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Resumen de ponencia
O Estado e a internacionalização das empresas brasileiras: Análise da atuação do BNDES no período 2002-2017

*Juliana Maria Fischer



A pesquisa se propõe a explorar a ação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES no financiamento da internacionalização de empresas brasileiras de 2002 a 2017, como meio para compreender a atuação do Estado na expansão de empresas multinacionais brasileiras. O papel do Estado é central para uma perspectiva sociopolítica, pois é através de suas políticas e arranjos institucionais, que cria ambientes jurídicos, políticos e econômicos, influenciando a dinâmica capitalista. O período de estudo selecionado engloba o desenvolvimento das políticas de apoio a internacionalização de empresas e criação de linha especifica de financiamentos para inserção internacional junto ao BNDES. Possibilita a observação e análise ao longo de, aproximadamente uma década, no avanço de uma política de fortalecimento de multinacionais brasileiras e setores de atividade econômica considerados competitivos, seu alcance e desdobramentos. O trabalho parte do pressuposto de que o sistema de produção capitalista é inerentemente expansionista. Este expansionismo pode ser resultado da busca incessante por novos mercados consumidores para escoar o excedente da produção, a busca pela mão de obra mais barata ou a necessidade de constante investimento na própria produção a fim de manter-se competitivo. Tal característica é mais evidente a partir do desenvolvimento do comércio exterior, surgimento e atuação de empresas multinacionais que integram e reintegram diferentes espaços regionais, culturas e formas sociais de vida e trabalho. Contribuem para a produção de uma divisão transnacional do trabalho, com a distribuição de empresas, corporações, centros financeiros e organizações de comércio por todo o mundo. O modo de produção do capital, como fenômeno social, econômico, político e também cultural, tendo como fim a acumulação de capital impele à constante necessidade de mercados sempre novos, influenciando a criação de vínculos em toda a parte.
Conceitualmente, a internacionalização de empresas pode ser compreendida de forma mais genérica como a obtenção de parte ou totalidade do faturamento de uma companhia a partir de operações fora de seu país de origem. É um processo que compreende desde a exportação de produtos e serviços até a internacionalização parcial, ou total, da cadeia de produção através da emissão de Investimento Estrangeiro Direto (IED) (GUERRA, 2014). E também pode ser compreendida como o deslocamento de fases do circuito ampliado de acumulação de capital para fora dos limites do Estado nacional (BUENO, 2008).
No entanto, o tema da internacionalização de empresas se insere num debate mais amplo acerca de uma nova fase de acumulação do capital, predominantemente financeiro e rentista. Esta nova fase situada ao fim da década de 1970, é teorizada como mundialização do capital (CHESNAIS, 1996), ou globalização. Suas principais características são a liberalização do comercio internacional, o aumento dos fluxos financeiros internacionais e a expansão de investimentos estrangeiros diretos (IED) (MAGALHÃES, 2006).
A pesquisa em seu desenvolvimento inclui a ênfase para as transformações políticas, rupturas, continuidades e descontinuidades no que tange ao apoio à internacionalização de empresas no final do governo FHC e nos governos Lula, Dilma Rouseff e Temer. A análise comparativa proposta permite observar se as empresas beneficiadas pelos financiamentos ao longo do período foram as mesmas e em qual medida indicam diretrizes de um projeto político de desenvolvimento a longo prazo e de que forma podem representar um esforço político em modificar a inserção brasileira na divisão internacional do trabalho, como produtor e fornecedor de matérias primas e de baixo valor agregado, refletido na tentativa de criar grandes players globais. O ponto de partida são as análises acerca do movimento de produção, circulação e expansão do capital desenvolvidas por Marx em O Capital, e a compreensão da internacionalização de empresas como parte deste processo que instiga a expansão do capital para fora do território nacional. A metodologia se baseia na análise documental dos dados e publicações do próprio BNDES, como Relatórios Anuais, Estudos e revistas editadas pelo banco. E dados produzidos pelo Banco Central do Brasil, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e relatórios e estudos sobre multinacionais brasileiras da Fundação Dom Cabral e Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).

Referências:
BUENO, Fabio. O movimento recente de internacionalização da burguesia brasileira. In: Anais do III Simpósio do Grupo de Estudo de Política da América Latina. Setembro, 2008.
CHESNAIS, François. A mundialização do capital. São Paulo, Xamã, 1996
GUERRA, Thiago Thadeu Araujo. Internacionalização de empresas brasileiras: Uma análise macro-setorial da década de ouro (1999 - 2009). 2014. 143 f. TCC (Graduação) - Curso de Relações Internacionais, Relações Internacionais, Universidade Federal de Roraima, Boa Vista, 2014.
MAGALHÃES, Davidson. Globalização do capital e os estados nacionais. São Paulo, SP. Ed Anita Garibaldi, 2006.




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* Fischer
Universidade Federal de Santa Catarina UFSC. Florianópolis, Brasil