Print Friendly and PDF



Resumen de ponencia
O poder do Kirchnerismo e os militantes do La Cámpora

*Anderson Sabino Da Silva



Durante os anos dos governos Kirchnerista, foram produzidas mudanças significativas nas formas de mobilização e nas experiências organizativas de boa parte dos movimentos sociais e políticos na Argentina, independente das posições adotadas pelos governos de Néstor Kirchner (2003-2007) e de Cristina Kirchner (2007-2015), os espaços para a militância política e social passaram por diversos modelos de organização e estratégias, que em alguns casos, assumiram a pauta do governo. Assim neste período, criaram-se grupos com posições favoráveis, que mantinham uma capacidade de organização e apoios as medidas praticadas pelos governos Kirchner, construindo um projeto de uma organização militante e ativa, no bojo destes grupos se destaca o movimento La Cámpora. (VÁZQUEZ, 2012) No período do governo de Néstor Kirchner, por ocasião de protestos que ocorriam na Plaza de Mayo, no qual em grande número a juventude foi manifestar nas ruas o seu descontentamento com a política, cria um fato que desperta a atenção de Néstor Kirchner, primeiramente pelo número de jovens nas ruas e pelo fato de que muitos dos jovens eram filhos de desaparecidos da ditadura (1976 - 1983), membros da organização dos direitos humanos, outros eram filhos dos Montoneros – uma organização guerrilheira de esquerda que promoveu uma luta armada nos anos 70 – dentre eles haviam militantes universitários e de movimentos sociais, fato que cria uma empatia, visto que Néstor sempre militou. Diante destes fatos e da conjuntura de atuantes políticos dentro da sociedade argentina, Néstor Kirchner observou neste grupo de jovens uma possibilidade de estabelecer um elo entre os jovens e seus pais; assim, ele chama os jovens militantes para uma conversa com o intuito de garantir o apoio nas suas políticas de governo e a fim de manter presente a ideologia, ou seja, o seu projeto de poder. Para Mario Della Rocca (2014, p. 25) colocava-se em prática o que Néstor disse: “No quireo ser el último de lo viejo, sino el primero de lo nuevo”, caracterizava-se assim a necessidade de se fazer uma mudança na geração política, que segundo o autor é contaminada por vícios que a faziam atuar como uma corporação, se desprendendo desta maneira das demandas da sociedade e submetendo as grandes corporações nacionais e internacionais, neste sentido a constituição de um movimento que levasse a frente seus ideais era politicamente muito importante. Como meio de exercer um controle do movimento La Cámpora, Néstor Kirchner faz de seu filho Máximo Kirchner um membro/fundador influente do movimento, cujo papel é escolher os novos integrantes do La Cámpora, embora sua posição de liderança permaneça invisível. O movimento La Cámpora – que hoje já possui grande solidez dentro do contexto político e social da Argentina – tem o seu nascimento como já evidenciado dentro do governo de Néstor Kirchner que mantinha um laço muito próximo com a juventude Kirchnerista, fator este que vem a culminar quando ele recebe uma homenagem da família de Héctor J. Cámpora onde houve a entrega de seus atributos presidências a Néstor. É neste momento de grande simbolismo que ocorre o nascimento do La Cámpora, como específica a carta publicada no site do movimento. Este ato contribuiu para aumentar o apoio de diversos jovens com diferentes idades, que mantinham ideais de participação política e transformações sociais onde viviam e no restante do país, mantendo uma militância para evidenciar que é necessário, construir “una respuesta acerca de qué es el kirchnerismo- no representa un mero diagnóstico, sino que explicita una de las tareas o propósitos de la agrupación. Más precisamente de algunas de las áreas de la misma –como la Secretaría de Formación Política- en las que la militancia está puesta en función de aportar a la construcción de este relato histórico. O, como sostiene el referente citado anteriormente, “hacen política desde la conceptualización”. Un conjunto de actividades realizadas en el marco de dicha Secretaría giran en torno a esta cuestión tanto en lo referido a la organización de charlas abiertas y seminarios de formación, como también en la realización de módulos de formación temáticos que son elaborados por activistas de la Secretaría para la formación de otros militantes. También la realización de notas por parte de los militantes, publicadas tanto en producciones para difusión realizadas en la revista de La Cámpora, como en otras a través de las cuales se busca aportar a la elaboración de este discurso sobre la historia reciente.” (VÁZQUEZ, 