Vinculada a CLACSO - Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales e ao GT Juventud e Infancia: prácticas políticas y culturales, memorias y desigualdades en el escenario contemporáneo (2016-2019) e ao Grupo de Pesquisa CNPq Imagens, Metrópoles e Culturas Juvenis (certificado no Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. SP. Brasil), a pesquisa propõe dois eixos norteadores para a investigação: 1) Análise crítica de políticas públicas voltadas para a(s) juventude(s), no Brasil, entre 2003 e 2015 . 2) Análise das alternativas de recepção, apropriação e uso, por jovens beneficiários de algumas das políticas selecionadas na etapa anterior.
Tem por objetivo a compreensão sobre as formas pelas quais as políticas públicas estão conectadas, ou não, à vida cotidiana e às ações culturais, políticas e comunicacionais protagonizadas por jovens, na cidade de São Paulo. Propõe a avaliação das relações entre cultura e política e a forma pela qual a cultura se manifesta, ora como elemento de mediação das práticas políticas, ora se caracteriza, ela mesma, como ação política em si.
A concepção de juventude – jovens plurais, em suas múltiplas singularidades e contextualizados historicamente – é tratada de forma qualificada ao considerar diversas dimensionalidades, tais como condições de classe – jovens/ coletivos juvenis situados nas regiões periféricas da metrópole paulistana –, articuladas, em particular, à etnia, ao gênero e à condição de migrante ou refugiado.
Do ponto de vista teórico conceitual, o diálogo se fundamenta nos os Estudos Culturais britânicos (marxismo cultural britânico) e suas ressonâncias no Brasil e na América Latina.
A metodologia integra pesquisa quantitativa e qualitativa, baseada em perspectiva multidisciplinar entre os campos da Antropologia, Sociologia, História e Comunicação e considera as narrativas juvenis como lugar metodológico privilegiado. Nota-se como base epistemológica desta proposta a preocupação em conectar áreas de conhecimento também pela via de experiências metodológicas comuns e práticas de pesquisa que tentam superar suas origens disciplinares para responder a desafios de compreensão das temáticas e objetos situados nas fronteiras de diferentes paradigmas teóricos e metodológicos e em campos particulares do saber (Borelli, Rocha, Oliveira, 2009: 16).
Tais estratégias levam em conta dados quantitativos (pesquisas já realizadas, estatísticas oficiais), mas privilegiam a análise qualitativa e a crítica cultural por meio da observação da cotidianidade, a apreensão de narrativas e relatos de diversas ordens, produzidos e apropriados por jovens urbanos, dispondo de ferramentas conceituais e de estratégias metodológicas adequadas. Esta investigação prioriza o acesso aos relatos, às vivências e às representações que os jovens fazem de sua realidade. Trata-se de compartilhar e interagir com os jovens em seus próprios contextos culturais cotidianos – “lugares meus” – e em situações especialmente organizadas para coleta de informações:
Estes “lugares meus” revelam a ação empreendida na transformação da cidade em um lugar reconhecido como seu, em estratégias simbólicas e corporais de “mobiliamento” do espaço urbano, de ocupação de seus territórios e de impressão, na temporalidade metropolitana, de uma experiência temporal tipicamente juvenil. É ainda nestes campos de encontro que os jovens também se desencontram e se enfrentam, entre si e também com aqueles que julgam diferentes, sejam outros jovens, os adultos ou, em alguns casos, a própria cidade de São Paulo. (Borelli, Rocha, Oliveira, 2009: 17)
Ressalta-se que, em qualquer situação, investigadores e investigados se afetam mutuamente. Para tanto, faz-se necessário combinar várias modalidades de técnicas de pesquisa, tanto quantitativas como qualitativas: questionários, entrevistas individuais estruturadas, observação etnográfica, histórias de vida cultural e procedimentos que possibilitem a compreensão das lógicas contidas nas narrativas juvenis. Ressalta-se que os relatos dos jovens são, para esta pesquisa, um lugar epistemológico e metodológico privilegiado para observar suas representações e formas de socialização, numa etnografia dos usos que investiga os movimentos de ruptura e continuidade, de enraizamento e deslocamento. Tal empreendimnto metodológico justifica, sem dúvida, a participação de um conjunto multidisciplinar de especialistas que debaterão essa estratégia e contribuirão com resultados concretos para a operacionalização do projeto.
O protocolo metodológico dialoga, ainda, com as condições de inclusão/ exclusão relacionadas a classe social, a etnia, ao gênero e a processos de migração, entre outras categorias e abordagens que tomaram forma, corpo e relevância ao longo do processo de investigação realizado.