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Resumen de ponencia
QUESTÕES DE GÊNERO E SUAS IMPLICAÇÕES NA FORMAÇÃO DE LIDERANÇAS

*Zuleika Leonora Schmidt Costa



QUESTÕES DE GÊNERO E SUAS IMPLICAÇÕES NA FORMAÇÃO DE LIDERANÇAS

Palavras-chave: Formação de liderança; gênero; vida adulta feminina; carreira.

Este artigo propõe-se a investigar o quanto as questões de gênero abordadas nas instituições de ensino são relevantes para a formação de liderança feminina. A metodologia do estudo foi observação e aplicação de um questionário a 54 alunos do curso técnico de Administração, de uma escola privada na cidade de Gravataí, região metropolitana da Grande Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A liderança nas diversas áreas precisa ser exercida sem distinção de gênero e sem barreiras para ascensão profissional. Todas as pessoas têm o direito a uma realização pessoal e profissional. Porém, nem sempre esse direito universal de igualdade é vivenciado em instituições escolares. Assim, há necessidade de formar líderes no sentido mais amplo da palavra, como sujeitos capazes de liderarem-se a si mesmos, com valores e atitudes que contemplem todas as pessoas. Nesse contexto, a ideia de cooperação precisa ser incentivada pelos docentes desde sempre em todos os níveis da educação e abrangendo todos os gêneros. Afinal, pessoas são diferentes e por isso podem olhar assuntos por diversos ângulos, que se complementam em prol de objetivos comuns. Salienta-se que em cursos de administração, e outros que tratem a liderança como conteúdo em sua disciplina, essa visão de contemplar os diferentes gêneros, precisa ser a base para as aulas. A interdisciplinaridade escolar também pode abarcar essa ideia, com a cooperação entre professores para estimular os estudantes na busca pelo autoconhecimento e, consequentemente, no incentivo para o desenvolvimento das potencialidades inerentes ao um líder de sua vida, como iniciativa e persistência por objetivos. Isso inclui todos os gêneros, sendo relevante trabalhar nas escolas o quanto o estímulo à liderança contribui para a redução das desigualdades de gênero. Assim, é pertinente discutir, em diversos momentos na sala de aula, sobre as barreiras que a mulher encontra ao longo de sua vida para exercer cargos de liderança. A vida adulta, entendida neste texto, é delimitada em três fases, conforme Mosquera (1987): adulto jovem, meia-idade e adulto tardio. Na fase juvenil, existe a entrada no ambiente do trabalho, obrigatória para o homem e opcional para mulher em nossa sociedade. Outra característica desse momento é a maternidade, que, diferentemente da paternidade, requer a interrupção na vida profissional e a mulher decide se deseja voltar a trabalhar após o nascimento dos filhos. Já na meia-idade muitas mulheres voltam ao mercado de trabalho, onde os homens com a mesma faixa etária já estão consolidados. Por fim, na velhice a expectativa de vida das mulheres é maior e a viuvez acontece como mais um desafio a ser enfrentado, bem como a responsabilidade pelo sustento. Esses momentos da vida têm características diferentes para os gêneros, afetando o desenvolvimento profissional. A liderança de si mesma está presente ao longo da vida das mulheres de forma diferente da dos homens. Os aspectos da vida feminina precisam ser considerados para um visão mais completa e ancorada na realidade de liderar tanto na vida pessoal quanto profissional. Dessa forma, existe urgência em compreender as implicações da formação de lideranças que abranjam o universo feminino com sua complexibilidade e possibilidades. A formação que aborda as questões de gênero se reflete na vida das pessoas e na sua atuação em diversas áreas ao longo da vida. Nesse contexto, os professores precisam entender o quanto eles podem contribuir para formar pessoas mais ativas e solucionadoras de problemas, enfatizando, constantemente, a necessidade de abolir preconceitos. Os resultados obtidos mostram a aceitação da ideia de formar líderes, contextualizando os desafios e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres ao longo da carreira. Os pesquisados afirmaram que os professores são capazes de desenvolver o espírito empreendedor e de liderança nos estudantes. Assim sendo, entende-se que as instituições de ensino, especialmente com seu corpo docente, têm a responsabilidade de abordar o assunto da liderança de forma ampla, considerando as diferenças de gênero e suas implicações na carreira.
Referências
CARREIRA, Denise (Org.). Mudando o mundo: A liderança feminina no século XXI. São Paulo: Cortez; Rede Mulher de Educação, 2001.
DYCHTWALD, Maddy; LARSON, Chiristine. Trad. Maria Lúcia de Oliveira. O poder econômico das mulheres. Entenda como a independência feminina pode influenciar o mundo positivamente. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
MOSQUERA, Juan José Mouriño. Vida adulta: personalidade e desenvolvimento. 3. ed. Porto Alegre: Sulina, 1987.
MOSQUERA, Juan José Mouriño. As ilusões e os problemas da vida adulta. Porto Alegre: Sulina, 1979.
PAPALIA, Diane; OLDS, Sally; FELDMAN, Ruth. Desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed, 2006.




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* Schmidt Costa
Centro Universitário Cenecista de Osório - UNICNEC. Osório, Brasil