Este artigo analisa a relação estabelecida entre as universidades e a sociedade através de um conjunto de sugestões de políticas/ações de desenvolvimento territorial/local presentes nos estudos de Arranjos Produtivos Locais (APLs) realizados pela Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais (RedeSist), Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A RedeSist é formada majoritariamente por professores(as) vinculados às universidades brasileiras, por parceiros internacionais e possui uma vasta experiência na interação com a sociedade. Esta interação ocorre por meio de realização de estudos e pesquisas e da produção resultante (livros, relatórios, notas técnicas, artigos), e ainda, através de fóruns, seminários nacionais e internacionais onde atores públicos e privados são acionados. Este artigo é também uma contribuição ao estudo “Análisis Multidimensional de las Interacciones Universidad-Sociedad en Iberoamérica” (2018-2022), coordenado internacionalmente pela Red CYTED (Programa Iberoamericano de Ciencia y Tecnología para el Desarrollo) e que integra a Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Espanha, Portugal e Uruguai. A RedeSist coordena nacionalmente este estudo. A escolha e a relevância do tema se justifica em razão da metodologia utilizada pela RedeSist na realização dos estudos de Arranjos Produtivos Locais (APLs), uma vez que dialogar ‘para fora da universidade, mas a partir de acadêmicos’, em um processo de busca da identificação dos atores econômicos e institucionais presentes nos arranjos, bem como da promoção do desenvolvimento sustentável do mesmo, constitui per si uma forma de pensar o desenvolvimento local/territorial e de realizar a relação universidade-sociedade, se aproximando de uma perspectiva do que se entende ser uma ‘nova pesquisa-extensão universitária’. Os procedimentos metodológicos utilizados neste artigo incluem duas etapas que se complementam: uma revisão da experiência de estudos da Redesist/IE/UFRJ junto a Arranjos Produtivos Locais (APLs), identificando os conjuntos de arranjos analisados; e , em seguida, uma análise das principais proposições de políticas/ações para o desenvolvimento destes sistemas e para o desenvolvimento terrritorial/local. Dentre os principais resultados tem-se a constatação de que nos estudos da RedeSist, a universidade brasileira, quase sempre pública e distribuída por todo o território nacional, revela e dialoga diretamente com variados atores econômicos e institucionais (governos, produtores, comercializadores, fornecedores, cooperativas, associações, entidades de representação/promoção, bancos, dentre outros), além de tornar visível uma miríade de atores por vezes inexistentes à luz dos indicadores convencionais, mas que influenciam e estimulam o desempenho de dado arranjo e o seu entorno, variando conforme cada sistema produtivo analisado. Ademais, as proposições para o desenvolvimento dos arranjos estudados pela RedeSist, seja porque priorizam a superação dos limites de cada arranjo e realçam os seus anseios; seja porque vão além destes anseios e realçam o papel do Estado, o reforço ao aprendizado/inovação/cooperação, a necessidade da existência e interação entre as variadas escalas de política (micro, meso, macro), dentre outros, reforçam continuamente o marco teórico neo-shumpeteriano e da teoria estruturalista latino-americana, em razão das interações identificadas nos arranjos, dos desafios e das possibilidades de superação por meio políticas/ações sugeridas. Ao mesmo tempo, todo esforço indica ser esta também uma forma inovadora e necessária de exercer a relação universidade-sociedade, um exemplo não certamente o único ou o ‘melhor’, mas um importante exemplo de como a universidade brasileira pode contribuir para com a sociedade, ao se aproximar da realidade dos sistemas locais, dialogar com os seus atores, reconhecer a sua rica trajetória, compreender e propor superações a partir das necessidades locais/territoriais. Em suma, um olhar teórico-empírico sobre um espaço concreto passível da implementação de políticas é também uma forma das Universidades dialogarem constantemente com a sociedade, contribuindo para a promoção do desenvolvimento.