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Resumen de ponencia
SILENCIAMENTO: VOZES VELADAS NA SUBALTERNIDADE

*Caroline Francielle Alves



Este artigo tem como objetivo refletir sobre as condições de silenciamento das pessoas em situação de rua. Para refletirmos sobre essa questão, partirmos de um diálogo com a proposta de Gayatri Chakravorty Spivak (2010), em seu ensaio Pode o subalterno falar? E, também, nos baseamos nas teorias de interação verbal, dialogismos (BAKHTIN, 2003, 2009) e condições de instauração de comunicação (BOURDIEU, 1996). Além disso, nos pautamos nos estudos de Quijano (2005), para compreendermos o contexto histórico da colonização e suas influências para condição de pobreza extrema no Brasil. Para problematizar as questões apresentadas, foram realizadas entrevistas de narrativa de vida com quatro pessoas em situação de rua. As entrevistas foram realizadas na casa de atendimento à população em situação de rua – Centro Pop – e em uma em casa de reabilitação para pessoas em estado de mendicâncias, ambas instituições estão localizadas em Goiás. Nesses locais, são distribuídos alimentos, roupas e cobertores para as pessoas que estão em situação de rua. No horário de distribuição de alimentos as pessoas em situação de rua entrevistadas, nos narraram suas histórias de vida. Essas narrativas, juntamente com o diário de campo, compõem o corpus de análise desse trabalho.
As narrativas das pessoas em situação de rua nos indicam que esses indivíduos são sistematicamente silenciados, nesse contexto, constatou-se um ‘desabafo’ dessas pessoas em relação ao não poder de fala. Assim, esses indivíduos subalternizados são silenciados, impedidos de falar de si e por si mesmo. Concordo com a pesquisadora indiana Spivak (2010) que necessitamos combater o silenciamento que está intricadas nas classes sociais minoritárias, dentre essas minorias silenciadas se encontram a população em situação de rua.
Dessa forma, entendemos que a língua está relacionada às relações de poder que são estabelecidas culturalmente e socialmente, determinando lugares sociais a partir do qual o indivíduo pode ou não falar, e quando fala se pode ou não ser ouvido. Figueiredo (2010, p. 87) questiona: “Os subalternos poderão falar em um mundo que não lhes dá o direito à voz?” Esse autor afirma que não, pois esses indivíduos são esquecidos; são colocados à margem do poder. A indiana Gayatri Spivak em seu livro Pode o subalterno falar? usa o termo subalterno para se referir aos indivíduos sem autonomia, sem direito de fala e escuta. Sendo assim, esses “estão situados nas camadas mais baixas da sociedade constituídas pelos modos específicos de exclusão dos mercados, da representação política e legal, e da possibilidade de se tornarem membros plenos no estrato social dominante” (SPIVAK, 2010, p. 8). Sendo assim, os indivíduos subalternizados “se refere à perspectiva de pessoas de regiões e grupos que estão fora do poder da estrutura hegemônica” e, consequentemente, “do pensamento hegemônico” (2010, p. 84).
Nesse contexto, estão inseridas as pessoas em situação de rua que estão fora do poder da estrutura hegemônica, e que nessa sociedade capitalista são simplesmente esquecidos por qualquer instância de poder e de representação. Esses indivíduos não conseguem lugar de fala na sociedade e nas poucas oportunidades que possuem, buscam denunciar as injustiças sociais que lhes são impostas. Suas falas são perpassadas por acontecimentos de violência, medo, frio, fome e morte. Esse silenciamento ao qual o indivíduo subalternizado está imerso é usado pela classe dominante para manutenção da dominação. Por isso, os estudos sobre grupos que estão à margem de poder são de suma importância, já que a representação dos grupos minoritários está atravessada pela hierarquia opressora dominante (CARVALHO, 2010, p.120) que os silenciam, marginalizam e os excluem.
Nesta pesquisa assumimos uma postura ético-política explícita, construindo um espaço de fala para pessoas em situação de subalternização, bem como um espaço de denúncia das injustiças sociais a que essas pessoas estão sujeitas.





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* Alves
Universidade Estadual de Goiás UEG. Anápolis, Brasil