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Resumen de ponencia
Fotografando com a Mídia Ninja: pensando a construção de imagem em manifestações

*Nathália Schneider



Esse trabalho tem como objetivo apresentar uma reflexão a cerca da produção de imagem, sobretudo fotográfica, da Mídia Ninja em contextos de conflitos, como manifestações e protestos. A Mídia Ninja (narrativas independentes, jornalismo e ação) é um grupo brasileiro de comunicação independente, que surgiu em 2013 e tem sua origem no Fora do Eixo, Fora do Eixo, que é uma rede organizada tanto em espaços online quanto off-line, articulados com movimentos sociais, culturais, urbanos, rurais, indígenas, feministas, negros, LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e trangêneros), entre outros, principalmente, mas não apenas do Brasil O grupo tornou-se mundialmente conhecido durante as chamadas Jornadas de Junhos de 2013, período de levantes populares em centenas de cidades brasileiras, ao produzir uma cobertura – radicalmente posicionada – das manifestações e protestos “de dentro” dos mesmos, sobretudo pelas transmissões ao vivos realizadas através do celular smartphone. Sendo assim, os integrantes da Mídia Ninja se colocavam também como participantes das manifestações e protestos, ou seja, ativistas. Os casos de prisão e de detenção pela Polícia Militar colocaram esse posicionamento ao extremo. Diferentemente da chamada mídia tradicional, os veículos de comunicação independente estavam produzindo narrativas, sobretudo imagens, a favor dos militantes e manifestantes.
Os veículos de comunicação independente ou alternativa, geralmente, são formados por jornalistas ou mídia ativistas, ou seja, eles não se propõem a uma suposta e pretensa neutralidade. Uma das principais características da mídia livre, como também são chamados os veículos de comunicação independente, é a oposição à imprensa tradicional, ou seja, a elaboração de contra narrativas, procurando libertação, assim como subversão dos discursos dominantes. Dessa forma, também são caracterizados pela luta e demanda por políticas públicas de comunicação, como as rádios comunitárias, e uma regulamentação da imprensa brasileira, principalmente das concessões de rádio e televisão, contestando o monopólio da mídia brasileira por algumas poucas famílias. Os integrantes desses grupos se representam como politizados e se consideram ativistas, mais precisamente, mídia ativistas ou midialivristas, categoria na qual eu também me incluo por ter uma vivência direta com um veículo de comunicação independente: a Mídia Ninja. Explico: antes de começar meu empreendimento etnográfico com a Mídia Ninja, eu já participava e integrava a mesma, enquanto militante da democratização da comunicação e fotógrafa midialivrista, ou seja, participo das coberturas de protestos enquanto uma produtora de contra narrativas.
Isto posto, situo a minha perspectiva etnográfica inserida na crítica pós-colonial e na crítica feminista, principalmente do feminismo pautado pela diferença, proponho um estudo posicionado, na qual ocupo o papel ambíguo de pesquisadora e militante. O conhecimento deve ser situado possibilita a construção de alianças ao me posicionar, ao mesmo tempo em que sou posicionada, nas relações com seus interlocutores. Para além de concepções simplistas de empatia e engajamento político, o que essa perspectiva envolve é a necessidade de situar os saberes a partir de uma objetividade corporificada e responsável, explicitando a agência dos sujeitos e interlocutores na construção das relações, mas sem invisibilizar as hierarquias de poder presentes. Portanto, utilizando do meu local privilegiado como uma integrante do grupo e fotógrafa, procuro observar a partir da Mídia Ninja como as imagens são construídas.
Dessa forma, parto aqui da discussão sobre produção de imagens, sobretudo o campo de discussão que se centra na fotografia em contexto de conflito. Tal discussão preconiza, entre outras coisas, o olhar sobre as formas como as imagens são construídas e interpretadas, principalmente em disputas estético-políticas. Considerando a produção de frames que constroem e reproduzem intepretações sobre as imagens, procuro analisar a participação e/ou intervenção de midialivristas (colaboradores da Mídia Ninja) nas cenas que estão registrando. Utilizo das reflexões elaboradas pelas autoras, para pensar a produção fotográfica da Mídia Ninja em manifestações e protestos, possíveis contextos de conflitos, nos quais a produção é voltada para elaboração de contra narrativas estético-políticas. Portanto, procuro nesse artigo, pensar o que essas imagens, com foco na fotografia, da Mídia Ninja mostram e – sobretudo – mostram o que mostram.




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* Schneider
Programa de Pós-graduação da Universidade Federal Fluminense PPGA/UFF. Niterói, Brasil