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Resumen de ponencia
A RUA E OS SERVIÇOS DA ASSISTÊNCIA SOCIAL NA PERSPECTIVA DAS PESSOAS QUE VIVEM NAS RUAS, COMO LUGARES E NÃO-LUGARES, NO MUNICÍPIO DE SANTOS-SP

*Juliana Vilar Da Nóbrega Laffront



O presente resumo é resultado de uma Iniciação Científica que teve como agência de fomento o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), desenvolvida entre 2014 e 2015, durante minha graduação em Serviço Social pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, sob orientação da Professora Doutora Sônia Regina Nozabielli.
A pesquisa teve início a partir da minha experiência de trabalho no “Serviço Especializado em Abordagem Social” às pessoas que vivem nas ruas, que integra a Coordenação de Atenção Social à População em Situação de Rua (COPROS-POP), inserida no Departamento de Proteção Especial (DEPROS-E) da Secretaria de Assistência Social (agora Secretaria de Desenvolvimento Social) do município de Santos. Ao mesmo tempo, leituras na universidade me fizeram repensar essa realidade. O texto sobre Não-Lugares do antropólogo Marc Augé diz que a rua é um Não-Lugar e as instituições são Lugares, porém, como se daria essa interpretação considerando quem vive na rua? Para eles a rua é um Não-Lugar? Poderiam as instituições, como acolhimentos e abrigos, serem Não-Lugares? Como estudante de serviço social acredito ser importante esta discussão, pois sendo esse fenômeno uma expressão radical da questão social ele traz em si numerosas violações de direitos, sendo assim uma temática fundamental. Analisando o fenômeno no contexto da sociedade capitalista procuramos ouvir a perspectiva de pessoas que vivem nas ruas, dando a elas voz através de entrevistas semiestruturadas.
A partir das informações compreendidas das entrevistas e a relação desse processo com os textos lidos, entendemos que a hipótese do projeto desta iniciação científica foi confirmada, pois a rua mostrou-se como um Lugar, verdadeiramente abarcador de significados e sentido para quem nela habita e os acolhimentos de forma diametralmente oposta, constituem-se como Não-Lugares.
Percebemos ao longo da pesquisa que a relação tempo e espaço é fundamental para a significação de Lugares. Quanto mais tempo uma pessoa viver na rua mais a rua se tornará um Lugar e assim os espaços institucionais, como os abrigos e acolhimentos, constituir-se-ão na mesma relação tempo e espaço como Não-Lugares.
Entendemos que essa análise é fundamental no trabalho junto a esse público, pois somente compreendendo a realidade em que eles vivem, as relações que estabelecem na/com a rua e os caminhos criados para sobrevivência é que se pode ter um trabalho profissional na perspectiva de garantia direitos e que tenha como norte a emancipação humana. As entrevistas trouxeram elementos muito importantes para o entendimento das condições de vida das pessoas que vivem nas ruas e do modo como significam Lugares e Não-Lugares. Acreditamos que não seria possível a realização desse estudo se não se desse voz às pessoas que vivem em seus cotidianos essas questões. Colocar-se à escuta, dar voz às pessoas que vivem nas ruas é fundamental para buscar processos de trabalho garantidores dos direitos sociais e humanos, sendo esse um compromisso inalienável à nossa profissão.
Esta iniciação científica foi fundamental em minha formação acadêmica e o fato desse processo estar aliado à minha atuação profissional na Política de Assistência Social permitiu que eu pudesse amadurecer vários aspectos de minha práxis. Portanto, nesta oportunidade evidencio o quanto é importante a pesquisa científica, tanto para o estudante quanto para o trabalhador.
Uma das questões interessantes a serem observadas no processo dessa iniciação científica evidencia-se na própria forma de conceituar o fenômeno. No título do projeto de iniciação científica, chamamos “pessoas em situação de rua”, que é a forma que costumo ouvir no trabalho e que já está diferenciada da própria política nacional, que traz “população em situação de rua” como denominação. Durante o desenvolvimento da pesquisa, coloquei-me a repensar essa conceituação e a criticá-la. Em meu trabalho de conclusão de curso, dedico todo um capítulo para refletir sobre a conceituação desse fenômeno e agora, entendendo como o processo de pesquisa é dialético e as mudanças de entendimento da realidade que a práxis proporciona, encerro este relatório de iniciação científica permitindo-me adequar seu próprio nome: Pessoas que Vivem nas Ruas: Uma Perspectiva de Lugares e Não-Lugares em Santos (Gens qui Vivent dans les Rues: Une Perspective de Lieux et Non-Lieux à Santos).





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* Vilar Da Nóbrega Laffront
Universidade Federal de São Paulo UNIFESP. Santos, Brasil