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Resumen de ponencia
Afrocentricidade e Sociologia: desafios e possibilidades epistemológicas

*Alan Felipe Alves Dos Santos
*Natalia Luiza Souza



Os contextos sociológicos atuais vêm sendo amplamente discutidos e criticados por uma ampla gama de intelectuais preocupados com o presente e com futuro desta ciência, com suas exclusões e desconsiderações históricas. Segundo Alatas (2010, p. 226), estes intelectuais “têm se mostrado preocupados com o orientalismo e o eurocentrismo, com a irrelevância dos discursos dominantes e com a geração de discursos alternativos”. O que se compreende é que o discurso dominante da Sociologia gira em torno da ideia de racionalidade e de modernidade, conceitos não desprendidos da ideia de Ocidente. Os reflexos destes discursos são também geopolíticos e, seguramente, o centro destas relações geopolíticas está na euro-américa. As problemáticas que se colocam a partir destas discussões, críticas e discursos alternativos firmam, a partir desse ponto, outras maneiras de pensar sociologicamente o mundo. Desta forma, se pensarmos que a experiência social é base para a formulação de teorias, métodos e categorias de análise para a sociologia, logo podemos estabelecer que, devido a tais dinâmicas, estas teorias, métodos e categorias são baseadas em experiências sociais euro-americanas (ADESINA, 2002; ALATAS, 2010; CONNELL, 2012b; MACAMO, 2002).
A partir de reflexões sobre uma geopolítica do conhecimento e seus reflexos dentro das Ciências Sociais, pode-se notar que há, de fato, uma maior relevância de teorias, conceitos e métodos euro-americanos em contraste com o que é produzido em outras partes do mundo. Tal hipótese é testada por diversos autores que, desde suas perspectivas, estabelecem alternativas a um eurocentrismo intelectual. Entre estes autores estão os vinculados à teoria da Afrocentricidade. Entendemos como Afrocentricidade (ABDIAS, 2002; ASANTE, 2016) como uma ferramenta do saber que tem como princípio a África e a pessoa africana como produtora e difusora de conhecimento, ou seja, agente de sua própria intelectualidade. Para Asante (2016, p.2) a perspectiva afrocentrica é “uma crítica da dominação cultural e econômica e um ato de presença psicológica e social diante da hegemonia eurocêntrica.” Considerando isso, podemos pensar que esta perspectiva torna-se relevante para as ciências sociais na medida em que o questionamento do eurocentrismo permite a emergência de outras teorias, conceitos e métodos, logo, abrem-se as possibilidades de explicar o mundo a partir delas. Mazama (2009, p.119) ressalta o aspecto sociológico da Afrocentricidade justamente pelo seu estabelecimento como uma “matriz disciplinar”, ou seja, por carregar consigo “um aparato conceitual, uma metodologia e teorias e um conjunto de teorias específicos”.
O propósito da pesquisa é analisar a trajetória intelectual de três teóricos inseridos em contextos distintos e que apresentam em suas produções influências afrocentricas. Primeiro o brasileiro Abdias do Nascimento, negro diaspórico, político, ativista social, artista plástico, escritor, poeta e dramaturgo, reconhecido como um dos principais defensores da cultura e da igualdade para a população afrodescendente no Brasil. E o principal idealizador do Teatro Experimental do Negros (TEN) que tinha como objetivo central a exaltação e o reconhecimento do legado cultural e humano do africano no Brasil.
Elísio Macamo, moçambicano negro do continente africano, doutorou-se em Sociologia e Antropologia na Universidade de Bayreuth na Alemanha, em 1997, onde atualmente trabalha como Docente e Investigador na área de Sociologia do Desenvolvimento. Tem inúmeras obras publicadas, dentre elas: “Planície Sem Fim” no qual faz reflexões críticas da realidade social de Moçambique. “Trepar o país pelos ramos” é uma obra em que Macamo sugere que os problemas criados pelos moçambicanos devem ser resolvidos pelos próprios moçambicanos, ou seja, nos leva a uma reflexão sobre os principais problemas existente em seu país. E “O abecedário da nossa dependência” conjetura sobre a dependência que Moçambique apresentam, quase sem nenhuma resistência, ao imperativo de outros países.
Oyèrónké Oyěwùmí, pesquisadora nigeriana, tem como principal obra “A Invenção das Mulheres: Construindo um Sentido Africano sobre os Discursos Ocidentais de Gênero”. A grande questão para essa teórica é colocar em primeiro plano estudos que tem como partida o ponto de vista africano, que permanece subjugado e negado pela academia ocidental. Em sua escrita usa como referenciais experiências africanas para cintilar questões teóricas em várias áreas de conhecimento.
A metodologia está dividida em três partes. A primeira consiste na investigação da trajetória intelectual dos três teóricos. A segunda é o levantamento das obras escritas por eles. E a última será a análise do material selecionado utilizando o método comparativo. Este método visa empregar aproximações e distanciamento a fim de elaborar um raciocínio relacional entre os objetos analisados.

