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Resumen de ponencia
PENSAMENTO EDUCACIONAL NA AMÉRICA LATINA: PERSPECTIVAS CURRICULARES E PEDAGÓGICAS DOS MOVIMENTOS NEGROS NO BRASIL E NA CÔLOMBIA

*Carla Aparecida Silva



O estudo apresentado é na perspectiva comparada visando examinar políticas curriculares considerando uma dinâmica que envolve os Movimentos Sociais Negros no Brasil e na Colômbia a partir de suas propostas de intervenções no campo educativo, um exercício de pensar e a entender como se deu o processo de colonização e escravização na América Latina e seu impacto na construção da nossa identidade enquanto afrodescendentes. A América Latina está inserida no conjunto de regiões do mundo, onde a Diáspora Africana se consolidou, neste caso, importa agregar novas possiblidades de investigação nesse percurso de disputa epistemológica. Identidade pode ser entendido como “uma construção histórica”, e a da América Latina foi marcada pela conquista, expropriação, genocídio e escravidão, tendo em vista o projeto universal civilizatório, aniquilando toda história e cultura das populações que foram escravizadas e subalternizadas. Para além do registro histórico nocivo a formação da identidade individual, a colonização irá constituir outros aspectos da identidade coletiva ou identidade nacional. Nesse sentindo podemos entender que a racionalização foi o organismo que estruturou a categoria de classificação social, que organiza as relações de poder e as posições que os indivíduos ou os grupos mantem na sociedade a partir dos conceitos de raça, gênero e trabalho. Dos espaços de disputas e de representações, pensar o campo de Currículo se torna fundamental e urgente, a compreensão de outros movimentos curriculares, nos leva as seguintes questões: quais os interesses que estão presentes nas escolhas de determinados conteúdos, as disputas por representações sociais, os currículos diferenciados, as relações simbólicas de poder, as políticas curriculares, as hierarquias epistêmicas, hierarquias linguísticas e hierarquias étnico-globais. A luta decolonial tem em si várias perspectivas, uma delas é pelo reconhecimento e pelo direito de ser diferente, uma dinâmica que exige caminhar em outra direção. A urgência por outros espaços de aprendizagens e de políticas de reconhecimento para a população negra latina americana é devido as condições de desigualdades, preconceito racial, que a população vem sofrendo ao longo do tempo, dados apontam que os afrodescendentes são os que mais sofrem com o preconceito e a discriminação racial, a condição étnico-racial é um dos fatores estruturante das desigualdades sócias na América Latina. A opção por uma pesquisa comparada, nos desfia a pensar, ver e sentir muito mais além do lugar que eu estou, apresentar as experiências de lutas e resistências dos movimentos afro-brasileiro e afrocolombiano me colocam no espaço de disputa por outras educações, outros sentidos de existir, outras educações que emergem de pedagogias decoloniais. Pensar em práticas educativas a partir de pedagogias alternativas possibilita a escola se deslocar do lugar fixo moderno/ colonial/ europeu e entender que o processo de subalternização produziu a invisibilidade epistêmica dos povos indígenas e africanos vindo a resultar numa injustiça curricular, que precisam ser compensadas e recuperadas. O sentido de pedagogias decoloniais tem significado um deslocamento, o não fixo, um pêndulo, fazendo uma analogia com o Movimento Negro, que vem no tempo histórico fazendo diferentes deslocamentos, porém fixado na luta contra o racismo e as desigualdades raciais. Deslocamentos políticos, sociais, pedagógicos, que permite avançar na luta pela existência. A relevância da pesquisa surgiu das nossas observações empíricas como educadora e pesquisadora, a compreender a dimensão política e educativa do movimento negro em defesa de uma existência própria histórica e cultural, por entender que o racismo tem sido uma das principais razões das disparidades raciais e sociais em toda América Latina, o acesso da população afrodescendentes as oportunidades educacionais, profissionais, sociais e políticas, compreendendo que o campo do currículo é atravessado pela disputa de poder regido pela lógica do pensamento da matriz moderna/colonial.
A hipótese inicial é que as pedagogias decoloniais tenham sido originadas de uma memória coletiva ancestral que as comunidades indígenas e africanas viveram no período da colonização e da escravização. A experiência da colonização foi capaz de silenciar essas comunidades em toda sua forma de organização social, cultural, espiritual e assim silenciou também suas pedagogias, que vem sobrevivendo durante todos esses anos de maneira clandestina, por esses movimentos.
A proposta considera uma pesquisa empírica qualitativa, tendo como material de análise leis, decretos, estatutos, livros, cadernos, coletâneas e periódicos de obras impressas ou digitalizadas, de fontes de arquivo pessoais, bibliotecas, bancos de dados, endereços eletrônicos, home page e sites. A pesquisa tem como principal referência as teorias da Educação para as relações étnicorraciais e o objetivo é compreender de que forma as Políticas Educacionais no Brasil e na Colômbia se alinham em termos de suas respectivas propostas pedagógicas para pensar a educação étnico-racial e do grupo Grupo de Estudos e Pesquisas Formação de Professores, Currículo (s), Interculturalidade e Pedagogias Decoloniais (GFPPD).





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* Silva
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO UNIRIO. RIO DE JANEIRO, Brasil