A geopolítica tem como objetivo interpretar fatos da atualidade e do desenvolvimento político dos países, além de compreender e explicar os conflitos internacionais e as principais questões políticas da atualidade, a partir do seu território, de sua economia e da população.
No tempos modernos o mundo passa por grandes transformações. Essas mudanças partem muito do crescimento do mundo digitalizado (internet, TV) e a expansão dos espaços econômicos sem fronteiras: movimentos sociais, globalização dos fluxos de capital e de investimentos.
O regionalismo afirma-se como uma resposta à globalização. Na prática, evidencia-se formação de blocos econômicos para negociação de mega-acordos regionais. Os acordos envolvem educação, tecnologia e inovação. A era do conhecimento impacta com muita força todas as nações.
E nesse contexto podemos destacar a importância do movimento de internacionalização que tem acontecido nas instituições de ensino superior. Isso se deve ao fato de que as universidades abrigam as mais diferentes culturas e visões de mundo. Originando posições filosóficas, tendências científicas e políticas heterogênea de várias partes do mundo. Então, é desafiador o papel das universidades como integradora de culturas e de pessoas. É desafiador porque formar novos cidadãos num mundo globalizado e interdependente requer um sistema de educação superior internacionalizado permitindo “o conhecimento direto e o respeito pela diversidade cultural, promovendo, acima de todos os conceitos, o entendimento e o respeito pela multiplicidade de valores e a tolerância entre os povos” (STALLIVIERI, 2002, p. 39).
A partir de 2001, com uma política de abertura a novos mercados e de construção de uma liderança regional, o Brasil passa a ampliar as políticas de cooperação científica e tecnológica internacional. Tradicionalmente, a parceria universitária internacional era feita principalmente com a União Europeia. Atualmente a política externa do governo brasileiro foi estendida a outras regiões, isto é, países como Índia, China e do continente africano; com uma especial atenção a américa latina e os países de língua portuguesa (KRAWCZYK, 2008).
E nesse novo rumo traçado pela internacionalização das instituições de ensino superior brasileiras surge uma universidade que leva tanto internacional como integração no nome. Como se fosse um lembrete em que se diz: não pode haver internacionalização sem integração. A Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB se apresenta como uma instituição diferente. Diferente porque enquanto as outras universidades estão se adequando a internacionalizar seu ensino, a UNILAB já nasceu com essa proposta. Conforme está escrito em sua lei de criação (Lei N° 12.289, de 20 de julho de 2010)
Art. 2° A Unilab terá como objetivo ministrar ensino superior, desenvolver pesquisa nas diversas áreas de conhecimento e promover a extensão universitária, tendo como missão institucional específica formar recursos humanos para contribuir com a integração entre o Brasil e os demais países africanos, bem como promover o desenvolvimento regional e o intercâmbio cultural, científico e educacional.
§ 1° A Unilab caracterizará sua atuação pela cooperação internacional, pelo intercâmbio acadêmico e solidário com países membros da CPLP, especialmente os países africanos, pela composição de corpo docente e discente proveniente do Brasil e de outros países, bem como pelo estabelecimento e execução de convênios temporários ou permanentes com outras instituições da CPLP. (UNILAB)
O presente estudo pretende entrar no campo dos Estudos no programa de interiorização das universidades brasileiras e propõe-se a examinar as políticas de integração curricular para o ensino superior produzidas contemporaneamente no Brasil. Para tanto, considera como foco analítico a UNILAB, recentemente implementada, dimensionando as concepções de conhecimento escolar emergentes em sua pauta política.
Sobretudo, porque a universidade tem um papel tanto no conceito de políticas públicas por estar localizada no interior, quanto a geopolítica por meio de seu foco com os países que compõe a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
No ano de 2017, nos cursos presenciais de graduação, existem 3.613 estudantes no geral, sendo que Angola totaliza 118, Cabo Verde, 95, Guiné-Bissau, 562, Moçambique, 31, São Tomé e Príncipe, 86 e Timor Leste, 69 (UNILAB / Diretoria de Registro e Controle Acadêmico - DRCA (dados de junho/2017).
