Uma das ações governamentais instituída no país, e mola propulsora na proposição de Políticas Públicas Sociais, e de inovação implementada como uma das alternativas no combate a pobreza e desigualdades, vêm acontecendo mediante a transferência de renda as pessoas em situações de vulnerabilidade, ou seja, mediante o Programa Bolsa Família (PBF). As ações governamentais estão presentes em todo contexto Territorial e vem de longa data, no entanto, estas estão sendo aprimoradas em especial na última década, a exemplo do referido programa, que na atualidade está sendo analisado e avaliado. O Programa Bolsa Família é uma iniciativa do governo Brasileiro criado no ano de 2003, a partir da união de quatro outros programas governamentais. O foco principal consiste na transferência direta de renda que beneficia famílias tanto em situação de pobreza e de extrema pobreza no País. O proposito é minimizar as consequências sofridas pela população em situação de vulnerabilidade social e econômica. As principais características do Programa é o foco na família e compromisso de contribuir para a quebra do ciclo intergeracional da pobreza; responsabilidades compartilhadas pelas instâncias governamentais entre os níveis Federal, Estadual e Municipal; concessão de benefícios feita de maneira automática e impessoal, com base na informação do Cadastro Único para Programas Sociais; benefícios pagos diretamente à família, por meio do sistema bancário com a participação e controle social. Sintetizando: As três dimensões do Programa são: alívio imediato da pobreza; acesso aos direitos nas áreas de educação, saúde e assistência social, contribuindo para quebrar o ciclo intergeracional de pobreza; melhor inserção social e mais oportunidades para as famílias beneficiárias. Este estudo tem como objetivo analisar a dinâmica e a funcionalidade do Programa Bolsa Família junto a gestores de um município, verificando a existência de iniciativas e potencialidades que possam gerar emprego e renda para os benificiários do Programa. Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva, em andamento, que teve inicio em outubro de 2017. Os atores sociais são gestores envolvidos no processo de aplicabilidade do Programa no município de São Valério do Sul/RS-Brasil. As aproximações com este território ocorrem através de um programa de pesquisa – ação, que vem sendo desenvolvido em parceria entre a Universidade Federal de Santa Maria – UFSM/BRASIL e o referido município, a partir do ano de 2016. Este possui uma área de 115,84 km², e uma população composta por 2.647 habitantes. Deste total, 510 pessoas residem na área urbana, e 2.137 na área rural. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,642, e aproximadamente 243 famílias são beneficiarias do Programa. Neste contexto, e na intenção de contribuir com as populações de seu espaço geográfico de atuação, principalmente os estratos sociais em situação de vulnerabilidade econômico e social, a Universidade busca parcerias visando diminuir as assimetrias regionais, visando o desenvolvimento regional sustentável, além de comtemplar um dos tripé de sustentação da instituição. Destaca-se que no município ha presença de uma Terra Indígena habitada por índios da etnia Kaingang. Os resultados da pesquisa visam contribuir para a identificação da realidade local, em comparação aos dados nacionais, levantando um panorama referente à gestão pública social municipal, que possibilite a construção de proposições facilitadoras da autonomia financeira dos atores sociais beneficiados. Considerando que o PBF visa atender a emergências das pessoas em condições de vulnerabilidade social, principalmente nos fatores fisiológicos e com destaque para a alimentação, entende-se que, além do aporte financeiro a essa população, outros instrumentos devem ser propostos e executados para que as condições de inclusão sejam melhoradas e facilitadas, na perspectiva que a autonomia dos sujeitos sociais seja possível e ou resgatada. Destaca-se a relevância do Programa Social e com isso a importância de ampliar as informações sobre o mesmo, e analisá-lo na perspectiva de gestores e atores sociais, para compreender se este modelo, baseado na transferência direta de renda para as famílias em situação de vulnerabilidade, possa constituir em um importante mecanismo de emancipação das famílias e coletividades.