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Resumen de ponencia
Epistemologias do Sul e novas propostas éticas e epistêmicas no diálogo entre feminismos e buen vivir

*Márcia Tait



A comunicação irá compartilhar alguns percursos teóricos, indagações e relações conceituais que articulam vertentes teóricas e propostas ético-epistêmicas de ações coletivas em curso na América Latina. Essas reflexões fazem parte de pesquisas em fase de desenvolvimento e de experiências pedagógicas recentes no âmbito na pós-graduação na Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, Brasil. As experiências com a pesquisa de pós-doutoramento com o tama de ética, conhecimentos, ações coletivas e buen vivir se iniciou em 2015-016, no mesmo período em que iniciava o oferecimento de algumas disciplinas na Unicamp.
Uma delas, o curso “Epistemologias situadas e engajadas - corpos, contextos e políticas na produção de conhecimentos e futuros possíveis”, oferecido junto ao Programa de Mestrado em Divulgação Científica e Cultural (MDCC/UNICAMP), que foi pensado como possibilidade de criar um espaço para compartilhar, pensar e elaborar coletivamente questões estudadas durante o pós-doutorado. Ainda no período entre 2014-2017, também participei de experiências pedagógicas junto a disciplina "Histórica Econômica Política e Social do Brasil", oferecida para alunos de graduação do Instituto de Geociências; e ao curso de extensão "Meio Ambiente Questões Agrárias e Multimeios", que trabalha a produção coletiva de audiovisuais. As questões teóricas e metodológicas trabalhadas nestes cursos também serão exploradas na comunicação.
A proposta pedagógica que estruturou os cursos se apoia na noção de epistemologias situadas e engajadas. O termo situado refere-se, principalmente, a perspectivas feministas sobre geração de conhecimento parcial, mas também a produção de ações coletivas latino-americanas. O termo engajado é utilizado como forma de instigar a proliferação de conhecimentos, que reconheçam como política e eticamente comprometidos, e apoia-se em abordagens sobre a descolonização do conhecimento, pluralidade metodológica e nas ações-reflexões de movimentos de mulheres indígenas e campesinas pela emancipação/autonomia e defesa de seus territórios. Os dois adjetivos, que acompanham a palavra epistemologia no plural, são trazidos para provocar rupturas com a noção de epistemologia e ciência únicas e permitir a discussão do gênero, raça, etnia, sul-norte.
Os programas para os cursos foram concebidos a partir de eixos temáticos estruturantes como: “Ciência, tecnociência e teorias críticas”; “Descolonizando o pensamento e as ciências”; “Movimento social como produtores de conhecimento e agentes de mudança”, “Ciência, conhecimentos e feminismo relações/transformações”; “Olhares feministas da relação Humanos-Natureza”; e “Epistemologias Feministas, Movimentos Sociais e Diálogo com Buen Vivir”. A linha condutora foi a reflexão sobre os aspectos culturais (construção social do gênero, raça/etnia), sobre concepções de desenvolvimento, conhecimentos e ciência e novas possibilidades de elaborações sobre “produção/reprodução” da vida a partir do contexto histórico, social e cultural do Sul, circunscrito a América Latina e Brasil.
As leituras se conduziram por abordagens e conceitos diversos, de forma “transdisciplinar” e buscando inserir-se em perspectivas interculturais e decoloniais inspiradas nas noções de ciência política e própria (Fals Borda), epistemologias da do Sul, ecologia de saberes (Sousa Santos), descolonização do poder e do saber (Quijano, Lander, Grosfoguel). Além de referências clássicos do pensamento social Brasileiro e referências femininistas.
A busca foi e continua sendo, por tecer relações e explorar a riqueza e potências destas noções e abordagens teóricas para (re) pensar a produção do conhecimento, dando continuidade a um trabalho iniciado durante a pesquisa de doutorado com os potenciais epistêmicos e éticos das ações coletivas de mulheres camponesas.
A proposta da intervenção nesta Conferência é explorar as questões que têm se apresentado neste processo de aprendizado, entre docência e pesquisas, com a elaboração de questões iniciais, reflexões/provocações teóricas e algumas “observações sistemáticas”.




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* Tait
Departamento de Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas DPCT/UNICAMP. Campinas, Brasil