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Resumen de ponencia
FORMAÇÃO DE PROFESSORES, GÊNERO, SEXUALIDADE E DIVERSIDADE: QUESTÕES E EXPERIÊNCIAS EM TEMPOS DE GLOBALIZAÇÃO

*Cláudia Araújo De Lima



O espaço acadêmico na área da educação favorece o desenvolvimento de conteúdos que podem contribuir para a formação de professores e o incremento de habilidades para uma atuação profissional equilibrada e aberta à convivência em sociedade, envolvendo temas e questões relacionadas aos gêneros, sexualidades, cultura e comportamentos não discriminatórios na escola. O modelo heteronormativo de educação e formação de professores, visto por muito tempo como única forma de entender o mundo, passa hoje pelo processo de modernização imposta pela sociedade e seus novos-velhos discursos de respeito e dignidade. Disciplinas que apresentem e discutam tais teorias distribuídas em aulas, oficinas, seminários, se apresentam como conquista histórica no cenário das instituições de ensino superior na atualidade brasileira. O pacote de assuntos “tabus”, considerados necessários para o cumprimento dos dispositivos legais e do projeto político pedagógico no curso de graduação em pedagogia, tem com potencialidade, apoiar a elucidação de dúvidas, acrescentar conhecimentos e qualificar futuros profissionais. Os conceitos e pré-conceitos adquiridos na perspectiva sócio histórica dos indivíduos, sejam discentes ou docentes, apontam teses emblemáticas para o aprofundamento de estudos. Os temas provocam um compreensível incomodo para discentes e docentes habituados aos conteúdos estruturantes, aos protocolos de como ensinar e as orientações técnicas pertinentes e importantes para o processo de formação professoral. Autores modernos promovem um debate conexo com as pedagogias, quando afirmam que socialmente foi desenvolvido ao longo do tempo, determinações culturais para comportamento das pessoas, de acordo com as conveniências e os momentos históricos, sendo que as elaborações dessas condutas, surgiram de espaços reconhecidos como determinantes, tais como a família, a religião, da saúde e da justiça. Nessa perspectiva, vindo ao encontro do que podemos compreender como evolução da educação transformadora, que torna-se imprescindível compreender os movimentos humanos entre os gêneros e a sexualidade, para que faça sentido o ato de educar. Os temas gênero, sexualidade e diversidade na formação de professores, enfrentam uma dúbia realidade na universidade. Como disciplina que discute tais questões, apresenta procura seja pelo interesse do aluno ou necessidade de cumprimento de créditos. No rol da formação de professores, e introduzida na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no Campus do Pantanal, iniciada em 2014, enfrentava dificuldades de ser entendida como área do conhecimento, adequação à modernidade temporal ou ainda desenvolvimento de habilidades profissionais para lidar com a vida real nas salas de aula e nas relações interpessoais. Uma experiência curiosa e rica vem desvelando tais assuntos no curso de pedagogia, envolvendo a triangulação de metodologias ativas em educação e novos estilos de ensino e aprendizagem, para que o pensamento heteronormativo introjetado ao longo dos séculos, como única forma de entender o mundo, seja desmobilizado e refeito pelos professores do presente e do futuro. Compreender o mundo globalizado, onde estão expressas masculinidades e feminilidades de variadas naturezas desde a infância, e, sendo a escola espaço das representações sociais, há que se aprofundar o conhecimento dos futuros docentes, fomentando um debate que evolua e qualifique o desenvolvimento humano. Esse relato de experiência discorre como vem sendo trabalhada e compreendida a nova capacidade intelectual e habilidade profissional para tratar assuntos da vida real nas salas de aula, seja nas escolas públicas ou privadas, e como o desenvolvimento de metodologias ativas de ensino e aprendizagem, apoiam a reorganização do pensamento para que seja desmobilizado e refeito pelos docentes do presente, aqueles que atuam na academia, bem como os futuros docentes, que vão para atuar na escola para crianças e adolescentes. Esse desejo formativo, materializado em conteúdo curricular para uma disciplina optativa com ementa como qualquer outra no curso de Pedagogia, traz para a academia a aplicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação e pela Resolução CNE/CP n.º 01, de 15 de maio de 2016, prevê no seu Art. 5º, que o egresso do curso de Pedagogia deverá estar apto a: X - Demonstrar consciência da diversidade, respeitando as diferenças de natureza ambiental-ecológica, étnico-racial, de gêneros, faixas geracionais, classes sociais, religiões, necessidades especiais, escolhas sexuais, entre outras. O diferencial são os temas da ementa, as triangulações metodológicas para a aplicação das teorias e das atividades de forma ativas, por intermédio de aulas expositivas dialogadas, minuciosa seleção de artigos, livros, apresentação de pesquisas, dados, casos, documentários, filmes, leituras e debates orientados, evoluindo no contexto de aplicabilidade de tecnologias leves da educação, para o desenvolvimento da disciplina Educação, gênero e diversidade cultural, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS, no Campus do Pantanal, que fica no município de Corumbá, em região de fronteira com a Bolívia, no interior da Região Centro-Oeste do Brasil, demonstrando que a globalização, a informação e novos modos de compreensão sobre o outro no mundo, nos espaços públicos e privados, se apresentam para serem trabalhados em todas as etapas da educação formal e não formal, compreendendo assim, um novo momento para a formação de professores.




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* Araújo De Lima
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS. Corumbá, Brasil