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Resumen de ponencia
A organização partidária da esquerda latino-americana

*Rodrigo Mayer



Este estudo analisa e classifica a organização interna dos principais partidos parlamentares de esquerda latino-americanos, comparando o conteúdo de seus estatutos partidários em 18 países da região. O estudo das organizações de partidos de esquerda consiste em um fértil campo de estudos, com muitos estudos se ocupando de descrever a organização e atuação de um único partido – com destaque para o PT brasileiro e a Frente Amplio uruguaia –, no entanto, estudos comparativos de larga escala ainda são raros sobre o tema. Este trabalho visa contribuir com o debate ao comparar a organização interna dos principais partidos parlamentares de esquerda. A comparação ocorre a partir da utilização do método comparado e da identificação da ausência e/ou presença de determinados conteúdos em suas cartas orgânicas, de modo a mapear suas organizações e possibilitar a construção de escalas de pertencimento dos partidos no quesito organizacional. Além da análise documental, este artigo examinou à literatura especializada sobre a região, com especial atenção à autores locais, de forma a se aprofundar sobre sua realidade. A utilização do método comparativo na identificação das diferenças e semelhanças entre os casos, mas também, nos ajuda a testar teorias, hipóteses e combater o etnocentrismo. Categorizar e classificar é uma constante nos estudos partidários. Desde Duverger (1970), os estudiosos buscam classificar os partidos políticos em espécies (tipologias) de acordo com seus requisitos organizacionais ou de acordo com as características do ambiente em que estão inseridos (acesso a recursos financeiros, grau de profissionalização, etc.). A classificação aqui proposta trata basicamente da decomposição das organizações partidárias em uma escala de acordo com os seguintes critérios: a) grau de abertura aos membros no processo decisório; b) quantidade de instâncias partidárias; c) construção de esferas partidárias de contato com a sociedade e; d) canais de financiamento. A visão predominante da literatura especializada sobre a América Latina apresenta uma região, em sua maioria, marcada pelo subdesenvolvimento partidário, no qual as agremiações são descritas como dotadas de organizações internas (quando existentes), frágeis, dominadas por redes por redes de clientelismo, patronagem, organizações informais, caudilhos, entre outros. Este trabalho não compartilha deste posicionamento e argumenta que o cenário encontrado na América Latina não é tão dramático quanto o apresentado pela bibliografia. Na região coexistem partidos dotados de organizações mais simples e outros mais complexos, diferentes trajetórias partidárias, com algumas legendas formadas no século XIX e outras nos últimos anos. A chamada “crise dos partidos políticos” não é um fenômeno exclusivo na região. Para muitos especialistas, o desgaste não atingiu apenas a América Latina, mas o sistema partidário como um todo, com o enfraquecimento dos laços da identificação partidária, dos vínculos entre os partidos e o eleitorado, aumento da volatilidade eleitoral, diminuição do número de membros, entre outros. Argumentamos que os partidos políticos são, antes de tudo, organizações, as quais comportam diferentes níveis hierárquicos em seu interior, bem como, disputas internas pelo domínio da organização. A determinação do desenho organizativo reflete as escolhas e objetivos de seus membros em um ambiente limitado. Foram os seguintes resultados encontrados: 1) o cenário partidário encontrado não é tão caótico quanto o exposto pela literatura especializadas, na região convivem partidos e sistemas partidários instáveis com outros dotados de grande estabilidade e longevidade; 2) a América Latina exibe um rico cenário, que reflete as diferentes estratégias e trajetórias das agremiações latino-americanas; 3) o tipo originário exerce grande influência sobre a determinação do desenho organizativo dos partidos locais, com os partidos externos ao parlamento tendendo a organizações mais complexas e os formados ao redor de lideranças carismáticas – notadamente, os partidos andinos – à máquinas partidárias mais simples.




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* Mayer
Universidade Federal de Santa Catarina UFSC. Florianópolis, Brasil