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Resumen de ponencia
A diversidade como pauta: A influência de políticas públicas culturais para a formação de novos nichos de mercado

*Priscila Brandão Vargas



Esta pesquisa tem como objetivo compreender em como a promoção da
cultura a partir do investimento em políticas públicas culturais nos últimos quinze
anos propiciaram um cenário para a criação de nichos de mercado baseados no
conceito da diversidade.
A ideia de diversidade se constitui em uma grande
variedade de culturas das quais é possível distinguir rapidamente a partir de
observações etnográficas a diversidade de códigos sociais que operam no
interior da sociedade e entre essas. À vista disso, como objeto desta
investigação, eu procuro analisar a empresa de marketing focada em economia
criativa, a NOIX, para a promoção da diversidade e o festival #DáPraFazer da
marca Rider. De acordo com Storr (2009)
"the market, however, is a space where commercial as well as social bonds
develop" e, sendo o lugar onde os vínculos comerciais e sociais se desenvolvem,
talvez não fosse contraditório a diversidade se apropriar do mercado.
Assim sendo eu conheci a NOIX, uma empresa ligada ao marketing,
pesquisa e tendências culturais. A NOIX procura descobrir gostos,
principalmente relacionadas ao consumo periférico, e conecta marcas que tem
interesse em investir na diversidade com o público sugerido. Contudo, era
impossível simplesmente pensar no mercado da diversidade sem compreender
quem o propiciou. Com o avanço da globalização e o desenvolvimento
tecnológico a circulação da cultura se torna cada vez mais perceptível.
Expressões culturais a partir da música, do artesanato, da dança se propagam cada vez mais rápido pela necessidade se fazer ser ouvido, ser percebido em
meio a tantos que buscam destaque. Não existe mais distância que separam
culturas diferentes. Todas estão revolvidas no mesmo espaço e a busca pela
preservação de identidades culturais se faz axiomático com a manutenção da
tradição.
Existe uma tendência de ressignificação do modo de se consumir num
cenário de globalização onde as tendências culturais são, a todo tempo
formuladas e reformuladas para garantir seu espaço no mercado. Num âmbito
de desenvolvimento, essas tendências assumem um espaço de disputa. Pensar
cultura neste cenário é pensar em práticas que envolvam uma sociedade cada
vez mais segmentada e com gostos cada vez mais restritos a um determinado
grupo de pessoas. Deste modo, o impacto econômico sob o avanço da
globalização, começa se mostrar evidente a demanda pelo consumo de bens
culturais. À vista disso, o campo da cultura começa a integrar os planos de
governos a partir do investimento em políticas públicas culturais e isso se deu
em uma conjuntura em que a compreensão de cultura começa a ser
representada como identidade local. A economia criativa e a economia da cultura
chegam nesse momento em que o Brasil debate a promoção da diversidade ao
mesmo tempo em que se desenvolve economicamente abrindo crédito à
pequenas empresas e gerando oportunidades. O objeto desta pesquisa, a empresa de criativos NOIX, surge nesse
momento em que a cidade se reformula para pensar a inserção de atores
estigmatizados no mercado. A empresa, formada por duas sócias, Amnah Asad
e Lara Azevedo, propõe ressignificar e se apropriar de um mercado pouco
explorado: o mercado da diversidade, quando a cultura deixa de ser somente
uma pauta governamental e passa a ser comércio. Elas se intitulam
pesquisadoras de Cultura que tem como foco levar diversidade, novas conexões
e misturas para todos os trabalhos que fazem. A partir de estratégias de
marketing, desse mercado novo, a NOIX se estabelece principalmente nas
capitais da região sudeste. Ela funciona como uma empresa mediadora entre
quem vai consumir e quem vai comercializar. Utiliza em suas ações uma
linguagem acessível e produz eventos em áreas estratégicas com atores da
comunidade para divulgar a marca que a contrata, no caso desta dissertação a
marca Rider da Grendene. A Rider comercializa, sobretudo, chinelos. Ela
reinsere no mercado o produto que fez sucesso há quase 30 anos.
A questão central dessa pesquisa é tentar compreender em que medida
o aumento no investimento em políticas culturais nos últimos 15 anos no Brasil
possibilitou a criação de nichos de mercado baseados no conceito de
diversidade. Abertura de créditos e promoção de políticas culturais inclusivas e
acessíveis, somadas, promoveu o surgimento de mercados de cultura criativa. É preciso pontuar a importância que a Unesco tem ao promover o
desenvolvimento cultural nos países e em como isso tem sido absorvido,
sobretudo, pelo Brasil ao dar significados às ações e direcionar o caminho a ser
traçado no país, especialmente, no que diz respeito às diferenças sociais a partir
da diversidade cultural. Destarte, neste trabalho eu analiso a importância de
movimentos culturais para a criação de políticas públicas relacionadas à cultura
e em como esta dinâmica promove diretamente a diversidade a partir da
economia criativa, o marketing social. A NOIX, portanto, se insere na lógica do
mercado a partir do conceito de economia criativa que se estabelece mais
precisamente a partir dos anos 2000 após a ressignificação do lugar que a
cultura ocupa para as políticas públicas.




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* Brandão Vargas
Universidade Federal Fluminense UFF. Niterói, Brasil