Print Friendly and PDF



Resumen de ponencia
Trabalhando com adolescentes e jovens numa perspectiva interseccional - contribuições das metodologias participativas

*Natércia Ventura Bambirra
*Raíssa Jeanine Nothaft
*Teresa Kleba Lisboa



Esta Ponencia apresenta os resultados de uma pesquisa participante realizada com adolescentes e jovens que frequentam o Centro Cultural Escrava Anastácia (CCEA), em Florianópolis/SC, sobre os significados atribuídos as temáticas “Construindo o Corpo”, “Relações de Gênero, Raça/Etnia” e “Sexualidade”. As metodologias participativas são compreendidas como um conjunto de ações interativas, cujo percurso do trabalho envolveu uma equipe interdisciplinar de docentes, estudantes de pós-graduação e graduação, profissionais, gestores e usuários/as do CCEA. O CCEA é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que trabalha na defesa dos direitos fundamentais de populações em vulnerabilidade socioeconômica atuando em rede. Um dos principais objetivos do CCEA é atuar com adolescentes e jovens no contraturno da Escola, ou seja, com os que não frequentam a escola, majoritariamente provenientes de comunidades empobrecidas, e que convivem diariamente com a dinâmica que envolve o tráfico de drogas. Muitos são procedentes de famílias monoparentais, ou porque o pai abandonou a família, ou está preso, ou porque já morreu (geralmente assassinado) em decorrência do tráfico. Atualmente, o CCEA oferece três programas que preveem a formação de adolescentes e jovens: 1. Procurando Caminho: Atende adolescentes e jovens de 10 a 21 anos, envolvidos com a criminalidade e o narcotráfico, na superação do estado de vulnerabilidade e risco social, proporcionando o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, por meio da arte-cultura e esporte-lazer. 2. Rito de Passagem: Atende adolescentes a partir dos 14 anos, investindo-se em formação humana e cidadã preparando os jovens para o mundo do trabalho. 3. Jovem Aprendiz: Atende adolescentes, também a partir dos 14 anos, pré-qualificados no Rito de Passagem, visando a qualificação profissional e a inserção laboral efetiva. Mobiliza e encaminha adolescentes para cursos de capacitação profissional e os insere no mundo do trabalho através do Programa de Aprendizagem (Lei Nº 10.097/2000). Foram realizadas Oficinas Pedagógicas com os adolescentes e jovens, ao longo de três semestres (2016 e 2017), através da qual, a equipe integrante do NUSSERGE, na sua maioria Assistentes Sociais, buscou: a) ampliar a importância do debate sobre corpo, sexualidade, relações de gênero e discriminação racial com adolescentes e jovens; b) incentivar a construção de uma cultura que possa romper com as discriminações e violências de gênero, raça/etnia, orientação sexual entre outras; c) sinalizar a importância desta temática para o Serviço Social, visando a atuação junto as mais diversas políticas públicas, principalmente as destinadas a adolescentes e jovens. O Projeto desenvolvido junto ao CCEA possibilitou afirmar o papel da/os pesquisadores participativos, tendo como pressupostos: a) uma relação dialógica entre sujeitos – respeitando e escutando os adolescentes e jovens em suas principais demandas. b) uma estratégia que trouxe a tona elementos importantes do cotidiano desses adolescentes e jovens, para a análise e possíveis processos de encaminhamento para intervenção profissional. As metodologias participativas oportunizaram: o uso de estratégias capazes de estreitar relações no processo ensino-aprendizagem; a incorporação dos saberes relacionados às questões de gênero e raça/etnia pelo CCEA, na prestação dos serviços aos adolescentes e jovens de forma participativa e lúdica. Considera-se fundamental, para o campo da pesquisa participante, a compreensão de que o que é experimentado, produzido e agenciado na prática das Oficinas, com diferentes maneiras de olhar e ouvir, resulta em “dados”, “realidades”, “subjetividades” que contribuem para o próximo passo que é o fazer profissional. Ou seja, os “dados” que emergem das Oficinas, além de poderem ser analisados, sob a perspectiva dinâmica da construção do conhecimento, também inferem encaminhamentos para ações propositivas em relação às demandas dos adolescentes e jovens participantes. Durante nossa Ponencia Grupal, pretendemos realizar uma Oficina utilizando a Metodologia Participativa com as pessoas que participarão da nossa apresentação, possibilitando que as mesmas passem por uma experiência de vivência e compartilhamento de saberes.




......................

* Bambirra
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Florianópolis, Brasil

* Nothaft
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Florianópolis, Brasil

* Lisboa
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Florianópolis, Brasil