O policiamento se apresenta hoje como uma das questões centrais da Segurança Pública, em seus mais variados âmbitos. Tanto pela efetividade prática quanto pela relação direta com os indivíduos policiados, o policiamento se destaca enquanto objeto de estudo em potencial para a sociologia e para o campo da Segurança Pública. Ainda que tendo sido bastante estudado nas últimas duas décadas, principalmente, os problemas atualmente vigentes no empreendimento da atividade policial revelam que ainda há muito que se estudar e compreender sobre este fenômeno social.
As unidades de policiamento especializado com cães possuem campo de ação bem delimitado, funções específicas e, normalmente, trabalham sob demanda. Para atender estas especificidades estas unidades possuem cursos de formação específicos para seus quadros de pessoal e organização e logística de trabalho também específicos. Em relação às suas funções, as principais são a detecção de substâncias (principalmente narcóticos e explosivos), o auxílio em rondas ostensivas e a busca e captura de indivíduos em áreas de risco ou de difícil acesso, na policia militar, e de busca por pessoas vivas ou mortas em locais inacessíveis fisicamente, no corpo de bombeiros.. Além disso, frequentemente estas unidades policiais se fazem presentes em eventos sociais como apresentações públicas, exposições e feiras de animais, como estratégia para aproximar a sociedade civil do trabalho policial.
Segundo Muniz & Paes-Machado, pela natureza política do policiamento seu estudo permite melhor compreensão sobre os dispositivos e meios de coerção social e seus efeitos (MUNIZ & PAES-MACHADO, 2010). Assim, permite também uma análise mais ampla em relação à realidade da segurança pública no Brasil, tornando-o objeto com potencial para estudo sociológico.
Práticas policiais não podem substituir modelos e políticas de segurança pública em sua totalidade (SOARES, 2007), mas seu estudo pode contribuir para a compreensão de elementos como prioridades estabelecidas, demandas sociais e formas de controle social que sejam típicas da sociedade em questão. O estudo de formas de policiamento permite observar também a relação entre a polícia e o restante da sociedade, que recebe seus serviços, pois o debate acerca do policiamento remete aos contatos que a polícia estabelece com a sociedade (BAYLEY, 2002), sendo o principal meio de relação e contato direto entre os dois, impactando diretamente então na formação da opinião pública e das representações sociais dos indivíduos em geral sobre a polícia e seu trabalho.
Amparado pelas produções da sociologia da violência, da conflitualidade e da segurança pública, e dando prosseguimento a pesquisa iniciada durante o mestrado, este trabalho busca contribuir para a compreensão da atividade policial enquanto fenômeno social plural e multifacetado, a partir da analise comparativa deste tipo de policiamento em duas unidades policial: O canil do Corpo de Bombeiros e o canil da Policia Militar do Distrito Federal.
O Batalhão de Policiamento com Cães da Polícia Militar do Distrito Federal (BPCães), inicialmente Pelotão de Policiamento com Cães (CPCães), foi criado em 10 de março de 1971 como unidade da Companhia de Operações Especiais (COE), oficializando um trabalho que já ocorria dentro da PMDF desde 1968. Em 1999, o Pelotão de Policiamento com Cães se tornou Companhia de Policiamento com Cães e posteriormente, em junho de 2011, a partir do Decreto do Governo do Distrito Federal nº 31.7935, se torna Batalhão de Policiamento com Cães. Assim se tornou o primeiro Batalhão de policiamento com cães dentro das policias militares de todo o Brasil.
O canil do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal faz parte da equipe terrestre do Grupamento de Busca e Salvamento. Atualmente conta com 12 bombeiros e 11 cães, e realiza o trabalho de busca de pessoas vivas ou mortas em áreas de desastre e acidentes. Alem disso, os bombeiros participam de missões internacionais em situações de grande desastre natural.
Os dados foram colhidos em entrevistas e grupos focais com policiais e bombeiros destas unidades mencionadas acima, em visitas aos canis e no acompanhamento de treinamentos e instruções sobre o policiamento com cães que foram ministradas no ano de 2018, e analisados a partir das noções de segurança cidadã e de reconhecimento.
Bibliografia
BAYLEY, D. H. Padrões de Policiamento: uma análise comparativa internacional. São Paulo: EdUSP, 2002.
MUNIZ, J. & PAES-MACHADO, E. Polícia para quem precisa de polícia: contribuições aos estudos sobre policiamento. Caderno CRH, Salvador, v.23, n. 60, 2010.
SOARES, L. E. A política nacional de segurança pública; histórico, dilemas, e perspectivas. Revista preleção, v. 1, p. 47-74, 2007.