As iniciativas de Economia Solidária vêm crescendo consideravelmente ao longo dos anos. A implementação de Bancos Comunitários do Desenvolvimento (BCD) em áreas de vulnerabilidade social vem ajudando a criar questões que tangem a Segurança Pública nestas regiões e o impacto que esta Tecnologia Social (TS), possui neste processo. Na perspectiva de seus criadores e desenvolvedores, ao atuar nas finanças solidárias e nas linhas de crédito, os Bancos Comunitários do Desenvolvimento oferecem o microcrédito para financiamento de novos negócios, visando a ampliação a da capacidade produtiva ou dos serviços. Com esse propósito o microcrédito para o consumo é feito em moeda social circulante local, ampliando a renda local e criando demanda. A moeda social, portanto, é considerada um instrumento de desenvolvimento local, cujo objetivo é beneficiar o mercado de trabalho daqueles que participam da economia da localidade (SILVA, sd). Assim, ao receber a certificação do Banco Central, a moeda social vigente naquela comunidade pode ser trocada pela moeda corrente no país.
Não só, as mulheres são um dos principais atores envolvidos, o que vem levando a emancipação das mesmas, uma vez que se tornam gestoras de empreendimentos proporcionados pelo Banco. Além disso, a participação feminina na implementação dos Bancos Comunitários é considerada, em parte pela literatura sobre economia solidária e finanças solidárias, uma forte hipótese de que é decisiva sua atuação e transformadora em suas vidas a existência da moeda social. No caso do primeiro Banco Comunitário do Desenvolvimento (BCD), o Grameen Bank, com sete milhões de mutuários, 97% são mulheres, atualmente. O Banco Palmas, primeiro BCD implementado no país, também exerce ações de incentivo a inclusão das mulheres, tendo um projeto voltado exclusivamente para elas. O Projeto Elas, voltado para a inclusão social, produtiva, financeira e bancária, desenvolve um conjunto de ações de promoção, formação e orientação às mulheres. (INSTITUTO BANCO PALMAS, sd). No caso do Morro do Preventório, o primeiro BCD implementado em Niterói, a Associação de Moradores, junto ao Projeto Mulheres pela Paz, foram essenciais para organizar um grupo permanente de pessoas dispostas a apoiar e participar da gestão do Banco (BANCO DO PREVENTÓRIO, sd).
A pergunta principal que move esta ponência é se o uso das moedas sociais na prática é mesmo capaz de transformar a dinâmica das relações socioeconômicas locais. Dessa forma, o objetivo é apontar a visão das mulheres dentro do movimento da Economia Solidária e como elas estão atuando nesse processo de implementação do Banco Comunitário. Não só, objetiva-se ver como as mulheres dessa área, vista como um local vulnerável, entendem a Segurança Pública e a contribuição do Banco nesse processo.
Para o cumprimento desse objetivo, adotou-se uma metodologia de caráter qualitativo, baseada na pesquisa bibliográfica seguindo as considerações metodológicas de autores como Minayo (2002), Pires (2008) e Lakatos e Marconi (1991). Assim os processos metodológicos adotam como objeto de pesquisa as finanças solidárias no campo da economia solidária e permitem estudar sua trajetória ao longo dos anos fora e particularmente dentro do Brasil. Este trabalho justifica sua importância na possibilidade de oferecer informação que permita uma leitura da situação das finanças solidárias, no campo da economia solidária e da criação dos BCD , em relação à problemática da exclusão sócio econômica e cultural da população de baixa renda, levantando informações e questionamentos sobre da trajetória das finanças solidárias e seu acesso às mulheres no Brasil, o papel das políticas públicas e a uma visão da economia solidária no caso brasileiro no que tange à intensa participação feminina .
Portanto, esta proposta pretende analisar, a partir dos projetos de implementação de alguns Bancos Comunitários no Brasil, o papel das mulheres na área das finanças solidárias, e como as mesmas contribuíram para a construções de questões que tangem a segurança pública daquela comunidade da qual as mesmas fazem parte.