O atual artigo surgiu a partir da experiência de colaborar junto ao Grupo de Facilitadores do 17º Fórum Social Mundial que aconteceu no Brasil, no ano de 2018.
A atual conjuntura de crise social, desemprego e precarização, fome, criminalidade, redução de investimentos públicos, sucateamento da educação, da saúde e da segurança pública é semelhante ao cenário que vivi no 1º Fórum Social Mundial, que aconteceu no ano de 2001, em Porto Alegra (RS). Naquela época o FSM, através do lema, “um outro mundo é possível”, propunha discutir e lutar contra o neoliberalismo, a (re)colonização (nas palavras de cientista social peruano Anibal Quitano), o imperialismo e, sobretudo, as desigualdades sociais provocadas pela Globalização. Foram discutidos quatro grandes eixos: a) a produção de riquezas e a reprodução social; b) o acesso às riquezas e a sustentabilidade; c) a afirmação da sociedade civil e dos espaços públicos e d) poder político e ética na nova sociedade. Um dos principais objetivos do fórum foi fazer oposição ao Fórum Econômico de Davos (que acontece desde 1974) organizado por empresas multinacionais que discutem anualmente, controlam a economia mundial e garantem a expansão do neoliberalismo.
A organização do FSM se dá de forma horizontal e autogestionada, tendo um Conselho Internacional e Escritórios/Coletivos de organizadores de diversas partes do planeta, de forma que as decisões e tomadas de decisão aconteçam de forma coletiva e democrática.
Participei no 1º FSM como ouvinte nas atividades propostas, ainda estudante de sociologia, e contribui no 17º FSM como voluntária, já como docente de sociologia. Contribui no Grupo de Voluntariado que se reunia na sede baiana da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Como voluntaria quis colaborar com a formação política das voluntárias e voluntários que seriam responsáveis pela realização, logística e funcionamento do FSM.
De uma forma geral a formação do voluntariado contou com a participação de pessoas que faziam parte de ONG, sindicatos, centrais sindicais, instituições acadêmicas e movimentos sociais, entretanto, neste texto, apresento o recorte que corresponde apenas a minha contribuição na formação política. Com esse objetivo realizei uma pesquisa e transformei em dados comparativos o contexto político econômico do Brasil nos fins dos anos 90 e começo do ano 2000 e do atual período, especificamente entre 2017 e 2018, ocasião que vivíamos um processo de golpe parlamentar-midiático-jurídico no Brasil. Dois momentos de intensa austeridade e políticas neoliberais.
Apresento o primeiro ponto comparativo, a seguir:
No primeiro período, 2001, acontecera o 1º Fórum Social Mundial, ocasião em que eu era estudante da Universidade Federal da Bahia, na Licenciatura em Ciências sociais, e vivia a incerteza em relação a minha futura profissão e atuação como docente, pois naquele ano discutia-se no Ministério da Educação a um projeto de Lei que propunha a retirada da disciplina Sociologia como componente curricular obrigatório do ensino médio na formação escola brasileira. Meses depois a Lei de Diretrizes e Bases assinalava a retirada da obrigatoriedade da disciplina como componente curricular. E na atualidade, que assistimos através de Medida Provisória um reforma no Ensino Médio, que revoga novamente a retirada da obrigatoriedade da disciplina sociologia como componente curricular (que havia sido incorporada ao currículo do ensino médio em 2006).
De maneira geral, se passaram 17 anos, vivemos momentos de políticas neoliberais e de políticas progressistas, entretanto ao comparar os dois período tive a impressão é que não saímos do lugar! Continuamos garantindo, de forma subserviente, às nações centrais riqueza e opulência. A mesma insegurança que assolava trabalhadores e trabalhadoras, a incerteza de crescimento e a presença de crise/recessão econômica se faz presente, junto ao temor do desemprego e até o medo de se articular e ser criminalizado!!!
Ao pensar nessa infeliz coincidência me motivei a pesquisar e escreve esse breve relato comparando os dois contextos cingidos pela lógica capital neoliberal.