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Resumen de ponencia
A ação sindical na temática ambiental: dilemas entre concepção e ação na mineração no Brasil e Peru

*Renata Belzunces Dos Santos



A questão ambiental vem ganhando espaços cada vez mais relevantes nas últimas décadas na agenda dos governos, partidos políticos, sindicatos, organizações não governamentais, movimentos sociais e empresas. A Conferência de Estocolmo, realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, pode ser considerada o marco recente do debate contemporâneo acerca da interação da humanidade com o meio em que vive.
Passados mais de 40 anos, a consciência da sociedade vêm sendo cada vez mais disputada sobre qual a melhor maneira de preservar, como reverter ou minimizar a degradação, quem responsabilizar pelos danos, assim como estabelecer práticas que permitam garantir o futuro das próximas gerações. O conflito ambiental passou a ser objeto de gestão e negociação entre as partes reconhecidas nesses processos.
A intensificação desse debate rapidamente incrementou a pesquisa social acerca do tema, assim como diversificaram-se abordagens metodológicas. A temática ambiental, sob a ótica desse projeto de pesquisa, ocorrerá associada à disputa de classes da sociedade capitalista. Consideramos que desde a definição do que seja uma questão ambiental ou um conflito ambiental, assim como as práticas decorrentes dessa constatação, estão relacionadas com a posição na sociedade de classes e o projeto de sociedade defendido por determinado grupo.
O capitalismo latino-americano tem especificidades que foram, e continuam sendo, examinadas a partir da constatação de que não logrou o mesmo “êxito” do capitalismo desenvolvido. De acordo com a corrente de interpretação estruturalista originada na Comissão Econômica para América Latina (CEPAL), em fins da década de 1950, o subdesenvolvimento latino-americano pode ser compreendido como uma realidade histórica específica, cujos resultados decorreram da difusão técnica moderna de maneira desigual em uma economia de escala mundial. O capitalismo latino americano enfrentou as dificuldades e consequências de constituir-se ao mesmo tempo em que os países de capitalismo avançado já haviam percorrido o caminho que os conduziram à indústria moderna
A coexistência de setores relacionados ao capitalismo avançado e setores pré-capitalistas já havia sido observada por intérpretes da realidade latino americana, desde o final do século XIX e início do século XX. Nessa situação o capital monopolista e a as relações pré-capitalistas estabeleceram um pacto conservador em que o desenvolvimento do primeiro não entra em conflito com o segundo
A tensão entre novos espaços de acumulação (lógica territorial) e o movimento ‘molecular’ e fluído do capital que não deseja imobilizar-se (lógica capitalista), conforme definidos por David Harvey, encontram um lugar na ‘geografia histórica’ do capitalismo reproduzindo as características da acumulação primitiva de Marx. São resultados da acumulação:
A expulsão de populações camponesas e a formação de um proletariado sem-terra, por exemplo, são comparáveis pela violência e pela sanha em liberar recursos (trabalho, água, terras, petróleo, etc.) à acumulação primitiva de séculos passados.
A acumulação por espoliação ocorre de maneira concomitante à reprodução expandida do capital que busca novos mercados A interação entre ambas formas de acumulação ocorre de maneira dialética, e esse movimento é de difícil reconhecimento. O movimento da reprodução ampliada de capital e da acumulação por espoliação não estão dissociados na atualidade, assim como a acumulação primitiva não esteve dissociada da formação do capitalismo nos países centrais.
A esquerda tradicional reconhece e atua no campo da reprodução ampliada de capital, através de seus partidos e sindicatos, enquanto tem dificuldades de atuar onde predominam os processos de acumulação por espoliação.
No campo da pesquisa social, os trabalhos que focalizam as questões ambientais, sobretudo o conflito ambiental, concentram-se em examinar as relações comunitárias, de vizinhança e os movimentos sociais (movimento sem-terra, sem-teto, atingidos por barragens, feministas, etc...). Esses são os chamados atores sociais mais comumente reconhecidos em torno do conflito ambiental. O papel do trabalhadores e a mediação social do trabalho raramente são abordados, essa constatação, ao nosso ver, revela uma importante lacuna nas pesquisas, visto que os grupos afetados são trabalhadores(as) em sua imensa maioria.
Com o objetivo de reabilitar o trabalho na pesquisa social de temática ambiental e, em especial, na investigação dos conflitos ambientais nossa proponência tem o objetivo de apresentar os resultados parciais da nossa investigação que delimitou a ação sindical no segmento econômico da mineração no Brasil e no Peru.




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* Belzunces Dos Santos
Programa de Pós-Graduação em Integração da America Latina . Universidade de São Paulo - PROLAM/USP. São Paulo, Brasil