No cenário de política de integração e geopolítica mundial, entre os países parceiros da instituição brasileira destacamos nesse trabalho o caso da Guiné Bissau, mais especificamente a do movimento dos alunos da antropologia. A formação de grupo da Primeira Geração de Futuros Antropólogos Guineenses na Unilab (PGFAGU) surgiu através da iniciativa de aluna Natividade Maria Beia (idealizadora), em colaboração dos alunos que estão fazendo o curso de Bacharelado em Antropologia na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira.
(UNILAB) no sentido de criar grupo de estudos para discutir a questão antropológica em Guiné-Bissau. Uma vez que, faltam antropólogos para pesquisar às questões sociais ligados às políticas públicas referentes à educação, à ação social e à defesa dos direitos humanos, meio ambiente, na defesas dos grupos étnicos e discriminação social. Busca-se uma atuação ativa contra a injustiça social de modo que contribua na obtenção dos trabalhos científicos ligado às questões sociais e culturais para ampliar o pensamento crítico.
Nesse sentido, a Universidade Internacional da Integração de Lusofonia Afro- Brasileira (UNILAB) é o elo desse protagonismo através do seu projeto de integração dos países lusófonos de África, mostrando com as suas políticas públicas e afirmativas elaborando métodos epistemológico interdisciplinar, bem como abrindo leques de agregação dos conhecimentos entre o Brasil e África. A realidade desse projeto de integração é vista nos trabalhos dos alunos dessa instituição em consonância com os professores e professoras.
A APGAGB é o fruto desse projeto que é composto nos primeiros momentos por onze membros do curso de antropologia pertencente à instituição. O grupo está caminhando
de passos lentos com a contribuição de uma professora brasileira, Dr° Vera Regina Rodrigues da Silva, desempenhando o papel da coordenadora do grupo onde elabora´-se agenda de encontros quinzenal discutindo os textos relacionado ao curso e o seu método etnográfico que possam ajudar atender as demandas sociais na Guiné- Bissau.
A criação da UNILAB para integrar os países lusófonos com intuito de elaborar novas políticas educacionais diferencial no qual a cultura persiste de uma forma de fortalecer os laços, ao mesmo tempo de ser um desafio para todas as comunidades que fazem parte de instituição “A internacionalização das universidades brasileiras trouxe o desafio da adaptação à várias culturas...” (F. SOUSA, AURIANE, 2017 p. 5). Com isso, mostra que a Unilab perpassa por desafios agregando uma epistemologia diferencial lidando com as diversidades culturais e multiculturais no que se torna uma universidade capaz de atender todas essas demandas culturais. A APGAGB vai caminhando à passos lentos e seguros para torna esse projeto num âmbito diferencial e epistemológico com atuações dessa geração dos antropólogos formados na Unilab de maneira atuante nas defesas dos direitos sociais ligadas à cultura, meio ambiente, étnico, político etc.
Para a realização desse estudo metodologicamente, optar-se pela realização de uma análise documental de diferentes textos curriculares. Ao final, obter-se estratégias políticas que perfazem a constituição da grade curricular da UNILAB examinado também as pesquisas realizadas na universidade para que o Ensino seja posicionado enquanto um espaço de formação de personalidades produtivas e direcionado para formas curriculares que estimulem o protagonismo dos seus estudantes.
Referências
SOUSA, Auriane Ferreira. Adaptação é uma questão de cultura. 2017. 40 f. Monografia do curso do Bacharelado em Humanidades do Instituto de Humanidade e Letras da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira – UNILAB. 2017.
KRAWCZYK, Nora Rut. As Políticas de Internacionalização das Universidades no Brasil: o caso da regionalização no Mercosul. Jornal de Políticas Educacionais, p. 41-52, 2008.
SITE DA UNILAB. Disponível em http://www.unilab.edu.br/unilab-em-numeros/ acesso em [julho de 2017].
SITE DA UNILAB. Disponível em março de 2017. http://www.unilab.edu.br/wp-content/uploads/2013/11/Estatuto-Unilab_aprovado-no-Consuni_Nilma-Lino-Gomes.pdf
STALLIVIERI, Luciane. O processo de internacionalização nas instituições de ensino superior. Educação Brasileira: Revista do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, Brasília, v. 24, n. 48, p. 35-57, 2002.