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Resumen de ponencia
O feminismo acadêmico e sua articulação social – Um estudo dos casos UFSC e UDESC

*Ana Cláudia Pinheiro



A própria ideia de movimento feminista sofreu alterações no decorrer da História. Começou “una” e hoje podemos falar de vários feminismos. Os movimentos feministas por si são um movimento social crítico. Colocam em questão o status quo e mediam transformações sociais a partir de suas desconstruções. Porém, um movimento social, por mais crítico que seja, acompanham as ideias de seu tempo, alguns esmorecem, outros ganham fôlego e acabam por criar atritos ou gerar uniões com novos grupos. As ações de movimentos feministas ocorrem em diversas frentes, mas o pensamento feminista é essencialmente acadêmico e carrega, em seu cerne, as características socioculturais dos participantes deste meio. Então, nesse ínterim, temos a Universidade, berço do conhecimento de uma sociedade e, sua atividade última, deveria ser a de promover uma mudança social. Os eixos que estruturam a Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade do Estado de Santa Catarina são: pesquisa, ensino e extensão. De que forma as pesquisas feministas estão promovendo mudanças sociais a partir do eixo “extensão”?
Partindo da reflexão de Alison Wylie, a pesquisa feminista se divide em dois grandes modelos: um “coletivista” e outro de “auto-estudo”. O primeiro teria a preocupação de trazer “o objeto de estudo” para uma reflexão coletiva do próprio trabalho da pesquisa, o que poderia de alguma forma, ter como consequência negativa, uma certa imposição das atitudes do movimento feminista nas mulheres estudadas. O segundo modelo se distancia do seu objeto de estudo, a pesquisadora ou pesquisador faz seu trabalho de reflexão sozinha ou sozinho e pode sofrer a crítica de que não desperta nas pessoas envolvidas com o trabalho, dúvidas, reflexão ou questionamentos sobre as relações sociais. Temos então um paradoxo que é próprio do nosso tempo. Partindo do entendimento que o pesquisador ou pesquisadora é "não-isento", ou seja, que o distanciamento pode ser usado como método, mas não como sinônimo de neutralidade, perguntamos: qual caminho o feminismo acadêmico contemporâneo está trilhando?
O propósito desta pesquisa é conhecer a articulação dos movimentos, grupos e núcleos feministas de duas Universidades públicas no Estado de Santa Catarina (UFSC e UDESC): quem participa, quais são suas parcerias, com quem dialogam, quais frentes de atuação promovem, quais intersecções com a sociedade, para que possamos analisar qual orientação de pesquisa a academia catarinense está desenvolvendo, e se, em certa medida, estamos promovendo um afastamento social de base – de forma generalizante – dos ideais feministas. De um lado, sendo coletivistas, podemos negar as escolhas de vida das mulheres ou dando uma “reflexão pronta”, a ponto de existir mais “catequização” feminista (de um tipo de feminismo) do que uma “conscientização” feminista. E de outro, quando nos distanciamos, sob o receio de intervir, deixaríamos de fazer militância, passando para trás a oportunidade de trazer pessoas para o movimento.
O objetivo geral é entender quais dos dois modelos as práticas de pesquisas universitárias estão desenvolvendo e analisar quais as possíveis consequências sociais da intervenção ou falta dela no cotidiano das mulheres.
Para atingir o objetivo deste trabalho, será feito a) um levantamento dos coletivos, movimentos, grupos e núcleos de pesquisa com a temática feminista nas Universidades Públicas (UFSC e UDESC) da cidade de Florianópolis identificando suas linhas de pesquisa; b) Categorização nos dois modelos de Alison Wylie os trabalhos desenvolvidas por estes centros de acordo com a metodologia aplicada de cada pesquisa; c) Levantamento dos eventos acadêmicos que aproximam a comunidade acadêmica da não-acadêmica e se existem resultados publicados.
A hipótese é de que existem ambos modelos nos centros de estudos, mas que não são “modelos puros”. Também será considerada como hipótese a de que os feminismos acadêmicos estão bem distantes da realidade social e, mesmo quando trabalham com o modelo coletivista, não conseguem gerar reflexão no público não-acadêmico.

Referências
FRANCHETTO, Bruna; CAVALCANTI, Maria Laura V. C.; HEILBORN, Maria Luiza. “Antropologia e feminismo”. Perspectivas Antropológicas da Mulher, Rio de Janeiro: Zahar, v. 1. p. 11-47, 1981.
GARCIA, Marco Aurélio. “O gênero na militância: notas sobre as possibilidades de uma outra história da ação política”. Cadernos Pagu, n. 8/9, p. 319-342, 1997.
GOLDENBERG, Mirian. “Mulheres e militantes”. Revista Estudos Feministas, v. 5, n. 2, p. 349- 364, 1997.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. “A violência social sob a perspectiva da saúde pública”
SARDENBERG, Cecília M. B. “Feminismo no Brasil atual e atuante”. Acessado em 12/04/2018 em: http://brasileiros.com.br/2010/06/feminism o-no-brasil-atual-e-atuante/
WYLIE, A. “Reasoning About Ourselves: Feminist Methodology in the Social Sciences”. IN: A. Martin & L. McIntyre (ed.), 2001.




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* Pinheiro
Universidade Federal de Santa Catarina UFSC. Florianópolis, Brasil