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Resumen de ponencia
A inserção do Brasil no sistema internacional: uma relação estratégica com a América do Sul

*Talita Martinelli



Este trabalho deriva de nossa pesquisa de mestrado e propõe uma análise do sistema internacional levando em conta a importância que uma região apresenta para um país pertencente; todavia, quando colocada em sua amplitude a localização estabelece uma relação estratégica, tanto do ponto de vista das relações políticas quanto econômicas. Sendo assim, a partir de uma visão estratégica, buscamos analisar de que forma o país se volta para a região tanto no sentido de inserção na América do Sul quanto com a intenção de projeção no sistema a partir da região, considerando a gestão do Governo Lula e as diretrizes da política externa brasileira voltada para o espaço sulamericano.
Ao analisar as diretrizes da política exterior do Brasil para o espaço sul-americano podemos pensar como a região integrada apresentaria um peso significativo na projeção internacional do país. Portanto, nos atentamos para a importância da inserção regional do Brasil na América do Sul, assim como, a possibilidade de maior projeção do Brasil e dos países vizinhos no sistema internacional a partir de uma região integrada, em nossa concepção, trabalhamos com integração em diversos níveis para além do econômico e comercial, mas também integração política, física, energética, social e cultural. Nesta linha, Guimarães (2005) acredita ser necessário um continente sul-americano coeso e integrado para dar maior poder de inserção no sistema mundial, lidar melhor com as vulnerabilidades externas e conquistar uma posição melhor na divisão internacional do trabalho. Para avaliarmos o significado da América do Sul na política exterior do Brasil realizamos um breve levantamento histórico da formulação e princípios desta política externa, assim como Moniz Bandeira (2008) e Santos (2005) registram o peso que a região sul-americana apresentou desde o início da elaboração e atuação da política externa brasileira, no entanto, observam-se que em nenhum momento o Brasil excluiu completamente o conceito das dimensões latino-americana, muito útil em diversos casos, principalmente quando se remete a valores culturais, sociais e lingüísticos. Ressaltamos no decorrer do trabalho a necessidade de compreender as características da região sulamericana e quais os aspectos que nos aproximam e outros que nos afastam de nossos vizinhos, pois, essa compreensão e sensibilidade com as diferentes realidades e elementos contribuiriam para elaboração de uma política externa voltada mais para o desenvolvimento nacional e regional e fortalecimento deste espaço. Embora a integração com os países da América do Sul tenha sido colocada em prática de forma mais ativa na primeira década do século XXI, está prevista na Constituição Brasileira de 1988 o direcionamento específico das relações internacionais do país, em que o parágrafo único do art. 4º formaliza que o Governo brasileiro trabalharia de encontro à integração do continente.
Ao ter em vista a política internacional do Brasil em relação à América do Sul como estratégia de inserção no sistema internacional, requer maior compreensão da dinâmica internacional, desta forma, partimos da perspectiva de que o sistema internacional é formado principalmente por Estados que mantém relações entre si, sem desprezar as ONGS, agências internacionais e megaempresas; tais relações são mediadas por diferenças de forças e disputas por espaço e poder. Acompanhando as formulações de Mathias (2015) a respeito da concepção do sistema internacional sob a dinâmica de relações centro e periferia, cabe esclarecer que a partir do século XIX, com a consolidação dos Estados nacionais no sistema internacional, bem como do capitalismo em suas fases concorrencial e monopolista, considera-se que as relações entre Estados acontecem de maneira dinamizada pela dicotomia entre aqueles que ocupam posição central, por acúmulo de poder e riqueza, e aqueles que ocupam posições que circundam o centro, portanto, periféricos. Desta maneira, tal sistema é visto como permeado por disputas de poder, disputas hegemônicas e relações de forças.
Ao ter em vista a concepção de um sistema permeado por relações assimétricas, consideramos que a estrutura de poder político e econômico se organiza na dinâmica das relações entre países centrais e países periféricos, marcado por dominações, constitui um cenário de disputas hegemônicas no plano internacional. Neste contexto, o Brasil se localiza na América do Sul e atualmente se apresenta na condição de potência média e país periférico, no entanto, a sua inserção se retrata mais ou menos subalterna e dependente de acordo com a dinâmica das relações entre os países desiguais.




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* Martinelli
Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Universidade Estadual de Maringá - CCHLeA/UEM. Maringá, PR, Brasil