Según el antropólogo argentino Nestor García Canclini, "estudios sobre hibridación modificaron el modo de hablar sobre identidad, cultura, diferencia, desigualdad, multiculturalismo y sobre pares organizadores de los conflictos en las ciencias sociales", adquirieron contundencia impar en el siglo XX aunque sus antecedentes existían "desde que comenzaron los intercambios entre sociedades "(2008, XVII). Los hibridismos artísticos permean las artes contemporáneas con raíces que pueden remontarse a rituales milenarios. Para el arte educativo carioca Ana Mae Barbosa, nuestra contemporaneidad "está orientada hacia Internet, la interculturalidad, la indisciplinaridad y la integración de las artes y de los medios como modos de producción y significación desafiantes de límites, fronteras y territorios" (2008, 23) . Sin embargo, la investigadora acusa un desfase crítico y teórico de arte-educadores, críticos, periodistas, académicos y artistas en lidiar con esas transformaciones, tanto en la práctica artísticamente interdisciplinaria, como en su aplicación en las aulas de artes.
Esta investigación objetiva enfrentar este desfase bifurcándose en dos frentes principales. La primera será el estudio de hibridismos artísticos y la segunda el estudio de metodología, con enfoque en las clases de teatro. Después de esta fundamentación y profundización sobre esos objetos principales, esta investigación pretende abrir una discusión sobre la importancia de los hibridismos artísticos dentro de una metodología procesal artística y también su contundencia como lenguaje amplificador creativo para nuestra base disciplinaria del teatro. Con el fin de fortalecer las indagaciones de esta propuesta, el estudio será vinculado a las investigaciones del orientador Fernando Villar sobre hibridismos artísticos, dentro de su investigación y práctica de teatro, interdisciplinaridades e indisciplinidades artísticas contemporáneas. Buscaremos investigar y analizar la hibridación en procesos artísticos, con foco mayor en los siglos XX y XXI, para estudiar el impacto generado en el mestizaje entre diferentes artes que resultaron en otros lenguajes y prácticas artísticas.
El propósito deseado es que los profesores creen una ordenación sistematizada de estudios y de una metodología para la enseñanza de hibridismos artísticos en las clases de teatro, que pueda orientar y mostrar posibilidades para descubrir cómo alcanzar una práctica distinta del desfase arriba citado por Barbosa, buscando también una la construcción personal profesional artísticamente interdisciplinaria.
Se abre una discusión sobre el hibridismo cultural bajo la mirada del historiador Peter Burke en conjunto con los estudios de culturas híbridas en América Latina del antropólogo Nestor García Canclini. El estudio de caso está dirigido al trabajo del grupo "Pies" de teatro danza para / por personas con y sin discapacidad de la Universidad de Brasilia.
O termo “híbrido” significa algo que transcende, que vai além dos alcances já atingidos, como também tudo que for resultado da combinação de diversas espécies diferentes, gerando assim, outra espécie. Os processos de hibridação acontecem de diversas formas e em diferentes áreas do conhecimento. Na língua portuguesa, por exemplo, texto híbrido é estruturado por elementos verbais e não verbais, como os quadrinhos. Segundo o professor de Biologia, Gabriel Honório da Silva, (2010), hibridismos biológicos podem acontecer nos diversos reinos de seres vivos atuais, entre animais, plantas e tipos de bactérias.
Na arte, o que torna um elemento híbrido é o cruzamento de linguagens artísticas que resulta em outra linguagem, quando se utiliza mais de um código artístico em uma obra. No contexto atual em que culturas se misturam, se transformam durante essas trocas e a raça humana esta longe de ser pura ou constantemente imutável, por que não valorizar todas essas partes diversas que produziram esta identidade mundial múltipla e pensar em formas de melhorar e adaptar a educação para a aceitação do diverso? A educação deve permanecer em constante progresso acompanhando as alterações mundiais e neste artigo a discussão sobre atualizações no ensino de teatro busca estas renovações.
