Resumen de ponencia
Contribuições da Economia Solidária num mundo em crise: as experiências da Incubadora de Empreendimentos Solidários (IESol/UEPG)
*Adriano Da Costa Valadão
*Francisco Salau Brasil
*Manuela Salau Brasil
O objetivo desta comunicação é discutir o papel das Incubadoras Universitárias de Cooperativismo Popular, a partir da experiência da IESol - Incubadora de Empreendimentos Solidários, programa de extensão universitária, vinculada à Universidade Estadual de Ponta Grossa, no estado do Paraná - Brasil. Em busca de alternativas para geração de trabalho e renda, grupos de trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias, resgatam os princípios do cooperativismo e desenvolvem iniciativas de trabalho coletivos por todo o país. Estas experiências que ao longo do tempo passaram a ser categorizadas como Empreendimentos de Economia Solidária - EES buscam articular-se em redes de instituições com o propósito de fomentar esta nova forma de economia. Estas redes abrangem desde organizações de apoio ligados a sociedade civil, movimentos sociais, entidades religiosas, sindicatos e universidades até outras representativas de governos municipais, estaduais e federal. Pode-se articular estas organizações em três grandes segmentos, 1) os EES propriamente ditos; 2) as entidades de apoio; e 3) os gestores públicos. Estes três segmentos buscam ultrapassar o limite para além da esfera do empreendimento, incidindo nas políticas públicas e potencializando a interação entre estes grupos. Entre as entidades de apoio da Economia Solidária no Brasil, destacamos nesta comunicação o papel das Incubadoras Universitárias de Cooperativas Populares, que atualmente somam um número aproximado de 100 unidades espalhadas pelo país, distribuídas em duas redes, a saber: Rede Unitrabalho e Rede de Incubadoras Universitária de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (Rede de ITCPs). A primeira destas incubadoras foi criada no ambiente da crise no final dos anos 1990, mais precisamente no ano de 1998, dando início ao movimento de surgimento das demais. Na Universidade Estadual de Ponta Grossa no ano de 2005 foi oficializada a criação da Incubadora de Empreendimentos Solidários (IESol), que desde então compromete-se com o trabalho e a divulgação a favor do reconhecimento e do fortalecimento da economia solidária. Neste sentido, apresentaremos os principais resultados destes quase 13 anos de experiência, considerando os 28 (vinte) grupos que de alguma forma se aproximaram da economia solidária através da IESol. Estes grupos passaram por diversos processos, desde divulgação da ecosol, assessoria ou mesmo no processo de incubação em si. Dependente da constante busca de recursos externos para manter e ampliar sua atuação com os empreendimentos, a própria incubadora passou por diversas fases. Podemos categorizar em três principais fases, a de 1) formação, 2) consolidação e 3) expansão. A primeira está ligada ao apoio da incubadora da Universidade Federal do Paraná para a aproximação com a Economia Solidária, suas práticas e conceitos. A segunda, pode ser caracterizada com a sua consolidação, a marca deste momento é início no processo de incubação diretamente com EES. A última fase, a expansão, tem início entre os anos de 2013 e 2014 com o aumento de grupos incubados a partir da aprovação de um projeto apresentado ao um edital do programa de Responsabilidade social da Petrobrás e que possibilitou apoiar uma ampliação da equipe. Atualmente a IESol busca rediscutir sua metodologia devido a fatores como a diminuição de recursos para financiamento de projetos, que está diretamente ligado ao contexto de crise econômica e política no Brasil. Soma-se a isto a crise atual, que se aprofunda com o Golpe de 2016 e que torna a discussão mais complexa e que traz impactos para a vida dos trabalhadores e trabalhadoras dos empreendimentos e para o futuro da própria economia solidária. Neste sentido, refletindo com base nesta experiência concreta, problematizamos questões tais como: em que medida o trabalho executado no âmbito das incubadoras tem apresentado resultados que podem ser considerados positivos? Tais resultados possibilitam pensar para além da lógica do empreendimento, ou seja, qual o potencial para uma análise mais macro? As incubadoras, como parte integrante das universidades, tem estimulado o pensamento crítico e propositivo para dentro das instituições de ensino e entre os trabalhadores e trabalhadoras dos EES? Num ambiente de crises recorrentes do capitalismo, a economia solidária se apresenta como uma proposta viável e possível de mudança civilizatória? Qual seu potencial para contribuir com lutas a favor da igualdade, justiça social e democracia, temas deste congresso?