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Resumen de ponencia
Grupos financeiros latino-americanos: conexões com os Estados Unidos

*Ary Minella




Grupos financeiros latino-americanos: conexões com os Estados Unidos.

1] A existência de grupos econômicos é um fenômeno amplo e central no capitalismo contemporâneo. A literatura tem destacado sua importância como agentes privilegiados das operações econômicas em esfera global e sua influência direta ou indireta sobre as políticas governamentais. Constituídos por empresas que operam em diferentes setores da economia e articulam capitais diversos, quando integrados por instituição financeira, especialmente quando esta constitui seu núcleo central, podem ser identificados como grupos financeiros.
Uma análise preliminar dos quinze maiores bancos privados latino-americanos (sede na região), tomando como referência o ano de 2014, indicou que pelo menos dez deles, localizados em cinco países, podem ser considerados como grupos financeiros. Em pesquisa em andamento intitulada “Grupos financeiros latino-americanos no século XXI: perfil econômico e sociopolítico comparado” que elabora um perfil econômico e sociopolítico comparado de alguns desses grupos levando em conta os seguintes aspectos: i) a estrutura acionária; ii) as relações com o Estado e os processos políticos; iii) a participação em organizações de representação de classe; iv) as relações com os trabalhadores e v) seus vínculos com organizações de caráter político-ideológico, especialmente think thanks. Para a análise selecionou-se um grupo de cada país: Itaúsa (Banco Itaú Unibanco, Brasil), Grupo Saieh (CorpBanca, Chile), Grupo Romero (Banco de Crédito do Peru), Grupo Antioqueño (Bancolombia, Colômbia) e Grupo Banorte (Banco Mercantil do Norte, México). O enfoque adotado enfatiza o grupo financeiro enquanto um locus de acumulação e poder, inserido em estruturas e conjunturas econômicas, políticas e sociais dotadas de especificidades.
Entre os procedimentos metodológicos utilizados neste projeto mais amplo destacamos a pesquisa bibliográfica e documental, e a Análise de Redes Sociais, com software Ucinet 6. Consideramos os dados mais recentes disponíveis com limite no ano de 2014. As fontes principais incluem: Documentos e dados de órgãos estatais, dos grupos financeiros, das Bolsas de Valores, bancos de dados empresariais e publicações especializadas. A pesquisa iniciou em março de 2015 e sua conclusão está prevista para fevereiro de 2019.

2] O presente trabalho apresenta um recorte desta pesquisa com foco nas conexões que se estabelecem entre as empresas e organizações de diversas naturezas dos Estados Unidos e os grupos financeiros mencionados anteriormente, delimitando o estudo a dois deles: o Itaúsa (Banco Itaú Unibanco, Brasil) e Grupo Banorte (Banco Mercantil do Norte, México).
No período em análise, a holding Itaúsa (Investimentos Itaú - grupo Itaú), além do Banco Itaú Unibanco e várias outras empresas financeiras, controlava também empresas dos ramos de eletroeletrônicos, materiais de construção e decoração, tecnologia de informação, madeira, móveis, papel, informática, química e petroquímica, algumas das quais estão entre as maiores de seus respectivos ramos.
No México, o Banco Mercantil do Norte (Banorte), vinculado ao Grupo Financeiro Banorte, passou para controle privado no processo de privatização dos bancos em 1992, e seu principal acionista é o grupo industrial Gruma, controlado pela família Barrera que, com significativa presença de capital estrangeiro, é considerado um dos maiores produtores mundiais de alimentos, com plantas industriais distribuídas em vários países.

As conexões são identificadas especialmente a partir de três dimensões que foram consideradas no perfil dos grupos financeiros: i) a estrutura de controle e participação acionária e a composição dos ativos de cada grupo; ii) a participação comum em organizações de representação de classe; iii) vínculos comuns com think thanks nos países onde as empresas dos grupos atuam.
Na primeira dimensão, de natureza marcadamente econômica, considera-se como relevante a existência de uma ou mais das seguintes formas de conexão: i) Participação acionária cruzada – ações nominais e preferenciais -, entre os grupos financeiros e empresas norte-americanas; ii) Participação de fundos de investimentos sediados nos Estados Unidos em empresas dos grupos financeiros; iii) Endividamento das empresas dos grupos com instituições financeiras privadas dos Estados Unidos; iv) operações dos grupos no mercado norte-americano, incluindo a cotação em bolsa de valores daquele país.
As duas outras dimensões, de natureza sociopolítica, levam em conta a existência de um ou mais espaços de participação comum de empresas e organizações norte-americanas e dos grupos financeiros latino-americanos, entre os que se mencionam a seguir: i) Cúpula Empresarial, evento paralelo à Cúpula das Américas que reúne chefe de Estado e governo do continente; ii) Câmara Americana de Comércio (U.S.Chamber of Commerce - AMCHAM) e as Câmaras Americanas de Comércio existentes nos países onde os grupos financeiros atuam; iii) Participação comum em think thanks localizadas nos países onde os grupos atuam, especialmente aquelas com reconhecida participação ou influencia empresarial ou ainda que tenham financiamento do National Endowment for Democracy (NED) e/ou do Center for International Private Enterprise (CIPE). Estas duas últimas organizações são entidades privadas, mas financiadas pelo governo dos Estados Unidos, e atuam no exterior em parcerias com organizações locais, de acordo com os interesses estratégicos do governo e das corporações daquele país.
Considerando-se o tempo para exposição no evento, delimita-se a apresentação a análise das conexões que se realizam na primeira dimensão mencionada.






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* Minella
Universidade Federal de Santa Catarina UFSC. Florianópolis, Brasil