A problematização das relações entre escola e cultura compõem todo processo educativo. As discussões, hoje, no ambiente escolar permeiam a contextualização do multiculturalismo em suas mais variadas vertentes. A globalização com seus entremeios massificadores e, ao mesmo tempo, individualizadores favoreceu a percepção do diferente e o enclausuramento dessa diferença. Não obstante, a escola por se perceber como uma micro sociedade apresenta modificações decorrentes dessa interferência. A escola é uma instituição cultural, sendo assim, suas relações culturais não podem ser pensadas como algo distinto, ao contrário, constituem uma teia tecida no cotidiano, com fios e nós profundamente articulados que produzem, atualizam e deslocam representações estereotipadas de comportamentos e sujeitos, partindo de uma hierarquização das diferenças, inferiorizando e deslegitimando comportamentos e ações que não são reconhecidos como pertencentes a referência de poder, Homogenia, Branca, Heterossexual e Masculina. Partindo do pressuposto que o multiculturalismo crítico tem como foco a desconstrução dos arquétipos de homogeinização, desse modo as discussões acerca das relações de gênero surgem para contrapor uma política pedagógica tradicionalmente machista e masculinista que cristaliza saberes como específicos de um e de outro sujeito. O currículo, então, passa a ser visto como um artefato de gênero, uma tecnologia, que corporifica e ao mesmo tempo produz gêneros à medida que localiza como inteligível comportamentos e atitudes que são reconhecidos como ideais de um tipo "masculino" e/ou "feminino" . Nesse enredo a concepção de gênero do ambiente escolar não deve ser refreada apenas à relação entre masculino e feminino dicotomicamente, mas contextualizada às formas de representação de identidades de gêneros incorporando todas as possibilidades que o termo permite. Seguindo com essa linha de pensamento alinhavamos a conceituação de gênero como construção histórica, o que nos permite um vislumbre mais amplo das relações sociais que sugerem, muitas vezes, a desigualdade, hierarquizando relações de poder entre homens e mulheres nos diferentes contextos sociais A proposta deste artigo é discutir a temática multiculturalismo e educação, explicitando as relações de gênero no ambiente escolar e as influências dessas relações no ‘desenvolver’ do individuo e no papel formador da escola em um contexto globalizado. Desta forma, propomos situar o momento histórico e as necessidades surgidas, a partir de uma visão multicultural, destacando as dificuldades e os estigmas tradicionalistas da educação. Utilizando para tanto os estudos de Vera Maria Candau (2005; 2000), Peter Maclaren (2000), Judith Butler (2004; 2003), Guacira Lopes Louro (1997; 2003) entre outros autores para o fomento e articulação da discussão. Percebemos, no entanto, que o transcorrer das transformações decorrentes da concepção multiculturalista solicitam uma ‘revisão’ pedagógica cuja responsabilidade apoia-se no discurso de formação de educadores/as com o objetivo de capacitá-los/as e subsidiá-los/as para solução de conflitos e tensões. Mas, ainda assim reduzir toda a discussão em uma única via de ação é negar as possibilidades inerentes da comunidade escolar e desarticular sua composição, visto que a escola não é composta somente de alunos/as e educadores/as, possui toda uma rede social que entrelaça e ultrapassa a visão reducionista de relação social professor/a-aluno/a. É preciso ir além, é necessário compreender os aspectos de como a experiência de gênero é vivenciada e percebida pelos/as alunos/as durante seu percurso escolar ouvindo os discursos e visualizando as práticas no cotidiano da escola que expressam valores sobre o que meninos e meninas fazem, pensam, sentem e falam com o proposito de construir uma cultura escolar para o acolhimento da diversidade e das relações oriundas de suas possibilidades. Contudo observamos que para percorrer e ultrapassar o caminho que leva à educação multiculturalista é necessário uma desconstrução de conceitos e atitudes que levem a uma visão multifacetada de símbolos que possibilitem uma igualdade efetiva de fazeres e seres.