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Resumen de ponencia
Juventude e Educação

*José De Oliveira Junior



Para Gonçalves (2005, p. 206), “O interesse pela juventude desponta de tempos em tempos” e, nos anos de 1920, um grupo de estudiosos da Universidade de Chicago investigou a razão da comoção gerada pela turbulência social na cidade de Chicago, nos EUA. Nesse momento da história do pensamento social toda uma geração de jovens italianos, judeus, irlandeses e afro-americanos tornaram-se objeto de estudo da sociologia norte-americana.
A Escola de Chicago, como ficou conhecido o grupo de estudiosos que se debruçou sobre as implicações decorrentes da violência na cidade de mesmo nome, e as ciências sociais que ali foram desenvolvidas privilegiaram o exame da juventude sob a ótica do negativismo. O funcionalismo dos anos de 1920 vinculava juventude com criminalidade e até os dias atuais essa concepção possui força de representação.
A cultura juvenil passa a ser expandida e ampliada, após a I Grande Guerra, quando precisávamos nos reconstruir. Nesse sentido, falar do novo, do jovem, passou a compor a pauta geral da ordem das coisas. A geração que passa por um pós-guerra não compactua mais com o ideal racional imposto nos começos da Modernidade, o que se busca com o fim dos acontecimentos nefastos provocados pela guerra é uma liberdade maior e respeito às individualidades. Isso porque a passagem do mundo clássico para o mundo moderno é marcada pela ruptura com as tradições do passado.
A juventude corresponde a uma etapa da vida do ser humano que vai da infância à fase adulta. Costuma-se delimitá-la dos 15 aos 29 anos de idade para a construção de conceitos dentro de uma categoria essencialmente sociológica (WEISHEIMER, 2009).
O Brasil tem 20% de sua população na faixa etária entre 15 e 24 anos, são 34 milhões de pessoas. De acordo com o Censo de 2010, sobre os dados referentes à população residente, no Brasil existem aproximadamente 16.990.872 habitantes na faixa etária entre 15 e 19 anos. No Estado de Alagoas essa população é de 312.951, e na cidade de Maceió registram-se em torno de 83.840 habitantes considerados jovens. Tal quantitativo representa a juventude do país, do estado e do município, os quais terão uma relação direta com os diversos segmentos – econômico, cultural, social e político (ABRAMO, 2011, IBGE, 2010).
De acordo com Margulis (1996) a juventude é um período da vida do ser humano que combina maturidade biológica e imaturidade social e cultural. Com isso, não podemos e nem devemos afirmar que a juventude é uma mesma experiência vivida por todos os sujeitos nesse período, nas diversas cidades e sociedades.
Nesse sentido, a sociologia que aborda essa categoria se divide em duas perspectivas teóricas: a corrente geracional e a corrente classista. A corrente geracional preocupa-se com as questões das continuidades e descontinuidades intergeracionais, e a corrente classista volta-se para as questões concernentes às relações de classe (PAIS, 1990).
Assim, as fases da vida humana, e mais particularmente a juventude, são constituídas por meio da (re)produção da vida social e cultural.
No entendimento de Boudon (1990) a juventude configura-se como um produto da Modernidade e dos valores de autonomia, de desabrochamento e ainda de liberdade individual.
As práticas e costumes socioculturais do passado existem como lugares presentes na memória individual e na conservação de algumas formas de tradição e padronização cultural na coletividade. Um exemplo dessas formas culturais, na sociedade moderna, é a escola, como instituição que passou a ocupar um lugar central no processo de socialização, assim como na produção e reprodução de lógicas de interação entre os jovens, e que se expande para fora dela.
Na escola são depositadas três funções básicas, conforme Stecanela (2010). A primeira é a qualificação escolar; a segunda, a educativa; e a terceira, a socialização. Sendo essa última não toda a socialização do sujeito, mas, como se desenvolve numa organização escolar que possui um modelo a ser seguido, por ter sido estabelecida pelos órgãos que regulam o aprendizado de uma nação, por isso precisam seguir um conjunto de regras, exercícios, programas e relações pedagógicas que são resultados de um projeto educativo e de uma estrutura de oportunidades sociais.
O modo de socialização escolar se impôs a outros modos de socialização e com isso produziu-se uma “prática escolocêntrica”, em que se impunha a todos(as) a obediência a regras e normas estabelecidas através da relação pedagógica. “A criança e o jovem corporificam o sentido etimológico da palavra aluno, de origem latina – alumnus – significando algo que não tem luz e que precisa ser conduzido, iluminado” (STECANELA, 2010, p. 49).
Porém, atualmente observa-se que as constantes transformações e mudanças comportamentais, familiares e educacionais têm gerado ou ampliado processos de desencaixe e reencaixe de novas identidades emergentes e em crises (GIDDENS, 1991).
A vida dos jovens brasileiros está sendo alterada nos últimos anos, no quadro de mudanças que ocorrem no cenário local e global, devido às constantes crises no sistema financeiro, no desemprego estrutural, no sistema educacional, dentre outros. Estas alterações estão relacionadas com a afirmação de comportamentos que marcam a sociedade contemporânea.





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* Oliveira Junior
Universidade do Vale do Rio dos Sinos UNISINOS. São Leopoldo, Brasil