O presente resumo traz um recorte da minha tese em desenvolvimento pelo Programa de Pós-graduação em Letras: Estudos Literários da Universidade Federal de Juiz de Fora.
Nessa pesquisa estamos abordando as Representações de Gênero da personagem feminina Mônica nos diferentes suportes de divulgação utilizados pelo cartunista Maurício de Sousa: Tirinhas, Revistas Turma da Mônica e Turma Jovem, Graphic Novel e as animações em 2D Turma da Mônica Toy.
Como sabemos há mais de cinco mil anos o ser humano utiliza-se da combinação de imagens e palavras como meio de expressão, porém, apenas no século XX, foi descoberta a História em Quadrinhos, com a criação do personagem Yellow Kid, pelas mãos do cartunista Richard Felton Outcault, autor e ilustrador de tiras de quadrinhos norte-americano.
Por meio dos quadrinhos se criou muitos ícones, dos super-heróis a amigos imaginários, de detetives a criaturas fantásticas, traduzindo as concepções de mundo e os hábitos e cultura de uma sociedade.
A importância da Mauricio de Sousa Produções na história dos quadrinhos brasileiros é fundamental. A partir dos quadrinhos da Turma da Mônica se formou uma gama de leitores e amantes da nona arte, além de toda uma formação do mercado de quadrinhos, principalmente infantis, cenário muito diferente de quando surgiram as Histórias em Quadrinhos, quando seu potencial era tido como subversivo para as crianças “padres e educadores acreditavam que gibis eram uma ameaça para jovens. Achavam que as crianças, por lerem histórias de crime e suspense, se tornariam psicopatas e assassinas” (SOUSA, 2017, p.11) e até mesmo ilimitadas, em se tratando de arte, e, se dependesse dos críticos poderiam até ter sido extinguidas, como cita Töpffer “... as histórias ilustradas, que críticos negligenciam e eruditos mal notam, têm tido grande influência em todas as épocas, talvez ainda mais do que a literatura escrita”. (TÖPFFER, 1845, apud MCCLOUD, 2005, p.201).
Em sua trajetória, Das Tiras ao Youtube, Maurício de Sousa empreendeu com muita persistência o projeto que impulsionou toda sua vida pessoal e artística e transformou-se no criador de centenas de personagens e milhares de histórias fazendo dos estúdios Maurício de Sousa Produções (MSP) um dos maiores do mundo, contrariando o cenário brasileiro nos anos 50. Na época o Brasil não tinha tradição nessa área, as tiras que faziam sucesso eram todas estrangeiras.
Em 1963 sua personagem de maior sucesso é criada. Mônica, inspirada em sua filha. Surgiu como personagem de menor destaque, nas tiras de Cebolinha, sendo que de imediato teve a empatia do público e sua primeira revista foi publicada em 1970, após sete anos de sucesso.
Após quase quatro décadas o criador da turminha lançou Turma da Mônica Jovem, que trouxe a passagem dos personagens da fase infantil para a fase adolescente, revolucionando o traço já conhecido e consagrado durante toda sua carreira, remetendo aos famosos mangás japoneses. Anos mais tarde, finalmente inicia-se a notória reinvenção da Mauricio de Sousa Produções, através da Coordenação Editorial de Sidney Gusman, é lançada no mercado as Graphics Novells e Mônica Toy, uma família de personagens em animação 2D, veiculadas no YouTube, voltada para o público juvenil e adulto. As características mais marcantes dos principais personagens da Turma da Mônica estão presentes nessa nova linguagem, com mais liberdade e humor.
Assim pretendemos nesse artigo discorrer como, ao longo de mais de 50 anos, nos mais variados suportes de divulgação, vem sendo apresentado o discurso, dentro da concepção feminista, da personagem aos seus leitores. Se podemos considerá-lo, em todos os seus suportes de divulgação, como um contra-discurso ao discurso hegemônico das representações de gênero e contribuir assim, para a luta da igualdade entre os Gêneros.
Para embasar nossa discussão utilizaremos obras dos teóricos em Quadrinhos Scott McCloud, Will Eisner, Waldomiro Vergueiro e as teóricas dos estudos feministas e de gênero Simone de Beauvoir, Judith Butler, Guacira Lopes Louro e Chimamanda Ngozi Adichie. Além de outros referenciais que podem surgir durante o caminhar.