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Resumen de ponencia
MULHERES NO DESENVOLVIMENTO REGIONAL: PROJETO COLABORATIVO VINCULADO AO NÚCLEO DE PESQUISAS EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL, FURB, BRASIL

*Ivo Marcos Theis
*Luciana Butzke
*Vivian Brito



Muito do que se produziu e se praticou em nome do desenvolvimento da América Latina e no Brasil tem orientação eurocêntrica, masculina, hetero-patriarcal e branca. A história das mulheres e a história que elas desenharam têm sido invisibilizada e homogeneizada nas narrativas existentes. Saber e divulgar o que elas pensam e fazem é a intenção do projeto colaborativo que relaciona gênero, pensamento social, desenvolvimento e região.
O coletivo que elaborou esse projeto é composto por pessoas que estão vinculadas aos grupos de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade Regional de Blumenau, Brasil. O projeto nasceu no âmbito do Núcleo de Pesquisas em Desenvolvimento Regional. O Núcleo de Pesquisas em Desenvolvimento Regional consiste num espaço onde são compartilhadas atividades de ensino: graduação, pós-graduação, extensão e pesquisa. Nasceu no dia 10 de maio de 2000 a partir de um grupo de pesquisas interdisciplinares (GPI).
A intenção é apresentar o projeto colaborativo e os resultados parciais dos estudos em curso. Esperamos entrar em contato com outros grupos que contam com experiências nessas temáticas. Nosso projeto parte das seguintes questões: Que contribuições as mulheres trazem ao pensamento social e ao desenvolvimento regional na América Latina e no Brasil? Quem são essas mulheres? O debate sobre desenvolvimento e região aparece nas suas práticas e/ou produção acadêmica? Quais são suas inspirações? Que contribuições trazem para a teoria do desenvolvimento regional?
O objetivo principal deste projeto colaborativo é mapear e divulgar a contribuição das mulheres ao pensamento social regional e à teoria do desenvolvimento regional. Para tanto, vamos: (a) caracterizar as mulheres e seus lugares de fala; (b) analisar se suas reflexões e práticas contemplam a discussão sobre gênero, pensamento social, desenvolvimento e região; (c) identificar suas inspirações; (d) analisar comparativamente as concepções de gênero, pensamento social, desenvolvimento e região e possíveis contribuições à teoria do desenvolvimento regional.
Quanto ao método, estamos orientadas pelo método dialético/analético e a modalidade de pesquisa denomina-se “Estado da Arte”. Os resultados deste estudo serão disponibilizados nesta página e deverão ser publicados também em forma de artigos, a serem submetidos a eventos e periódicos. O mapeamento proposto visa identificar elementos novos no pensamento social regional. A tentativa é a de situar os olhares femininos em um contexto mais amplo, nomeadamente, no da discussão sobre teoria social e desenvolvimento, tendo como ponto de partida e de chegada a América Latina e o Brasil. O projeto colaborativo e seus resultados parciais se encontram no site mulheresnodesenvolvimentoregional.com
O que entendemos por gênero? pensamento social? desenvolvimento e região? Gênero é o termo utilizado para designar as relações sociais entre os sexos, é um conjunto de relações e não um atributo individual; e envolve relações de poder. O uso do termo “gênero” pode incluir o sexo, mas não é determinado por ele nem pela sexualidade. Seu uso faz parte da tentativa de enfatizar a incapacidade das teorias existentes de explicar as desigualdades entre homens e mulheres (Butler, 2003; Scott, 1995).
Torna-se necessário problematizar as categorias de gênero que sustentam as hierarquias e a heterossexualidade. A tarefa consiste em centrar e descentrar as definições de falocentrismo e heterossexualidade compulsória existentes em nossa sociedade. O reconhecimento da posição da mulher no desenvolvimento está intimamente ligado com a posição da mulher no sistema global de produção (Butler, 2003; Peet; Hartwick, 2015).
O pensamento social é um processo de reflexão da sociedade sobre ela mesma. O pensamento social engloba grandes temáticas relacionadas à formação da sociedade, diferentes formas de pensamento intelectual e artístico, diferentes culturas e formas de linguagem (Schwarcz; Botelho, 2011). Nele aparecem temas e perspectivas historicamente e espacialmente situadas, interpretações da cultura, sociedade, economia e política. Trata-se de uma história permanente movimento, de um país que se pensa e vai se construindo e reconstruindo nesse processo (Ianni, 2000).
O discurso do desenvolvimento, disseminado a partir da década de 1940, inculcou a ideia de que o modo de produção industrial e a acumulação de bens materiais são sinônimo de sucesso e qualidade de vida. O que se pensou e se fez em nome do desenvolvimento foi incluir territórios não capitalistas nos circuitos de acumulação de capital, transformar seres humanos em meros consumidores, camponeses em trabalhadores assalariados, bens naturais em commodities, propriedade coletiva em privada (Lang, 2016).
Definitivamente não é este o desenvolvimento que queremos para nossas regiões. De que concepção de desenvolvimento partimos? Por que? Para quê? Para quem? Considerando que os conceitos de desenvolvimento e região passam a significar o conhecimento e as experiências históricas que adotamos como referência. Os conceitos nos trazem muitos limites, mas sobretudo precisam nos trazer perguntas, textos e contextos (Butzke; Theis; Mantovanelli Júnior, 2017).
Convergimos também com as questões formuladas por Arlene Renk: “como se concebe a região? No que consiste essa ficção bem fundamentada chamada região? Quem faz a região? Como os grupos sociais ocupam as posições diferenciadas no espaço social? De que estratégias se valem?” (Renk, 2004, p. 7).
A ideia é romper com a reflexão e prática voltadas a experiências de desenvolvimentos alternativos em regiões limitadas por narrativas hegemônicas situadas no espaço e no tempo. Questionar os conceitos é um primeiro passo na reflexão e prática de alternativas de desenvolvimento e de alternativas a ficção chamada região.

