Resumo
Este constructo busca levantar reflexões para o conflito nas relações de poder que permeiam a sociedade e se refletem no espaço escolar. O poder do discurso é exercido por todos e em todas as relações sociais. Algumas vezes esse poder é explícito e intencional, outras é de forma implícita e encoberta por justificativas de cunho ético, religioso, político e/ou cultural. Aos poucos, os jovens adolescentes percebem o poder exercido pelas várias instituições sociais sobre eles e suas decisões de vida. Inicialmente, essas considerações são feitas por eles no âmbito familiar onde surgem questionamentos sobre a autoridade das pessoas mais velhas da família. No espaço escolar não é diferente, o adolescente, questiona e repele a autoridade de professores e gestores, indagando constantemente as regras impostas e a posição de poder dos adultos que gestem o espaço escolar, mas sem conseguir estabelecer um diálogo crítico-construtivo com os adultos. Essa situação de confronto torna, muitas vezes o convívio difícil, tanto no âmbito familiar quanto no espaço escolar. Em algumas situações mais críticas, os discursos feitos pelos adultos e rebatido pelos adolescentes não convergem para um ponto de diálogo, tornando o impasse causa de danos psicológicos e até mesmo físico para os adolescentes que se deixam envolver por jogos perigosos que circulam na internet e/ou por amizades pouco confiáveis, por não conseguirem lidar com a situação imposta pelos adultos. Porém, não são apenas os familiares e professores que exercem domínio sobre eles, também o apelo constante ao consumismo que circula em propagandas e comerciais nas diversas mídias de comunicação influenciam na sua formação enquanto indivíduo social. Trago como aporte teórico os autores Foucault (1999) que fala sobre a ordem do discurso e Castells (1999), bem como Moran (2013) para dialogar sobre as novas tecnologias e os discursos mediológicos. A presente pesquisa tem como objetivo entender se os jovens têm consciência do poder exercido sobre eles pelos meios de comunicação e por discursos socioculturais e compreender se tais influências condicionam as suas escolhas. Este trabalho parte da premissa de que muitos problemas vivenciados no espaço escolar ocorrem devido às transformações vividas pelos adolescentes, que buscam uma identidade e são constantemente bombardeados por informações e pouco instruídos sobre o papel e a influência dos meios de comunicação. Essas inquietações e contra poderes frente aos poderes que lhe são impostos podem decorrer de mudanças na forma de pensar e se posicionar na sociedade, esse conflito interno gera comportamentos muitas vezes agressivos e austeros no confronto com o outro. Nesse propósito, o estudo e a observação serão realizados com alunos do 9º ano (3ª fase do 3º ciclo) em uma escola da rede estadual de ensino, situada na periferia da cidade de Rondonópolis-MT. Esta investigação terá uma abordagem qualitativa e quantitativa, embasada na pesquisa-ação de Thiollent (2011), onde o investigador estará observando e atuando no grupo pesquisado, sopesando as angústias e anseios dos adolescentes. Anseia-se que a investigação contribua para o desenvolvimento dos adolescentes que estão caminhando para a vida adulta e profissional, trazendo pontos de reflexão sobre o “ser” e o estar consciente na sociedade contemporânea também propondo sugestões para amenizar o conflito do poder e do contra poder na busca da própria identidade enquanto sujeito construtor da sua realidade.
Palavras-chave: Discurso. Poder mediológicos. Adolescentes. Espaço escolar.
Referências
BOURDIEU, Pierre. Escritos de Educação. Petrópolis: Vozes, 1998.
BRANDÃO, Helena H. N. Introdução à análise do discurso. 2. ed. Campinas: Ed. UNICAMP, 2004.
CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. Tradução de Klauss Brandini Gerhardt. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
MORAN, José Manoel. Novas tecnologias e mediações pedagógicas/ José Manoel Moran, Marcos T. Masetto, Marilda Aparecida Behrens. 21. ed. Campinas: Papirus, 2013.
THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011.