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Resumen de ponencia
Campo da Comunicação e Ciberativismo: uma anáĺise sobre a atuação da mídia alternativa online durante o processo de impeachment presidencial ocorrido no Brasil em 2016

*Janaína Machado Simões
*Leonardo Vasconcelos Cavalier Darbilly



O campo da comunicação tem passado por um processo de intensas mudanças em seus diversos segmentos. Tal fenômeno está ligado, principalmente, a mudanças de ordem tecnológica que têm possibilitado novas alternativas de se produzir e comercializar a noticia e que fogem ao modelo dominante estabelecido pelas organizações tradicionalmente hegemônicas nessa indústria. Paralelamente, verifica-se a formação de um fenômeno denominado como um novo tipo de ativismo que ocorre na esfera virtual, o ciberativismo, e que tem como principal intuito contribuir para a democratização da informação.
No contexto brasileiro, o campo da comunicação foi tradicionalmente marcado pela situação de hegemonia das grandes corporações frente ao processo de produção de notícias. Até recentemente, as grandes organizações midiáticas pertencentes ao campo da comunicação detinham o quase absoluto controle da informação, dominavam o mercado e possuíam os recursos necessários de poder para exercer seu papel como atores dominantes nesse espaço e manter sua posição. Entretanto, as tecnologias digitais também favoreceram a entrada de novos atores no campo, como, por exemplo, novos meios de comunicação independentes, organizações, jornais online, blogueiros etc, bem como o empoderamento daqueles que anteriormente não tinham os recursos para competir contra essa dominação.
A discussão sobre a democratização dos meios de comunicação e sobre a liberdade de expressão por parte dos diferentes grupos pertencentes à esfera da sociedade civil, aliás, é um tema que está intimamente relacionado aos movimentos ciberativistas também no contexto brasileiro. Além disso, diante da problemática conjuntura pela qual o Brasil tem passados nos últimos anos e da discussão sobre o papel da mídia nos processo políticos recentes, inúmeros ativistas digitais, especialmente no âmbito da blogosfera, vem apropriando-se de tal questão como uma de suas principais bandeiras, o que se reflete não apenas em discussões na arena virtual, mas, principalmente, em movimentos que visam pressionar outros agentes que também atuam no campo.
Diante disso, o presente trabalho busca analisar como ocorreu a atuação de diversos grupos ligados à midia alternativa do Brasil na esfera online durante o processo de impeachment presidencial ocorrido no Brasil em 2016.
No que diz respeito às contribuições do presente trabalho pretende-se trazer elementos que ajudassem a nortear os diversos debates que têm sido realizados pela sociedade civil com o intuito de se discutir a democratização da mídia no país. Conforme Mielli (2009, p.9), “exclusão social, analfabetismo e negação de direitos, somados à ausência de espaços públicos de comunicação, resultam numa combinação explosiva que mina a democracia e molda uma sociedade passível de dominação cultural, política e econômica”. Ainda, segundo a autora, “entre as tantas dívidas que o Estado brasileiro tem com o seu povo, está a construção de um sistema público de comunicação que possa se constituir numa alternativa à hegemonia comercial existente nesse campo”, sendo “a luta pela democratização das comunicações é (...) uma pauta emergencial a ser enfrentada”.
Silveira (2010), nesse sentido, afirma que por ciberativismo pode-se denominar um conjunto de práticas em defesa de causas políticas, socioambientais, sociotecnológicas e culturais, que ocorrem nas redes cibernéticas, em especial na Internet. Moraes (2007, p.5), por sua vez, estabelece uma relação entre a prática de ativismo digital, que permite o surgimento de uma comunicação alternativa àquela praticada pela grande mídia, e a questão da democratização da informação, a liberdade de expressão e a luta pela cidadania por parte da sociedade civil. Nesse sentido, o autor reflete sobre a comunicação alternativa produzida por ativistas digitais e coloca como sendo alguns de seus principais pontos em comuns a “recusa do modo de produção capitalista e da ideologia de mercado; combate à exclusão social e digital; defesa da cidadania, da diversidade cultural e democratização dos meios de comunicação; e incentivo à participação de leitores e usuários”.
A comunicação alternativa produzida pelos ativistas digitais ou ciberativistas, dessa forma, é pensada por Moraes (2010) como sendo de viés-anticapitalista e que defende a liberdade de expressão e os direitos da cidadania, em uma tentativa de romper com crivos e controles da mídia tradicional. A Internet, para Moraes (2010), deve ser concebida como uma arena de lutas ou conflitos pela hegemonia, ou seja, de batalhas permanentes pela conquista do consenso social e da liderança-cultural de uma classe ou blocos de classes sobre as outras. Carroll e Hackett (2006), por sua vez, explicam que uma forma importante de ativismo levado a cabo por militantes na esfera digital é aquela em que os meios de comunicação são encarados como sendo tanto um meio como um fim para as diversas lutas engendradas por tais grupos e, nesse sentido, uma de suas principais bandeiras está na democratização dos meios de comunicação e na crítica ao controle corporativo da comunicação de massa.
Araújo, Penteado e Santos (2011) afirmam que no âmbito da blogosfera mais especificamente, há a atuação de dois grupos: o primeiro, em que se encontram diversos jornalistas que, na maioria das vezes, passaram por vários veículos de comunicação tradicionais e que, por essa razão, asseguraram sua credibilidade, sendo, portanto, portadores de um capital simbólico dentro do jornalismo"; e o segundo, em que há blogueiros e usuários que atuam no espaço da Internet sem a formação jornalística e realizam um trabalho mais semelhante ao de uma militância”. Eles ainda indicam que, apesar da blogosfera possuir um impacto limitado a um restrito número de participantes e leitores, algo que, para os autores, restringe seu potencial político, o espaço se constitui como “uma arena pública de debate mais plural, no qual existe a possibilidade de ampliação da discussão política para além do monopólio da informação pela imprensa tradicional” (ARAÚJO, PENTEADO E SANTOS, 2011, p.2). Os autores ainda verificam que a formação de uma rede colaborativa interligada pela rede mundial de computadores, além de ganhar um maior espaço no debate político, pode enfraquecer o monopólio do controle da produção, difusão e circulação de informações por parte da mídia tradicional, e ter como conseqüência a ampliação do debate de forma a incluir a participação de outros atores. Tais aspectos são essenciais para a compreensão do processo de impeachment presidencial ocorrido no Brasil em 2016.