Referências Bibliográficas

ADESINA, Jimí O. “Sociology and Yorùbá Studies: epistemic intervention or doing sociology in the ‘vernacular’?”. African Sociological Review, 6,(1),2002
________. conferência: “Da extraversão à recuperação: exploração epistêmica da casa de Orunmila.” Congresso Nacional de Soiologia. Brasília, Jul-2017.
ALATAS, Syed F. “A definição e os tipos de discursos alternativos”. Est. Hist., Rio de Janeiro, vol. 23, no 46 p. 225-245, julho-dezembro de 2010.
ASANTE, Molefi K. “Afrocentricidade como Crítica do Paradigma Hegemônico Ocidental: Introdução a uma Ideia.” Ensaios Filosóficos, Volume XIV– Dezembro/2016
CONNELL, Raewyn. “A iminente revolução na teoria social”. Rev. bras. Ci. Soc., São Paulo, v. 27, n. 80, Oct. 2012.
_________. “O Império e a criação de uma Ciência Social”. Dossiê Saberes Subalternos. Contemporânea. v. 2, n. 2 p. 309-336 Jul.–Dez. 2012
HOUNTONDJI, Paulin J. (ed.) Endogenous knowledge: research trails. Dakar, CODESRIA, 2007.
_______ . “Conhecimento de África, conhecimento de Africanos: duas perspectivas sobre os Estudos Africanos”. Revista Crítica de Ciências Sociais, 80, Março 2008: 149-160.
MACAMO, Elisio. “A constituição duma sociologia das sociedades africanas.” Estudos Moçambicanos. V.19. 2002. Pp. 5-26.
MAZAMA, Ama. “Afrocentricidade como um novo paradigma”. In: Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. NASCIMENTO, Elisa L. (Org.) São Paulo: Selo Negro, 2009.
NASCIMENTO, Abdias. O Quilombismo. 2 ed. Brasília/Rio: Fundação Cultural Palmares; O.R. Editora, 2002.
OYĚWÙMÍ, Oyèrónké. “Conceituando o gênero: os fundamentos eurocêntricos dos conceitos feministas e o desafio das epistemologias africanas.” Tradução para uso didático de: OYĚWÙMÍ, Oyèrónké. Conceptualizing Gender: The Eurocentric Foundations of Feminist Concepts and the challenge of African Epistemologies. African Gender Scholarship: Concepts, Methodologies and Paradigms. CODESRIA Gender Series. Volume 1, Dakar, CODESRIA, 2004, p. 1-8 por Juliana Araújo Lopes.
________ . Family bonds/Conceptual Binds: African notes on Feminist Epistemologies. Signs, Vol. 25, No. 4, Feminisms at a Millennium (Summer, 2000), pp. 1093-1098. Tradução para uso didático por Aline Matos da Rocha.





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* Alves Dos Santos
Universidade de Brasília - UnB. Brasília, Brasil

* Souza
Universidade de Brasília - UnB. Brasília, Brasil