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Resumen de ponencia
Um modelo de think tank educacional: a Rede Latino-americana pela educação (Reduca)

*Ana Claudia Pinheiro
*Leticia Fiera



O plano de investigação neste artigo tem como objeto investigar a participação de atores privados no ensino público latino-americano. Partimos da concepção de que o papel do Estado, ao longo dos anos, sofreu alterações. As mudanças ocorridas nas relações entre o público e o privado que ocorreram em um contexto de crise estrutural do capital (MÉSZÁROS, 2011, p. 3) que, a partir de suas estratégias de superação, como neoliberalismo, visou instituir na administração das escolas públicas, um padrão de gestão em parceria com grupos econômicos.
As diferentes manifestações da privatização da educação pública brasileira através das parcerias público-privadas se evidenciam através dos contratos de gestão, termos de cooperação, PPPs (Parcerias Público-Privadas), que formam “quase-mercados”, em que a propriedade permanece pública, mas o conteúdo da gestão é privado. Compreendemos o Estado como histórico, concreto, de classe e, nesse sentido, Estado máximo para o capital, uma vez que, no processo de correlação de forças em curso, é o capital que detém a hegemonia.
O artigo orienta-se pela reflexão acerca de grupo de empresários e instituições financeiras que se organizaram e se articularam para incidir nas tomadas de decisões em matéria de política educativa. A Rede Latino-americana pela Educação – Rede REDUCA - está articulado com o setor empresarial privado de quatorze países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru e República Dominicana). Isto evidencia as determinações econômicas das políticas educacionais pela crescente investida do setor privado através das novas formas de organizações (redes e organizações não-governamentais) encontradas pelo capital a fim de encontrar sua reprodução e, dessa forma, modernizar o sentido da Educação.
Considerando um espectro de opção política que vai desde a austeridade econômica à concessão de benefícios sociais à população de baixa renda, quaisquer medidas de alto impacto social requerem um mínimo de popularidade para serem aceitas sem reivindicações. É melhor quando surgem como um desejo social e não como a imposição de pequenos grupos, assim, ganha ares de legitimidade. Os think tanks, instituições que tem em sua definição um campo em disputa pelo meio científico, seriam os responsáveis pela elaboração de ideias que efervescem a tomada de decisões no meio político. Trata-se de um campo de estudo emergente, com quantidade moderada de bibliografia disponível, escassa principalmente nas línguas latinas, e, geralmente, trata-se de trabalho feito principalmente por profissionais dos campos de conhecimento: relações internacionais, história, economia e administração. O fato de mobilizarem milhões de dólares para manter suas funções (McGann, 2007, p. 9) já é por si, dado suficiente para despertar curiosidade sobre o tema em todas as áreas, das sociais aplicadas às humanidades. Um dos conceitos de think tanks (em tradução literal “tanques de pensamento”), - às vezes chamados de observatórios de informação - é a de organização que estuda e divulga conhecimento de forma a influenciar políticas públicas.

No desenvolvimento metodológico, procedemos ao levantamento e análise de fontes primárias (documentos oficiais, institucionais e relatórios) e secundárias (pesquisas e produções já desenvolvidas sobre o tema). Neste artigo, abordaremos o Relatório do Seminário Internacional sobre Privatização na Educação, organizado pela Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (CLADE) e Open Society (2012), e o Relatório Privatisation in Public Education, de Stephen Ball e Deborah Youdell (2008), o relatório da UNESCO (2015), de Meszaros (2011, 2005), Harvey (2011, 1995), Chesnais (2004, 1996) sobre as contribuições para a compreensão do capitalismo contemporâneo.
Além disso, utilizaremos a metodologia de análise de redes sociais (ARS). A análise de redes sociais, ou network analysis (SNA), é um método desenvolvido para a análise de dados relacionais, que são aqueles em que o pesquisador está interessado em analisar os laços, contatos, vínculos, conexões que unem indivíduos entre si. O termo rede pode ser compreendido não somente como um agrupamento de instituições, mas também como forma e estrutura de organização e funcionamento. No entanto, é necessário considerar que o conceito de rede tem vários enfoques. Na etimologia, refere-se ao entrelaçamento de fios que estabelece uma trama, malha ou tecido. Atualmente, diferentes áreas do conhecimento têm se utilizado da concepção de rede a partir da noção de estrutura reticulada. Assim, o conceito de rede enquanto sistema de laços realimentados, originário da área biológica, está na base da teoria das organizações que o utiliza abordando as diversas formas de interação e relacionamento entre grupos sociais/indivíduos num dado contexto. Dessa forma, é a partir desse caminho que tem se utilizado a perspectiva de rede para o estudo das organizações como redes sociais, ou seja, ligadas por um tipo específico de relação social.




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* Pinheiro
NÚCLEO DE ESTUDOS SOCIOPOLITICOS DO SISTEMA FINANCEIRO - NESFI. Florianopolis, Brasil

* Fiera
NÚCLEO DE ESTUDOS SOCIOPOLITICOS DO SISTEMA FINANCEIRO - NESFI. Florianopolis, Brasil