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Resumen de ponencia
Um relato etnográfico sobre a mentalidade do Buen Vivir do Equador: "Movimento de Resistência" como alternativa ao Desenvolvimento

*Carlos Eduardo Panosso



Introdução
Esta apresentação consiste num estudo da mentalidade de uma “sociedade do bom viver” como alternativa ao Desenvolvimento - o Buen Vivir no Equador - a partir do método etnográfico. Isso porque a ideia de “desenvolvimento” que tem orientado as sociedades ocidentais tem sido fortemente marcada por crises que vão do funcionamento instável da economia propriamente dita às questões sobre a sustentabilidade ambiental e social. É necessário, portanto, revisar o que se espera do desenvolvimento, a partir de outros modos de vida que não o almejam. Assim, este estudo é feito a partir de observações de campo que são parte integrante dos trabalhos que tiveram como resultado uma tese de doutorado. Trata-se, portanto, de um relato, com um “olhar etnográfico” sobre a mentalidade dos contexto social escolhido supracitado, bem como uma análise dos elementos apresentados no trabalho de campo que poderiam conceituar tal contexto social como uma alternativa ao desenvolvimento e como “movimento de resistência” ante o contexto do capitalismo global. Além do método etnográfico, são utilizadas as teorias do “decrescimento” (Serge Latouche), da “simplicidade voluntária” (Paul Ariès) e o “antiprodutivismo” (André Gorz) para entende-lo como tal.
As alternativas ao Desenvovimento
Em diferentes partes do planeta, algumas sociedades ou comunidades, de origem ocidental ou não, entenderam que o modelo de desenvolvimento aplicado pelo capitalismo, este baseado no crescimento econômico desenfreado em nome do progresso com uma premissa de viver melhor não será capaz de atender todas as demandas advindas de tais prerrogativas. Surgem então propostas de vida comunitária com base em outros pressupostos, tais como: vida em comunidade, sustentabilidade em todos os seus sentidos (ambiental, econômico, social e cultural), valorização da cultura local e das tradições, de seus patrimônios tangíveis e intangíveis, consumo consciente e, em alguns casos, o próprio decrescimento econômico.

El Buen Vivir: uma perspectiva não ocidental do que significa bom viver

A perspectiva do bom viver (Sumak Kawsay, Buen Vivir) remete aos povos ancestrais andinos. Trata-se uma mentalidade pré-capitalista e, num certo sentido, anti e pós desenvolvimentista. É um modo de vida que “resiste” ao contexto de globalização e que precisa ser estudado e respeitado.

O “olhar etnográfico”

O presente trabalho tem um cunho etnográfico e busca captar in loco o sentido de desenvolvimento ou bom viver no contexto social escolhido. A etnografia é um método clássico na antropologia capaz de capitar tal sentido. Ele se constrói pela descrição da sociedade em questão, bem como pela tradicional “observação participante”, elaborado por Bronislaw Malinovski, além de técnicas como a “descrição densa” eu “saber local” de Clifford Geertz, estas também calcadas na convivência com o povo estudado e a experiência junto a sociedade vivida pesquisador.

O trabalho de campo e o exercício de aproximação da realidade

O relato de campo que fizemos é importante para inaugurar uma série de questões sobre os lugares em que o pesquisador esteve. Esse foi o momento de aproximação da teoria com a realidade. Assim, a partir, deste relato, é lançada uma série de questões e observações (além do “olhar etnográfico” mais amplo), ampliando um pouco a lente para falar de coisas mais específicas e entender por que poderíamos chamar a comunidade que estudamo de “Movimento de Resistência”. Quer-se dizer que buscou-se falar um pouco das características desses lugares. Todavia, isso que chamamos de “análise” não possui qualquer caráter conclusivo. É proposital de nossa parte apenas firmar um caminho e referencial teórico-crítico e continuar, de alguma forma, trabalhando com tais questões para além deste artigo.

Considerações finais
O que se tem a dizer sobre este item do trabalho, é que este artigo possui um caráter pouco conclusivo. Dizemos nessa parte que todo o trajeto para a construção do trabalho nos serve como reconhecimento de um caminho metodológico, mas, sobretudo, teórico e crítico que nos servirá para além deste artigo. Desse modo, tratar o Buen vivir como um “movimento de resistência” é apenas uma suposição levantada em campo e ventilada pelas teorias com as quais trabalhamos. Assim, o que se busca é dialogar sobre esta hipótese.




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* Panosso
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins IFTO. Palmas, Brasil