Referências:
MIELLI, R. “Pela criação de políticas e espaços públicos de comunicação”. In: MIELLI, R (org.). Comunicação pública no Brasil: uma exigência democrática, pp. 9-12, São Paulo: Anita Garibaldi, 2009.

SILVEIRA, S.A. Ciberativismo, cultura hacker e o individualismo colaborativo. Revista USP, nº.86, São Paulo, ago. 2010.

MORAES. Comunicação alternativa, redes virtuais e ativismo: avanços e dilemas. In: Eptic online: Revista de Economía Política de las Tecnologías de la Información y Comunicación, Vol. IX, n. 2, mayo – ago.2007.

MORAES, D. Comunicação, Hegemonia e contra-hegemonia: a contribuição teórica de Gramsci. Revista Debates, Porto Alegre, v.4, n.1, p. 54-77, jan.-jun. 2010.

CARROLL, W.K; HACKETT, R.A. Democratic media activism through the lens of social movement theory. Media Culture Society, 2006, pp. 83-104.

ARAÚJO, R.P.A.; PENTEADO, C.L.C.; SANTOS, M.B.P. Informação e contra-informação: o papel dos blogs no debate político das eleições presidências de 2010. IV Congresso Latino Americano de Opinião Pública da WAPOR, Buenos Aires, 2011. Disponível em: http://www.waporlatinoamerica. 6. Acesso em: 04/06/2012.




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* Machado Simões
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ. Rio de Janeiro, Brasil

* Vasconcelos Cavalier Darbilly
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ. Rio de Janeiro, Brasil