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Resumen de ponencia
Juventudes e smartphones: experiências de consumo, cidadania e empoderamento

*Luciane Viana



Vivemos em uma sociedade mediada pela tecnologia digital e, o crescente número de consumidores de smartphones e de redes sociais tende a intensificar os traços de uma cultura imbricada nas experiências de consumo do instantâneo, cuja necessidade e desejo é estar 24 horas e 7 dias por semana conectada em seu smartphone.
Para Van Dijck (2013) a cultura da conectividade é o imperativo da atual sociedade. Segundo a pesquisadora holandesa cada vez mais nossas interações humanas passam a ser mediadas pelas redes e, com o avanço do compartilhamento e circulação de informações e conteúdos estão se configurando novas dinâmicas e experiências de consumo, principalmente entre juventudes e smartphones.
Contudo, mesmo conectadas para Reguillo Cruz (2012) as juventudes vivem a instabilidade e a incerteza de acesso à educação formal, os problemas de inserção no mundo do trabalho, entre outras múltiplas formas de exclusão em termos de cidadania cívica, política, cultural e social.
Cabe destacar que o smartphone constitui-se um objeto em transformação, tanto pelas inovações tecnológicas quanto pela expansão dos serviços e, tornou-se uma prática de sociabilidade de grande valor simbólico na juventude. O acesso ao smartphone gerou novas maneiras de comunicação, informação e interação das juventudes, bem como sua relação com o tempo e o espaço.
Em decorrência deste enfoque, que sentido adquirem a cidadania e o empoderamento para a juventude conectada? Assim, este estudo tem como objetivo analisar as perspectivas de jovens da cidade de Novo Hamburgo-RS, a respeito de como o consumo do smartphone revela e incentiva cidadania e empoderamento. A afirmação que as tecnologias estão cada vez mais interligadas ao processo de inclusão social, revela-se o fio condutor para a reflexão sobre os processos de subjetivação e conectividade que atravessam o cenário atual das práticas culturais juvenis.
Neste artigo utilizou-se a pesquisa descritiva, qualitativa, com abordagem etnográfica e entrevistas realizadas com jovens na cidade de Novo Hamburgo-RS em 2017 e 2018. O referencial teórico, conta com os autores André Lemos, Boaventura de Sousa Santos, Carles Feixa Pampols, Manuel Castells, Néstor García Canclini, Pablo Vommaro, Rossana Reguillo Cruz, Sérgio Amadeu da Silveira, entre outros.
Os resultados parciais apontam que não importa onde, quando e os motivos do consumo, o fato é que os aparatos tecnológicos estão cada vez mais imersos no cotidiano dos jovens.
O smartphone não é simplesmente um dispositivo individualizado de comunicação e informação, mas um instrumento de articulação de novas formas de compartilhamento e empoderamento das juventudes contemporâneas. Assim, conhecer o processo de inclusão digital das juventudes é essencial a fim de que se possam propor sugestões para promoção social (educação, trabalho, cultura, etc.), maior liberdade e igualdade de oportunidades. Pois, entendemos que o empoderamento e a participação, mediados pelos smartphones, devem ter como objetivo o exercício ativo da cidadania.
A premissa básica da inclusão digital (via senso comum) incide no acesso ao computador e aos conhecimentos básicos para utilizá-lo. No entanto a inclusão digital abrange uma discussão mais ampla, contemplando questões de cidadania e direito de comunicação na esfera on-line. Bem como, um processo que deve prever capacitação, profissionalismo e inserção no mercado de trabalho e assegurar que o jovem tenha, no âmbito da educação, inteligência e capacidade técnica de atuar na rede, criar e produzir conteúdos e significados (SILVEIRA, 2002).
Também concluímos até este momento que, para o jovem a alfabetização digital básica pode ser o mediador entre sua inclusão ou exclusão social. Entretanto as condições desiguais de acesso ao smartphone, aliadas à falta de políticas públicas para assegurar as condições financeiras necessárias ao acesso às tecnologias e as condições de aprendizagem digital acabaram por dificultar ao jovem ser agente transformador de sua realidade e do cotidiano no qual se insere.
Este artigo traz reflexões que integram a pesquisa em andamento de doutoramento em Diversidade Cultural e Inclusão Social pela Universidade Feevale que tem objetivo central problematizar a relação do consumo do smartphone com a inclusão social na juventude contemporânea brasileira.




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* Viana
Universidade Feevale Feevale. Novo Hamburgo/RS, Brasil