O presente trabalho é parte das reflexões da pesquisa de tese em sociologia, a qual se encontra em andamento. E tem como objetivo geral contribuir ao campo de discussão contemporâneo sobre as transformações nas políticas públicas urbanas na América Latina. Para tanto, propõe analisar o processo político emergente expresso na nova agenda urbana internacional configurada em torno da noção de "resiliência urbana". Essa metáfora, que originalmente foi cunhada no campo disciplinar da física, tem progressivamente adentrado nos repertórios discursivos e de ações das agências internacionais para o desenvolvimento. Associada, em grande medida, aos temas da urbanização, globalização, mudanças climáticas e desastres naturais, a noção de resiliência aparece como uma orientação normativa global desejável para a produção de políticas urbanas locais. Nesse sentido, proliferam-se relatórios, campanhas e projetos de financiamento internacional para que os governos locais adotem "uma visão de resilência" na gestão urbana. Coo consequencia, na última década, diversos acordos foram firmados entre agências internacionais e governos locais de cidades latino americanas. A rápida difusão dessa agenda assim como a importância que adquire ao propor mudanças na forma de governar o urbano, nos traz a problemática sobre o que, afinal, significa resiliência urbana? Partindo de uma perspectiva crítica focada na dimensão de poder - tal qual discutido por Michel Foucault -, aborda-se a produção discursiva que tem legitimado esta nova agenda urbana internacional e, particularmente, explora as relações entre as orientações normativas do norte global e as apropriações locais do sul global. Este objetivo é alcançado pela análise do conteúdo de um conjunto de documentos formulados por atores na escala
internacional com o objetivo de guiar a construção da resiliência urbana local. Ressalta-se que todos são parte de projetos em andamento que envolvem a adesão de governos latinoamericanos a agenda global da resiliência urbana.
O presente trabalho é parte das reflexões da pesquisa de tese em sociologia, a qual se encontra em andamento. E tem como objetivo geral contribuir ao campo de discussão contemporâneo sobre as transformações nas políticas públicas urbanas na América Latina. Para tanto, propõe analisar o processo político emergente expresso na nova agenda urbana internacional configurada em torno da noção de "resiliência urbana". Essa metáfora, que originalmente foi cunhada no campo disciplinar da física, tem progressivamente adentrado nos repertórios discursivos e de ações das agências internacionais para o desenvolvimento. Associada, em grande medida, aos temas da urbanização, globalização, mudanças climáticas e desastres naturais, a noção de resiliência aparece como uma orientação normativa global desejável para a produção de políticas urbanas locais. Nesse sentido, proliferam-se relatórios, campanhas e projetos de financiamento internacional para que os governos locais adotem "uma visão de resilência" na gestão urbana. Coo consequencia, na última década, diversos acordos foram firmados entre agências internacionais e governos locais de cidades latino americanas. A rápida difusão dessa agenda assim como a importância que adquire ao propor mudanças na forma de governar o urbano, nos traz a problemática sobre o que, afinal, significa resiliência urbana? Partindo de uma perspectiva crítica focada na dimensão de poder - tal qual discutido por Michel Foucault -, aborda-se a produção discursiva que tem legitimado esta nova agenda urbana internacional e, particularmente, explora as relações entre as orientações normativas do norte global e as apropriações locais do sul global. Este objetivo é alcançado pela análise do conteúdo de um conjunto de documentos formulados por atores na escala internacional com o objetivo de guiar a construção da resiliência urbana local. Ressalta-se que todos são parte de projetos em andamento que envolvem a adesão de governos latinoamericanos a agenda global da resiliência urbana.