O processo de formação da economia, da cultura, da vida social e da política da região Nordeste do Brasil, em particular do estado de Alagoas (segundo menor estado da federação brasileira) estão atreladas diretamente as atividades voltadas para a cana-de-açúcar, representando outrora o dinamismo existente e o seu principal produto, com uma produção inicialmente voltada para suprir as necessidades do comércio exterior, com Portugal na dianteira, do qual o Brasil era colônia. Seguindo por este caminho, Alagoas passa a ser ocupada mediante uma expansão da cultura canavieira que rumava o Sul da então Capitania de Pernambuco da qual pertencia, vindo a se emancipar definitivamente em 16 de setembro de 1817. Então, fica perceptível que a canavicultura sempre esteve presente em todos os momentos da vida alagoana, passando por um processo produtivo que abrange desde os tradicionais sistemas de banguês e engenhos, até à usina, peça chave na história econômica do estado alagoano, substituindo antigos processos produtivos e levando à modernização das unidades agroindustriais com apoios governamentais, a exemplo do Instituto do Açúcar e do Álcool/IAA (este teve seu surgimento com a finalidade de dirigir, fomentar e controlar a produção de açúcar e de álcool em todo o país [...] (ANDRADE NETO, 1984)), Programa Nacional de Melhoramento da Cana de Açúcar – PLANALSUCAR (criado em 1971) –, e do Programa Nacional do Álcool – PROÁLCOOL (criado através do Decreto Lei nº 76593 em 1975). Destarte, a discussão em torno da temática envolvendo a modernização técnico-científica na agroindústria alagoana torna-se relevante diante de todo processo de mudança que vem acontecendo não somente na cidade como também no campo. Essa modernização passa a se intensificar em fins do século passado, mais precisamente a partir do decênio de 1970 em diante, com a consolidação do meio técnico-científico informacional (SANTOS, 1994), sendo este a cara geográfica do processo de globalização. Então, pode-se dizer que com a globalização, as usinas são chamadas a se modernizarem para garantirem seus espaços, tanto a nível nacional quanto em relação ao mercado internacional. Vale salientar que esta modernização não está presente de forma homogênea em todas as unidades industriais alagoanas. Os grandes grupos de usineiros, a exemplo do Grupo Carlos Lyra em São Miguel dos Campos, com a Usina Caeté, conseguem absorver de forma mais rápida e com maior facilidade as imposições do processo de modernização, enquanto que os pequenos e médios tendem a serem anexados pelos maiores ou decretam falência. Paralelamente a essa modernidade é preciso enfrentar alguns desafios que ainda estão presentes e acabam por constituírem-se em obstáculos àqueles grupos que estão em processo de modernização e para a sociedade de uma forma geral, tais como: absorção e qualificação da mão-de-obra que está sendo substituída mediante as inovações nas lavouras canavieiras; resolução de problemas ambientais, tais como as queimas da cana em época de corte e a utilização dos resíduos/dejetos do processo industrial; baixo grau de dinamismo econômico e comércio pouco variado apresentado por cidades localizadas onde impera essa monocultura; entre outros a serem analisados. Para tanto, o presente artigo objetiva analisar e discutir a modernidade técnico-científica da agroindústria canavieira em Alagoas, bem como seus desafios em tempos de contemporaneidade. Sendo assim, a discussão de algumas categorias parece ser imprescindível: formação e desenvolvimento econômico de Alagoas – Costa ([1929] 1983), Lima (1965), Diégues Jr. (2006a); modernização técnico-científica – Castillo e Frederico (2010), Elias [et al.] (2013), Frederico (2011), Freitas (2016), Rossini (2016); agroindústria canavieira e força de trabalho – Oliveira (2007), Martins (2010), Rangel (2012), Thomaz Jr. (2013), Freitas [et al.] (2014); meios geográficos e globalização – Santos (1977 e [1996] 2008), Arroyo (2004), Elias (2011). Por fim, vale salientar que a cana continua sendo a atividade mais lucrativa economicamente – junto a sua agroindústria – intensificando a partir de um processo de modernização que vem desde fins do século XX, ganhando destaque e ocupando importante posto nos cenários estadual, regional e nacional, uma vez que apresenta a 8ª maior mesorregião canavieira do Brasil e a 1ª do Nordeste: o “Leste Alagoano” (SAMPAIO, 2015).