REFERÊNCIAS
BUTLER, Judith. Problemas de gênero. Feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
BUTZKE, Luciana; THEIS, Ivo Marcos; MANTOVANELLI JÚNIOR; OKLINGER. Existe alguma região para desenvolver? Um questionamento desde o pensamento social latino-americano. Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional, v. 14, n. 2, 2018, p. 91-106. Disponível em: http://www.rbgdr.net/revista/index.php/rbgdr/article/view/3586/660. Acesso em: 24 mar. 2018.
Ianni, Octavio (2000). Tendências do pensamento brasileiro. Tempo Social; Rev. Sociol. USP, São Paulo, 12 (2), p. 55-74, novembro.
LANG, Miriam. Introdução: alternativas ao desenvolvimento. In: DILGER, Gerhard; LANG; Miriam; PEREIRA FILHO, Jorge (Orgs.). Decolonizar o imaginário. Debates sobre pós-extrativismo e alternativas ao desenvolvimento. São Paulo: Fundação Rosa Luxemburgo, 2016, p. 25-44.
PEET, Richard; HARTWICK, Elaine. Theories of development. Contentions, Arguments, Alternatives. 3ª ed. New York: The Guilford Press, 2015.
RENK, Arlene. Narrativas da diferença. Chapecó: Argos, 2004.
Schwarcz, Lilia Moritz; Botelho, André (2011). Pensamento Social Brasileiro, um campo vasto ganhando forma. Lua Nova, São Paulo, 82, p. 11-16.
SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, v. 15, n. 2, jul./dez. 1990, p. 71-98.




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* Theis
Universidade Regional de Blumenau. Blumenau, Brasil

* Butzke
Universidade Regional de Blumenau - FURB. Blumenau, Brasil

* Brito
Colégio Bertoni - Medianeira. Foz do Iguaçu, Brasil