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Resumen de ponencia
As relações entre Cuba e EUA na era Trump: um retorno a Guerra Fria?

*Marcos Antonio Da Silva



O presente trabalho procura analisar a dinâmica das relações entre Cuba e os EUA desde sua retomada, na administração de Barack Obama, até o momento atual, na gestão de D. Trump, procurando indicar que este tem promovido uma revisão das políticas e acordos inicias que promoveram a retomada dos laços diplomáticos e impulsionado a lógica de conflito, que predominou na Guerra Fria, procurando influenciar a dinâmica política interna cubana.
Para tanto, procura discutir o processo de retomada dos laços diplomáticos, anunciada em 2014, considerando as motivações e a construção de uma agenda comum para o aprofundamento de tais laços, que propiciaram avanços significativos como a abertura de embaixadas, o estabelecimento de uma agenda de negociação, a suspensão de programas secretos e uma maior interação comercial, de cooperação técnica e científica e o incremento do turismo.
Neste sentido, vale destacar que, no caso norte-americano, a administração de B. Obama procurou enfatizar uma gestão de política interna e externa distinta do antecessor e, com maior intensidade em seu segundo mandato, promoveu inovações na inserção internacional e regional do país e no tratamento das questões globais e regionais, embora de forma branda, procurando se diferenciar das gestões anteriores. Desta forma, a retomada dos laços pode ser compreendida como parte de um processo mais amplo, ancorada na proximidade do fim do mandato presidencial, de ações internas e externas que pudessem contribuir para um legado presidencial distinto, além da constatação de sua ineficácia.
Tal retomada e estas ações iniciais provocaram, apesar das inúmeras incertezas que cercavam este processo complexo, uma relativa euforia, e teve como um de seus momentos fundamentais a visita de B. Obama à Havana, em 2017, a primeira desde a Revolução Cubana, e um conjunto de medidas anunciadas como demonstração da superação da lógica da Guerra Fria, que deveriam contribuir para uma efetiva normalização.
De toda forma, apesar das expectativas e dos avanços iniciais, na gestão Obama, as relações entre Cuba e EUA ainda enfrentam uma longa e ardorosa negociação, considerando as demandas de cada parte para que se estabeleça uma efetiva normalização. Neste sentido, coincidimos com Morgenfeld ao apontar, ainda na gestão Obama, que: “(…) Esto muestra que las negociaciones entre los gobiernos de Washington y La Habana serán más largas y complejas que lo que muchos pronosticaron en diciembre pasado” (MORGENFELD, 2014, p. 135).
Sendo assim, a eleição de D. Trump, em 2016, representou um significativo revés para tal processo e suas ações posteriores vieram corroborar os temores de um recrusdecimento. Dentro de sua política geral, de redefinição dos interesses norte-americanos para o mundo e para a América Latina, em que retoma uma perspectiva hegemônica fundada na suposta superioridade e no poderio militar e economico, Trump tem promovido uma desaceleração do processo de aproximação e revisto uma série de medidas adotadas pela administração anterior, retomando a lógica conflitiva da Guerra Fria.
Desta forma, tem enfatizado que a continuidade do processo está condicionada a mudanças no regime cubano e promoveu, em 2017, um discurso raivoso perante a comunidade cubana exilada em Miami e, principalmente, adotou uma série de medidas que tem dificultado o aprofundamento da normalização das relações.
Dentre estas medidas estão a retomada e o endurecimento do embargo norte-americana, procurando atingir o principal grupo econômico cubano (a GAESA), o aumento das restrições para viagens e envio de remessas à ilha, ampliação de condições para a cooperação acadêmica e científica, diminuição de funcionários diplomáticos, com uma acusação desproporcional, e o condicionamento para a continuidade de tal processo mudanças internas em Cuba. Além disto, tem ignorado o processo de transição política, com a emergência de uma liderança governamental confirmada em abril de 2018, e de reformas econômicas, que tem promovido ajustes na economia cubana.
Em suma, este trabalho discute a retomada da lógica conflituosa da Guerra Fria, na gestão Trump, e as perspectivas para a normalização das relações entre Cuba e EUA, procurando compreendê-las sob a dinâmica das redefinições das relações globais e regionais.




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* Silva
Fundação Universidade Federal da Grande Dourados. Faculdade de Ciências Humanas. Universidade Federal da Grande Dourados - FCH/UFGD. Dourados-MS, Brasil