O presente estudo tem como objetivo geral compreender o modelo de internacionalização e a expansão do cooperativismo agropecuário brasileiro. As discussões a respeito do cooperativismo já são comuns nas diferentes esferas acadêmicas, como uma das consequências das mudanças na relação entre trabalho e emprego ao longo dos anos. Acredita-se que as iniciativas presentes no cooperativismo agropecuário poderão facilitar a inserção do Brasil frente aos diversos mercados e, consequentemente, essas sociedades conseguirão melhorar as condições de bem-estar social, principalmente, frente a um mercado cada vez mais competitivo. Contribuindo assim, com a visão brasileira sobre o desenvolvimento agropecuário, que muitas vezes, ainda persiste na dicotomia entre rural versus urbano, ao contrário do que ocorre em outros países, que já aproximam essas realidades para a construção de políticas públicas conjuntas.
A Comissão Econômica para a América Latina - CEPAL, em um estudo realizado em 1989, já apontava que era importante que o cooperativismo fosse um consenso latino-americano, e ainda que o movimento cooperativo por si só não pode se tornar um agente de mudança, mas tem um papel importante a desempenhar no campo do desenvolvimento econômico e social (CEPAL, 1989). Por exemplo, o próprio Mercado Comum do Sul - MERCOSUL também estabeleceu esta discussão como uma das métricas de seu desenvolvimento e, a partir de 2009, criou o Estatuto de Cooperativas do MERCOSUL apresentado na Reunião Especializada de Cooperativas do MERCOSUL – RECM, aprovado pelo Parlamento do MERCOSUL em 2009.
Para tanto, o desenvolvimento a partir de uma perspectiva furtadiana, tende a ser interpretado por suas estruturas, sujeitos e agentes cruciais, provocando reações às decisões, em um contexto histórico em aberto, contingente, à espera de forças sociais que lhe deem conteúdo e sentido e consigam construir caminhos específicos e independentes, determinados em sua específica riqueza cultural e também de vias plurais e alternativas de desenvolvimento (FURTADO, 1980).
Bresser-Pereira (2008), ressalta que as mudanças tecnológicas e de divisão do trabalho, que ocorrem com o aumento da produtividade, são acompanhadas também de mudanças em relação às instituições, à cultura, e às próprias estruturas básicas da sociedade, porém, no entanto, desenvolvimento econômico não é o mesmo que desenvolvimento da sociedade como um todo, sendo esse, um dos fundamentos da discussão proposta nesta pesquisa.
Todavia, o estudo, não ignora as fragilidades inerentes à dependência do agronegócio, mas, contraditoriamente, opta-se por centralizar o enfoque em relação à inserção internacional da economia brasileira a partir da comercialização de bens deste setor, considerado ao longo de diversos ciclos econômicos, como essencial à balança comercial. Pois no Brasil, o setor agrícola é responsável por quase 25% do Produto Interno Bruto – PIB e também por cerca de quase 50% das exportações nacionais, sendo que apenas nas últimas duas décadas, o país aumentou a produção de grãos em 250%, exigindo inovações na área (BOLFE, 2018).
Além disso, as cooperativas agropecuárias, figuram entre as cinquenta maiores empresas em receita de exportação, segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB (2017), sendo que as características socioeconômicas dessas organizações podem apresentar indicadores que auxiliam a interpretar quais são os fatores relacionados ao desenvolvimento endógeno do país, e ao mesmo tempo, identificar quais são as estratégias de intercooperação comercial, produtiva e tecnológica entre cooperativas, que podem ser abarcadas como um novo plano para o aumento da competitividade frente aos desafios intrínsecos da globalização.
Entretanto, os desafios e os avanços destas iniciativas ainda não foram mensurados de maneira concreta. Dessa forma, acredita-se que a discussão acerca das empresas cooperativas do Brasil é relevante, tendo em vista que os empreendimentos desse segmento poderiam buscar inserção em países limítrofes e poderiam aproximar-se da agenda política de integração brasileira por necessariamente relacionarem-se ao desenvolvimento local e consequentemente, aproximação de interesses comuns.
Em relação à metodologia de pesquisa, a abordagem será quantitativa e qualitativa e ainda, quanto ao objetivo da pesquisa, a abordagem classifica-se como exploratória. Também será considerada uma investigação descritiva, utilizando-se dois procedimentos de coleta de dados: pesquisa bibliográfica e estudo multicaso. Optou-se por utilizar a análise de conteúdo de Laurence Bardin (2004), através de pré-análise: a partir da compilação das informações, estudo bibliográfico e com identificação dos principais produtos e mercados explorados pelas cooperativas agropecuárias brasileiras; descrição analítica: através da exploração do material, elaborar a categorização sobre o corpus, para elencar as categorias de conteúdo; e ainda, interpretação do referencial: elaborar o tratamento dos resultados, inferência e interpretação, já que será nesta fase que ocorre a síntese e seleção dos resultados. A partir da coleta de informações, busca-se agrupar os dados obtidos e elaborar a relação com as categorias de conteúdo. Como resultados parciais, a partir da organização dos dados obtidos, considera-se possível elencar uma categoria de análise, que se concentra na internacionalização das cooperativas agropecuárias brasileiras através de seu processo de expansão e, também se identifica que cooperativismo brasileiro poderá contribuir ao desenvolvimento do país. Ressalta-se que este estudo integra uma pesquisa de doutorado em andamento, que tem o intuito de investigar a coordenação das ações para o desenvolvimento do cooperativismo Brasileiro.