vídeos em live streaming , o trabalho de Pink e Horjth (2012:145) se apropria bastante à esta presente pesquisa, quando trata sobre as sociabilidades de co-presença marcadas pelas câmeras de celulares em mídias móveis. O que dessa maneira, ressalta os elementos sensoriais que se relacionam enquanto a câmera grava e exibe, emergindo diferentes dimensões de significados dos dados. Pela tecnologia streaming live, estas representações se apropriam desta tecnologia de comunicação, que integradas às outras, seguem ativando a prática da política feminista em oposição aos princípios tradicionais do desempenho do poder institucional-político conservador, à exemplo, das questões do aborto, gênero e descriminalização da maconha. A exposição destas atrizes sociais, emergem não como jogo de marketing ou narcisismos digitais, típicos da era das mídias móveis, e sim, pelas pontuações que estas acusam sobre os problemas sociais e políticos das realidades que as cercam.









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* Pereira Ferraz
Pontifícia Universidade Catolica de Sao Paulo PUC/SP. Säo Paulo, Brasil