As práticas da agricultura no âmbito familiar sempre estiveram presentes no cenário mundial e brasileiro enquanto forma de subsistência e desde a década de 1960 passou a ser tensionada por uma ordem que se baseava nas inovações tecnológicas introjetadas no campo que vieram com o advento da Revolução Verde, ocasionando mudanças drásticas para a realidade agrária e agrícola do país, sendo uma lógica dominante articulada com o grande capital pautado no agronegócio. Estas mudanças na estrutura agrária brasileira, consequências de uma herança colonial arraigada no campo brasileiro e também do processo de modernização conservadora do pacote “Verde”, geraram um conjunto de contradições que podem ser vistos por meio da desigualdade de acesso a terra pelos trabalhadores rurais, no empobrecimento da qualidade alimentar, danos ambientais, dentre outros. Esta modernização conservadora fez com que a as práticas da agricultura fossem direcionadas para a maximização do lucro através do monocultivo destinados á agro exportação. Na lógica capitalista introduzida no campo, as práticas da agricultura enquanto meio de subsistência e reprodução social já não seriam mais suficientes, e sim o lucro extraído da terra, pois a agricultura familiar com suas técnicas consideradas rudimentares, não se faziam rentáveis economicamente se comparada à agricultura monocultora, sendo fadada ao fracasso, estagnada ou até mesmo sujeita ao desaparecimento. Nesta conjuntura, há que se considerar uma questão agrária arraigada no campo brasileiro e que são legitimadas pelo Estado, elites agrárias e pela burguesia nacional. Considerado o papel do Estado enquanto fomentador da agricultura capitalista é necessário ressaltar que também foram implantadas políticas agrícolas para os segmentos de trabalhadores no campo, sobretudo na década de 1990 a exemplo do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF). Quanto ao Programa Nacional de Alimentação Escolar PNAE, consistiu no aprimoramento de políticas destinadas à alimentação escolar, na qual a melhoria da qualidade nutricional da merenda escolar passou a ser questão de prioridade, assim, foi garantido que no mínimo 30% dos recursos destinados à aquisição de alimentos para merenda escolar fossem adquiridos na agricultura familiar, conforme a Lei n° 11.947/2009 que cria o PNAE. No Brasil, alimentação escolar é uma política pública pioneira que foi se aprimorando com o passar dos anos e ao incorporar os produtos agrícolas locais destinando no mínimo 30% dos recursos para compra da merenda escolar nos segmentos da agricultura familiar, avançou de maneira significativa. Sendo um Programa que culminou após amplas discussões a nível nacional, tendo a frente às instâncias deliberativas como o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional - CONSEA, o PNAE se difere das demais políticas de fomento ao agricultor familiar (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF e Programa de Aquisição de Alimentos - PAA), uma vez que interliga dois campos distintos (Educação e Agricultura), porém intrínsecos na lógica de execução: Alimentação Escolar por meio da produção da agricultura familiar. No que confere a produção agrícola familiar, o PNAE se faz instrumento de reconhecimento para com a segurança alimentar nas escolas e isto se efetiva por meio da aquisição dos produtos, valorizando a produção, os hábitos alimentares locais e geração de renda. Partindo deste contexto, o presente estudo versa sobre o histórico da modernização conservadora no Brasil, considerando os impactos para a agricultura familiar. Cabe ressaltar que este estudo compõe parte do projeto de pesquisa que vem sendo realizado no programa de Mestrado em Estudos Rurais da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) para a elaboração da dissertação na qual a temática se desenvolve em torno da agricultura familiar e políticas publicas de fomento com ênfase no PNAE. Acreditamos que a agricultura familiar se faz viável, apesar das concepções difundidas pelo conhecimento científico de que a agricultura moderna ou convencional é á solução para a fome no mundo. Estudos já demonstraram que tais práticas artificiais aprofundaram desigualdades sócias no meio rural. Por fim, acreditamos que o Programa Nacional de alimentação escolar (PNAE) enquanto política publica, vem na contramão do projeto desenvolvimentista conservador oriundo da Revolução Verde. Adotando uma metodologia teórica bibliográfica, pretende-se ressaltar que o PNAE contribui no fomento para a agricultura familiar, sobretudo no que concerne à geração de renda através da comercialização local.