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Resumen de ponencia
ESCOLA EXPANDIDA: POR UMA JUSTIÇA COGNITIVA DIGITAL E PERSPECTIVAS PARA “OUTROS SUJEITOS”

*Claudia Hardagh



O contexto da sociedade pós-moderna tendo como foco a educação formal e as relações entre escola e “outros sujeitos” tais como, refugiados e imigrantes que estão nas escolas são aqui apresentados como nossos sujeitos pesquisa. Vamos analisar essa realidade trazendo autores como Arroyo, Santos, Bourdieu e Di Felice para propor a Escola Expandida como rede colaborativa digital para a ecologização da escola: currículo, pedagogias, expansão e hibridização dos espaços e das linguagens. Não temos a pretensão de fechar com propostas e modelos prontos, pois são questões novas de uma sociedade líquida em constante metamorfose e que tem que pensar como uma escola com características semelhantes ou coerentes à pós-modernidade e com perspectivas de entender e criar vínculos com essas crianças e jovens. A área da educação é atingida por esse fenômeno que sem preparo para acolher crianças e jovens de lugares e culturas que não imaginávamos ter contato antes e, com isso, acabam por engrossar o número de “outros sujeitos”, denominado por Arroyo (2012) como “invisíveis ou inferiorizados dentro da escola”, que são índios, camponeses, quilombolas, filhos de migrantes nordestinos e agora os refugiados políticos, ambientais e econômicos. Criar redes colaborativas como expansão da escola pode ser uma forma de organizar, disseminar as experiências e saberes destes “outros sujeitos” que habitam a escola e torná-los visíveis dentro e fora da escola. A construção de redes criam condições para as trocas de experiência social e para ecologizar os saberes, sabres escolares, científicos e saberes populares. Com isso podemos tornar visíveis os sujeitos e movimentos alternativos para que ocorra a ruptura da hierarquia de saberes, valorizar a participação e a diversidade cultural dos “outros sujeitos”.
A escola abriga em seu território as crianças e jovens, mas não se constitui em espaço de vida, digo de “proteção da vida” (Arroyo, 2012, p.252), a citação atinge profundamente o profissional da educação, pesquisador e professor, que estão em contato com esse “abrigo”- escola – desprotegido e vulnerável para abraçar a diversidade de realidades.
Os estudos de Bourdieu (2009) acentuaram que a origem social dos alunos leva às desigualdades escolares e, mais ainda, que as desigualdades escolares reproduzem o sistema objetivo de posições e de dominação, desmascara a crença de que a escola oportuniza condições equânimes de inserção cultural, social e econômica na sociedade pós-moderna.
As oportunidades equânimes na sociedade pós-moderna passa pelo acesso ao ciberespaço, pelos multiletramentos, pela valorização das experiências, culturas e saberes de todos aqueles que compõe a escola e são provenientes de diversos lugares do mundo. A colaboração em rede que auxilia a religar saberes, disponibilizá-los ao coletivo dentro e fora da escola para que os saberes escolares, científicos com professores e pesquisadores dialoguem e entendam quais as perspectivas de vida a rede coloca na escola expandida para a sociedade real, com diversidade cultural de gênero, religiosa e social, com seus conflitos ideológicos que os jovens devem entender, refletir e conviver. Expandir a escola territorialmente leva a se pensar a cidade como espaço aprendente, todos aprendem com todos, pois a rede não tem hierarquia, têm nós de ligação por interesses e afinidades afetivas, culturais e de vida.

Pensar nas pedagogias e saberes pelo olhar do caleidoscópio nos inspira a ter essas possibilidades também como professor e aluno. Criar formas de acolher “outros sujeitos” que passam a fazer parte de nossa sociedade como cidadãos e com direitos à escolarização e ter perspectivas para realizar seus projetos de vida, no entanto a escola precisa ser desterritorializada e reterritorializada para se expandir e ser redesenhada em seu currículo, pedagogias e formas de trabalho. As formas são infindáveis e depende de como cada um contribui para mudar o foco, compor o material e do olhar individual – saberes e experiências.






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* Hardagh
Universidade Presbiteriana Mackenzie UPM. São Paulo, Brasil