Bolívar, Abreu e Lima, Lula, Chávez, todos esses nomes em sua devida época e território mobilizaram a importância da integração entre os países que formam hoje a América Latina.
A América Latina não é formada por países de estrutura de nação e sociedade homogêneas, tão pouco seu processo de emancipação e independência foi homogêneo.
Somos irmãos latinos com vinculo forte, cooperação mútua e interação política, econômica e cultural? Ou somos parentes distantes? Membros de uma mesma família, todavia, não tão próximos? A América Latina integrada em sua totalidade ainda não foi realizada.
Apesar de acordos diplomáticos e cooperações econômicas – Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), União de Nações Sul Americanas (UNASUL), Associação Latino – Americana de Integração (ALADI), Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Aliança Bolivariana Para os Povos da Nossa América (ALBA), Comunidade Andina (CAN)– etc., a integração latino-americana ainda está em construção.
Tivemos alguns momentos mais próximos em união política e econômica, sobretudo nos anos em que os governos de esquerda estiveram no poder, á exemplo: os governos de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil e de Hugo Rafael Chávez Frias na Venezuela.
É possível ainda pensar a integração entre esses países na figura de Simon Bolívar e José Inácio de Abreu e Lima, ainda na época de formação dos Estados Nacionais em que já se articulava a integração entre os países da América do Sul; Bolívar na luta por independência hispânica, Abreu e Lima, um brasileiro formado em artilharia que se voluntariou para lutar nas guerras no exército de Bolívar se destacando por sua coragem e fidelidade á causa da liberdade. Fundaram o primeiro elo de integração – A República da Grã- Colômbia, que foi fragmentada tempos depois.
Já na época Bolívar ressaltava a união dos povos, promovendo o Congresso Panamá em 1826, em que o Brasil não estava presente, Abreu e Lima nos seus discursos e escritos enfatizava o projeto de integração e também uma “Gran Confederacion Americana” afirmando que o Brasil seria um dos primeiros a ser confederado.
Nos momentos de integração entre Lula e Chávez; Abreu e Lima e Bolívar configuram-se como pretexto para acordos. A Construção da Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, por exemplo, que recebeu esse nome como uma forma de homenagem e agradecimentos por parte dos venezuelanos, tal como a estátua de Bolívar no Município de Abreu e Lima também em Pernambuco; A Cooperação e integração econômica do Petróleo entre as empresas Petrobras (Brasil) e PDVSA (Venezuela) trabalhando juntas representam uma política não apenas econômica, mas uma unificação que rearticula as ideias passadas em um novo horizonte de expectativa.
Destaca-se ainda não relações internacionais, a entrada da Venezuela no MERCOSUL, a criação da Universidade Federal da Integração Latino – Americana pelo governo Lula em 2010 em Foz do Iguaçu, que representou mais um passo na união dos países Latino-Americanos no viés politico, econômico, cultural e científico.
A integração da América Latina, sobretudo do Brasil com os países da América- Hispânica ainda é um desafio, o Brasil desde a formação dos Estados Nacionais se mantém distante de seus irmãos latinos e optou por muitas vezes a espelhar-se na Europa, a tê-la como sinônimo de civilização e progresso. É provável que um dos grandes motivos de Abreu e Lima não ser lembrado como um herói no Brasil seja a associação da sua figura á Bolívar de forma negativa que é resultado do distanciamento, barreiras e preconceitos que há com os nossos vizinhos.
Ainda hoje há a distinção Brasil e América Latina como se o Brasil não fizesse parte da América Latina. Em que momento a nossa identidade latina é demonstrada? Como ela é representada? Somente na Copa Libertadores da América? Ou quando um acordo político nos favorece?
Priorizar a dinâmica com as nossas riquezas e matérias primas, fortaleceria o nosso comércio e política interna e solidificaria o crescimento econômico Latino-Americano com a valorização dos nossos produtos, da nossa moeda e da nossa cultura.
Ser Latino Americano é uma identidade que está sendo moldada, que teve os seus avanços, mas ainda não está pronta, precisamos nos reinventar, nos descolonizar, nos deseurocentrizar, e ai sim sermos irmãos latinos. A integração de Bolívar e Abreu e Lima, de Lula e Chávez, do Brasil e da Venezuela, e de tantos outros países que há na nuestra América ainda não chegou ao seu estágio final.