O historiador, Peter Burke em Hibridismo cultura, (2003), nomeia seu livro como um recorte de um conteúdo extenso que abrange inúmeras áreas de estudo. Analisa o tema de seu livro como conceito no século XX e nesta trajetória histórica identifica formas de hibridismo nas expressões lingüísticas e em diferentes aspectos processuais, como religião, construções arquitetônicas híbridas que mesclam características de várias épocas e estilos, tipos de pensamentos filosóficos, culinárias mistas e música. Culturalmente, traz diferentes aspectos dos grupos humanos que envolvam manifestações da cultura popular. Mesmo que o termo híbrido tenha surgido no século XIX, Burke saliente que em todas as épocas da história esses processos ocorrem e apenas seus nomes mudam.
Ao descrever sobre as várias formas de se reagir a hibridização, Burke (2003), destaca entre aceitar, rejeitar (por medo daquilo que é diferente), segregar (quando o que é distante da cultura local e tido de forma intimidadora e rival) e adaptar-se. Aceitar e adaptar-se são reações diretamente ligadas, da mesma forma que rejeitar e segregar. Pensando em educação, arte e cultura, aceitar as interações híbridas e adaptar-se a elas é a melhor forma para formar cidadãos conscientes da globalização e adeptos as transformações mundiais.
Nesta investigação de mesclas de cultura, expõe inúmeras possibilidades de interpretação da hibridação e apresenta muitas das nomenclaturas usadas: hibridismo, mestiçagem, crioulização, empréstimo cultural, aculturação, troca cultural e muitos outros termos que estão em circulação. Deve-se atentar para a forma como é usado cada e qualquer um dos termos aqui citados para não serem julgados como pejorativos. Seria o mesmo que chamar um cachorro de vira-lata por “não ter raça”, quando a sua origem é essa, uma mistura interessante de raças que geriu outra.
Burke assume “[...] todas as formas culturais são mais ou menos híbridas”(2003, p.102). No Brasil o carnaval é tido como uma das grandes instituições culturais híbridas por ter-se transformado nas Américas apesar de tantos itens culturais europeus. O Planeta Terra é híbrido e consequêntemente todos seus habitantes nas mais díspares formas e proporções. Nada está isolado e que cultura existe e sobrevive sem interações com o diverso?
O antropólogo e professor Nestor García Canclini em Culturas Híbridas, (2008), tem como objeto de estudo os processos de hibridação dos países da América Latina e para isso propõe estudos interculturais e interdisciplinares por meio de suas pesquisas em diversos países da América do Sul e em diferentes aéreas, como arte, política e economia para entender suas modernizações culturais.
Defende que as hibridações culturais nos países da América Latina advêm em grande parte da colonização que afetou a construção da identidade original desses países pelo convívio com etnias diferentes, da mesma forma que colaborou na composição de suas próprias identidades e reconhece que o período final do século XX é onde se percebe com mais intensidade a análise da hibridação de variados andamentos culturais. No México, a cultura indígena está integrada em grande parte a cultura popular, o que fortalece a defesa de que as culturas se misturam.
Presume que o desequilíbrio gerado no crescimento das “Grandes potências mundiais” também está ao detequitar os diálogos culturais com países recém independentes do continente americano, na escala em que entrelaçam-se culturas, religiões, linguagens, artes e costumes. Na década dos anos 90, reconhece a América Latina modernizada como sociedade e cultura.
Canclini expõe sua concepção sobre hibridação, que para o escritor tem origem na própria criatividade de cada ser humano ou em parceria com o outro, não somente nas artes, política ou culinária, mas nos hábitos diários e nas ciências exatas: “[...] entendo por hibridação processos socioculturais nos quais estruturas ou práticas discretas, que existiam de forma separada, se combinam para gerar novas estruturas, objetos e práticas” (2008, p. XIX).
Em seu discurso, Canclini intercede a favor da multiculturalidade global como capaz de engendrar integrações com inúmeras culturas, sociedades, crenças, educação e formas de trabalho por meio da hibridação e para facilitar as comunicações entre fronteiras. Na educação a multiculturalidade é muito bem vista por crer-se que ao trazer para os alunos as perspectivas de boa convivência com várias culturas num mesmo ambiente, temas como identidade cultural ou de gênero sejam tratadas com respeito e aceitação das diferenças. Nomeia projeto democratizador a ação proveniente da modernidade que acredita na educação e nas difusões das artes para atingir a uma evolução racional e moral baseando-se na concepção de que nenhuma arte avança sem relação com as outras.