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Resumen de ponencia
O LULISMO NA TELONA: UM ESTUDO SOBRE A REPRESENTAÇÃO DAS MUDANÇAS SOCIAIS DOS GOVERNOS PETISTAS NO CINEMA BRASILEIRO

*Paulo Rodrigo Lopes



O Lulismo, experiência do Partido dos Trabalhadores (PT) no executivo federal, promoveu uma série de mudanças sociais, políticas e econômicas, as quais impactaram na configuração das relações societárias no Brasil. Evidência disso foi a implementação de uma política econômica que promoveu a valorização do salário mínimo, a expansão dos postos de trabalho, a ampliação da linha de crédito para aposentados e pensionistas, e o decorrente aquecimento do mercado interno (SINGER, 2012). Concomitante aos processos citados, o Estado inovou ao promover políticas com o intuito de enfrentar a pobreza e a desigualdade social. A criação do Programa Bolsa Família (PBF), a promoção de cotas de acesso às universidades públicas, o Programa Universidade Para Todos (PROUNI), o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), o financiamento popular de moradias (Programa Minha Casa, Minha Vida) e a Lei Complementar nº 150/2015 (PEC das domésticas) são exemplos de intervenções do Estado que promoveram, de certo modo, alterações na ordem das relações sociais. A implementação deste conjunto de ações logrou êxito pois, entre outras conquistas, reduziu a fome, o desemprego e ampliou a escolaridade, sobretudo das camadas mais pobres da população brasileira. Tais reconfigurações no perfil social brasileiro ganharam cena na realização fílmica nacional que, historicamente, tem cumprido um papel fundamental na construção do Pensamento Social sobre o Brasil. Nesse sentido, o presente texto objetiva compreender como tais modificações foram representadas na realização fílmica nacional, a partir de duas obras contemporâneas: “Casa Grande” (2015), de Fellipe Gamarano Barbosa, e “Que Horas Ela Volta?” (2015), de Anna Muylaert. As duas películas ocupam posições privilegiadas dentro da filmografia recente por abordarem questões suscitadas a partir da experiência político-social supracitada, mobilizando as tensões que deram forma às relações entre classes no País. Aqui cabe destacar que este conflito não se aporta apenas no quesito econômico, sendo a distinção de classes composta também de uma dimensão cultural, heranças simbólicas (valorativas e emocionais) passadas de pais para filhos (BOURDIEU, 2011). Outro componente fundamental do “fazer cinematográfico” no Brasil é a sua contribuição para a representação do povo brasileiro. Nessa perspectiva, ambas as produções aqui elencadas para análise tomam corpo nos dramas íntimos de personagens que encarnam as condições dos ricos, das camadas médias e dos pobres, quais sejam: empregadas domésticas, estudantes de escolas públicas, empresários, etc. As obras escolhidas assumem centralidade por exporem representações sobre uma dinâmica que se aprofundou fortemente nos últimos anos. O pleito eleitoral de 2014, o contexto de profunda crise político-econômica de 2015 e o processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff em 2016 compuseram o pano de fundo no qual disputas acirradas entre grupos sociais e partidários pautaram discursos emblemáticos acerca da composição social brasileira. Com a polarização política, a sociedade demonstrou opiniões divididas acerca das transformações advindas das políticas sociais e tomadas de decisão econômica. Vale ressaltar que essa divisão esteve presente durante todo a implementação dessas políticas públicas, mas o processo agudizou-se com o desgaste da experiência petista no poder. O procedimento teórico-metodológico aqui exposto compreende que a análise interna da obra de arte é também o estudo da estrutura do espaço social no qual se situa seu autor (BOURDIEU, 1996). Partir da compreensão bourdieusiana de uma sociologia das obras culturais é tomar um caminho analítico no qual o processo de socialização (os atravessamentos dos campos e posições que os agentes ocupam, e as relações com outros agentes no decorrer de suas vidas) determina sobremaneira a constituição da obra de arte. Deste modo, o percurso metodológico estabelece quatro eixos: eixo 1 – a recuperação de uma bibliografia que analisa o Lulismo, suas ações políticas e as reverberações nas relações sociais no Brasil; eixo 2 – o levantamento de uma literatura que se se debruça sobre a estruturação e as características que configuram o campo de realização cinematográfica no Brasil; eixo 3 - a decomposição dos filmes em partes menores, a fim de realizar interpretações dessas unidades dramáticas à luz da teoria sociológica; e eixo 4 – a análise de entrevistas com os diretores das obras que compõem o corpus analítico do projeto.




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* Lopes
Universidade Federal do Ceará UFC. Fortaleza, Brasil