2012. p. 4) O secretário geral do La Cámpora Andrés Larroque, em entrevista concedida a revista La Cámpora , afirma que o movimento é a expressão do retorno da juventude na política, com perspectivas de pensá-la como um espaço amplo de militância e recuperar valores reprimidos, ou seja, um movimento que faça com que o jovem se engaje novamente e saia para as ruas reivindicando os seus direitos, este espaço de militância tem como propósito principal afirmar os ideais daquilo que denominam como o “Projeto Nacional”, que tem sua expressão no modo de governar dos governos Kirchner. O movimento La Cámpora tem como um de seus princípios estabelecer a sua presença em todo o país, para criar um canal de comunicação entre os poderes centrais e suas bases com trabalho específico na juventude nas universidades e nas escolas, locais apontados como fornecedores de campo intelectual para a disseminação dos ideais do movimento e criar um campo favorável para o reforço de um movimento nacional. A inserção dentro e no controle de diversas áreas do Estado tem seu início a partir do governo Kirchner (VÁZQUEZ, 2014), onde ocorre a convocação de dirigentes de grupos que apoiam o governo para atuar como funcionários públicos dentro do governo, neste momento o La Cámpora (principal apoiador do Kirchnerismo) insere diversos representantes dentro da estrutura governamental. O processo de incorporação dos militantes dentro do governo, modifica ou melhor ressignifica a figura do militante, para passa a exercer a militância e o trabalho dentro da esfera pública, deste modo a sua representação/ativismo que era exercida somente em seu bairro, se converte por meio do seu trabalho em gestão pública, sua inserção dentro da esfera do governo cria uma ponte entre a “rua e o Estado”. Esta estreita relação entre a militância e o Estado, principalmente com a incorporação dos quadros mais importantes do movimento La Cámpora na política e no governo Kirchnerista, cria uma dúvida acerca do papel da militância, pois na sua formação o caráter de ativismo político frente as políticas econômicas e sociais implementadas pelos Estado, deixam de ter a crítica visto que a militância combativa passa a ter como novo foco a sua inserção nos quadros do governo. A atuação do movimento La Cámpora, desta maneira como já evidenciado atua como o maior expoente militante do Kirchnerismo, desta maneira serve ao governo como um propagador dos pressupostos das políticas Kirchneristas, presente nos diversos setores do Estado. É ferramenta importante atualmente para a recondução da Cristina Kirchner na disputa pela vaga no Senado Nacional e o retorno do projeto político de poder Kirchnerista. A evocação deste movimento nacional e o seu ressurgimento nos Kirchners, vem da leitura de que são eles os novos expoentes das políticas que eram adotadas por Perón, ou seja, o renascimento de um novo movimento busca uma ligação com o peronismo clássico, mas que tem como fiel condutor de suas ações enquanto movimento político o projeto Kirchnerista de poder, que olha para estes jovens, como um meio para ampliar a sua força e renovação política. Como lema “La Fuerza de la juventud, la Fuerza de um pueblo”, como forma de manter esta unidade o movimento realiza convenções nas províncias para articular a forma de atuação do movimento. A relação militante do movimento La Cámpora e o Estado – Kirchners – é profunda e tem no governo de Cristina Kirchner o maior contingente dentro de funções de direção no governo, a inclusão dos membros no poder vem no sentido de garantir a renovação dos quadros da juventude que mantem os ideais Kirchneristas. Mesmo que o número não seja expressivo, demonstra que o movimento La Cámpora possui potencial político, pois pouco mais de sete anos após sua formação o movimento já se constituía como um dos maiores da Argentina. Cabe também evidenciar que a relação carnal (parafraseando Domingos Cavallo, quando explicava a relação da Argentina com os Estados Unidos) que o Kirchnerismo foi o grande trampolim para elevar o movimento ao nível de mobilização que possui atualmente. O La Cámpora, O La Cámpora, movimento que é constituído dentro do governo Kirchner, se revela a militância Kirchnerista com a atuação em diversas frentes, trabalha desta forma para viabilizar o projeto de poder Kirchnerista, de modo que a articulação dos Kirchners enquanto uma hegemonia dominante atua com a suas forças para manter o La Cámpora como o seu mais forte aliado e dentro das diversas esferas do Estado.




......................

* Sabino Da Silva
Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Universidade Estadual de Maringá - CCHLeA/UEM. Maringá, PR, Brasil